Fóssil: pegadas descobertas no sul do Brasil sugerem a existência de um mamífero muito maior do que se imaginava para o Cretáceo (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 21 de agosto de 2026 às 19h51.
Há cerca de 130 milhões de anos, quando os dinossauros dominavam a Terra, um mamífero de tamanho incomum caminhou pelas dunas de um antigo deserto no que hoje é o sul do Brasil. Agora, pegadas fossilizadas encontradas na Formação Botucatu sugerem que esse animal pode ter sido o maior mamífero conhecido a viver durante a era dos dinossauros, desafiando a ideia de que os primeiros mamíferos eram apenas pequenos animais que viviam à sombra dos grandes répteis.
O estudo foi publicado no Journal of South American Earth Sciences. Segundo os pesquisadores, o animal teria aproximadamente o tamanho de um cachorro grande ou até de um puma, dimensões incomuns para mamíferos do início do Cretáceo.
As marcas fósseis foram descobertas em 2019 por trabalhadores de uma pedreira na Formação Botucatu, um dos principais sítios paleontológicos brasileiros para o estudo de pegadas fossilizadas.
Durante o início do Cretáceo, a região fazia parte de um enorme deserto que se estendia por áreas que hoje pertencem ao Brasil e ao oeste da África, quando ambos ainda integravam o supercontinente Gondwana.
Embora o local preserve milhares de pegadas de dinossauros, pterossauros, lagartos, artrópodes e mamíferos, fósseis de esqueletos são raros.
Os pesquisadores compararam as novas marcas com outras pegadas de mamíferos já encontradas na Formação Botucatu e em depósitos do mesmo período.
As impressões apresentam características típicas de mamíferos: são mais largas do que compridas, possuem quatro dedos curtos com extremidades arredondadas e indicam locomoção sobre quatro patas.
O que mais chamou atenção foi o tamanho. As pegadas medem mais de 10 centímetros de comprimento e cerca de 13 centímetros de largura, aproximadamente o dobro das maiores pegadas de mamíferos conhecidas até então na formação.
Com base na comparação com o mamífero fóssil Adalatherium hui, os autores estimam que o animal pudesse atingir cerca de 1,55 metro de comprimento. Segundo a equipe, nenhum mamífero conhecido por fósseis ou pegadas do mesmo período alcançava dimensões semelhantes.
Como apenas as pegadas foram encontradas, não é possível identificar com certeza qual animal as produziu. Os pesquisadores consideram que elas podem ter pertencido a um triconodonte ou a um cladoteriano, dois grupos de mamíferos primitivos que normalmente eram considerados animais de pequeno ou médio porte. Por enquanto, essa identificação permanece apenas como uma hipótese.
A razão para esse crescimento incomum ainda é desconhecida. Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é que o antigo deserto da Formação Botucatu abrigasse relativamente poucos dinossauros de grande porte, reduzindo a competição e permitindo que alguns mamíferos ocupassem nichos ecológicos maiores.
Os autores destacam, porém, que ainda não existem evidências suficientes para confirmar essa explicação.
Nos últimos anos, estudos vêm mostrando que os mamíferos da era dos dinossauros eram mais diversos do que se acreditava.
Em 2023, outra pesquisa encontrou evidências de que alguns mamíferos se alimentavam de pequenos dinossauros. Se o animal da Formação Botucatu realmente tinha o porte estimado pelas pegadas, ele poderia até ter sido predador de dinossauros maiores do que aqueles conhecidos nesses registros anteriores.