Ciência

Parente de aranha de 500 milhões de anos intriga com garras 'fora do lugar'

Fóssil revela predador marinho com anatomia incomum que ajuda a explicar a evolução dos artrópodes

Fóssil de Megachelicerax cousteaui: espécie de 500 milhões de anos revelou garras em posição incomum (Masato Hattori/Universidade de Harvard)

Fóssil de Megachelicerax cousteaui: espécie de 500 milhões de anos revelou garras em posição incomum (Masato Hattori/Universidade de Harvard)

Publicado em 2 de abril de 2026 às 14h16.

Um fóssil de cerca de 500 milhões de anos revelou uma característica incomum em um dos ancestrais das aranhas modernas. O animal, identificado como Megachelicerax Cousteaui, apresenta um par de garras na parte frontal da cabeça — uma estrutura que não era esperada nesse grupo de artrópodes primitivos.

A descoberta foi descrita em estudo publicado na Nature e ajuda a esclarecer etapas iniciais da evolução dos quelicerados, grupo que inclui aranhas, escorpiões e caranguejos-ferradura.

Garras onde não deveriam existir

O fóssil foi analisado pelo paleontólogo Rudy Lerosey-Aubril, da Universidade de Harvard. Inicialmente, o espécime parecia comum, mas revelou detalhes inesperados durante a preparação.

Segundo o pesquisador, o animal apresentava um par de garras frontais projetando-se da cabeça — uma posição normalmente ocupada por antenas em artrópodes do período Cambriano.

Essa configuração indica que as estruturas observadas não deveriam estar presentes naquele ponto da anatomia, o que torna o fóssil incomum para a época.

Predador antigo e anatomia complexa

O Megachelicerax cousteaui era um predador marinho com pouco mais de 7,6 centímetros de comprimento. Seu corpo tinha uma placa cefálica e nove segmentos distintos.

De acordo com Lerosey-Aubril, os apêndices próximos à cabeça eram usados para alimentação e funções sensoriais, enquanto os do tronco estavam ligados à respiração e à locomoção na água.

O nível de especialização anatômica observado é considerado avançado para um organismo dessa idade.

Evolução recua milhões de anos

Antes dessa descoberta, os quelicerados mais antigos conhecidos tinham cerca de 480 milhões de anos. O novo fóssil antecipa essa origem em aproximadamente 20 milhões de anos. Além disso, o animal representa uma forma de transição entre artrópodes mais antigos, que não possuíam garras nessa região, e espécies posteriores que desenvolveram essas estruturas.

Segundo os autores do estudo, isso ajuda a entender em que momento características como garras frontais e a divisão do corpo em regiões especializadas surgiram na evolução. A espécie recebeu o nome Megachelicerax cousteaui em homenagem ao explorador francês Jacques Cousteau, conhecido por seus documentários e contribuições à exploração marinha.

O espécime foi encontrado há mais de 40 anos em uma região desértica no oeste do estado de Utah, nos Estados Unidos, e permaneceu preservado em um museu até ser analisado em detalhe. Para os pesquisadores, o caso mostra que fósseis já coletados ainda podem revelar novas informações quando estudados com mais profundidade.

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