Aranha: espécie australiana alcançou a maior velocidade já registrada em testes de laboratório (Wikimedia Commons )
Redatora
Publicado em 4 de julho de 2026 às 07h37.
Uma espécie encontrada na Austrália conquistou o posto de aranha mais rápida do mundo após atingir 3,59 metros por segundo — cerca de 13 km/h — em testes de laboratório. O resultado levou cientistas a revisar qual espécie deve ser considerada a mais veloz e revelou que o desempenho depende de fatores mais complexos do que apenas o tamanho do corpo.
Conduzido por pesquisadores da Universidade de Greifswald, na Alemanha, e do Imperial College London, no Reino Unido, o estudo foi divulgado no repositório científico bioRxiv e ainda aguarda revisão por pares. A pesquisa analisou mais de 160 espécies para investigar como a anatomia e a evolução influenciam a capacidade de corrida das aranhas.
Para construir o maior banco de dados já reunido sobre a velocidade de corrida desses aracnídeos, a equipe avaliou 236 indivíduos de 162 espécies e complementou a análise com informações publicadas anteriormente sobre outras 96 espécies.
Antes dos experimentos, cada aranha era pesada. Em seguida, os animais percorriam folhas quadriculadas enquanto câmeras registravam seus movimentos para análises biomecânicas.
Na maior parte dos testes, um simples toque com um pincel bastava para estimular a corrida. Algumas espécies, porém, só começavam a se mover após pequenos jatos de ar comprimido.
Em entrevista à New Scientist, os pesquisadores afirmaram que convencer determinadas aranhas a correr foi um dos maiores desafios do estudo, sobretudo no caso das tarântulas, que demonstraram pouca disposição para participar dos experimentos.
A campeã foi a aranha-caçadora (Heteropoda cervina e Heteropoda jugulans), que alcançou velocidade máxima de 3,59 metros por segundo. Até então, o título costumava ser atribuído à aranha flic-flac marroquina (Cebrennus rechenbergi), conhecida por escapar de predadores realizando cambalhotas sobre dunas de areia.
Segundo os autores, porém, esse deslocamento não pode ser considerado uma corrida convencional. O movimento depende da inclinação das dunas e representa uma forma especializada de locomoção, diferente da corrida observada nas demais espécies.
Os resultados mostraram que aranhas maiores, em geral, tendem a alcançar velocidades mais elevadas. A mais lenta registrada foi a pequena aranha-do-dinheiro (Maso sundevalli), que atingiu apenas 0,018 metro por segundo.
No entanto, o tamanho corporal não explica sozinho essas diferenças. Quando os pesquisadores levaram em consideração o histórico evolutivo das espécies, descobriram que aranhas com pernas relativamente mais longas costumam correr mais rápido, independentemente da espessura dos membros.
Os autores afirmam que a velocidade resulta da combinação entre características anatômicas, comportamento e adaptações evolutivas. Assim como acontece com o guepardo, cuja velocidade é resultado de pressões evolutivas específicas, diferentes estilos de vida também influenciam a capacidade de corrida das aranhas.
Entre os resultados mais curiosos está o desempenho da aranha-duende-laranja (Oonops pulcher). Mesmo pesando apenas 0,1 miligrama, ela percorreu cerca de 20 centímetros por segundo, velocidade considerada impressionante para um animal desse porte.
Segundo os pesquisadores, o levantamento oferece uma visão inédita sobre como anatomia e evolução moldaram a locomoção das aranhas e pode contribuir para compreender a diversidade de estratégias desenvolvidas por esses animais ao longo de sua história evolutiva.