Ciência

Nasa tenta último truque para salvar espaçonave mais distante da Terra

Engenheiros desligam instrumentos para economizar energia e tentar prolongar missão no espaço interestelar

Voyager 1: estratégia da Nasa busca reorganizar energia da sonda para mantê-la operando além da heliosfera. (NASA/JPL-Caltech/Reprodução)

Voyager 1: estratégia da Nasa busca reorganizar energia da sonda para mantê-la operando além da heliosfera. (NASA/JPL-Caltech/Reprodução)

Publicado em 29 de abril de 2026 às 05h52.

A Voyager 1, a espaçonave mais distante da Terra, teve mais um de seus instrumentos científicos desligado para economizar energia e prolongar sua operação no espaço interestelar. A decisão foi tomada pela Nasa, que enviou o comando em 17 de abril.

O objetivo é manter a missão ativa por mais tempo e viabilizar uma tentativa ambiciosa de atualização, apelidada de “Big Bang”. De acordo com a agência, a estratégia prevê reconfigurar os sistemas da sonda para reduzir o consumo de energia e ampliar sua vida útil no espaço interestelar.

Corte de energia tenta manter missão ativa até 50 anos

O equipamento desativado foi o experimento de Partículas Carregadas de Baixa Energia (LECP), responsável por medir íons, elétrons e raios cósmicos no espaço profundo.

Com isso, a Voyager 1 passa a operar com apenas dois instrumentos científicos ativos. A estratégia faz parte de um esforço contínuo da Nasa para lidar com a perda gradual de capacidade energética, já que a sonda utiliza geradores que convertem o calor do plutônio em eletricidade — com uma queda estimada de cerca de 4 watts por ano.

Lançada em 1977, a missão já superou em décadas sua expectativa inicial de cinco anos. Atualmente, a Voyager 1 está a cerca de 25,4 bilhões de quilômetros da Terra, enquanto sua sonda gêmea, a Voyager 2, está a aproximadamente 21,3 bilhões de quilômetros.

Plano 'Big Bang' pode dar nova vida à sonda

A redução no consumo de energia pode permitir que a Voyager 1 continue operando por cerca de mais um ano. Esse prazo é considerado crucial para preparar a execução do plano “Big Bang.

A ideia é realizar uma reconfiguração dos sistemas da espaçonave, desligando componentes mais antigos e ativando alternativas que consumam menos energia. Se funcionar, a manobra pode até permitir a reativação de instrumentos atualmente inativos.

O teste será realizado primeiro na Voyager 2, entre maio e junho. Caso apresente resultados positivos, o mesmo procedimento será aplicado na Voyager 1 no mês seguinte.

Risco aumenta com queda inesperada de energia

A urgência da medida aumentou após uma queda inesperada nos níveis de energia registrada em fevereiro, durante uma manobra de calibração do magnetômetro. Se a energia cair além de um limite crítico, a sonda pode acionar automaticamente um sistema de proteção que desliga seus componentes. Esse processo interrompe o envio de dados e torna a recuperação dos sistemas mais difícil e arriscada.

Segundo a equipe da missão, evitar esse cenário é essencial para manter a comunicação com a Terra e garantir a continuidade das observações científicas.

Missão histórica entra em fase final

As sondas Voyager são as únicas espaçonaves ainda em operação além da heliosfera — a região dominada pelo vento solar que envolve o Sistema Solar. Mesmo com limitações crescentes, elas continuam enviando dados inéditos sobre o espaço interestelar, uma área nunca explorada diretamente por outras missões.

A expectativa dos engenheiros da Nasa é prolongar a operação o máximo possível, mas reconhecem que, com a perda contínua de energia, a missão se aproxima de sua fase final após quase meio século de atividade.

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