Ciência

Aranha usa 'catapulta' de seda para capturar formigas em 'armadilha mortal'

Pesquisadores descobriram um mecanismo de caça altamente especializado, criado para capturar apenas formigas-verdes agressivas

Aranha-balista: estudo revelou uma estratégia de caça inédita na natureza (Professor Ajay Narendra et al.)

Aranha-balista: estudo revelou uma estratégia de caça inédita na natureza (Professor Ajay Narendra et al.)

Publicado em 28 de junho de 2026 às 08h33.

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Uma aranha recém-descoberta nas florestas tropicais do norte da Austrália surpreendeu cientistas ao revelar uma estratégia de caça incomuns. A espécie constrói uma armadilha de seda tensionada que funciona como uma catapulta e faz com que a própria presa acione o mecanismo, sendo lançada diretamente para a teia da aranha.

A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade Macquarie e publicada na revista científica Current Biology. Segundo os autores, trata-se de um sistema altamente especializado para capturar apenas um tipo de presa: a formiga-verde-arborícola (Oecophylla smaragdina), conhecida por seu comportamento agressivo e por sua capacidade de atacar predadores em grupo.

Como funciona a armadilha de seda da aranha-balista

Apelidada de "aranha-balista", em referência à antiga arma de guerra romana que lançava projéteis por meio de tensão mecânica, a espécie permanece escondida durante o dia sob folhas próximas às trilhas das formigas. Ao anoitecer, ela desce pela vegetação e passa até quatro horas construindo uma estrutura vertical composta por dezenas de fios de seda esticados e organizados em formato de cone.

Depois de finalizar a armadilha, a aranha recua e aguarda. Quando uma formiga-verde encontra o cone de seda, reage de forma agressiva e o morde. Sem perceber, ela libera o mecanismo preso ao ponto de ancoragem, acionando uma espécie de catapulta.

Em frações de segundo, a estrutura impulsiona a formiga por mais de 30 centímetros até a teia principal, onde ela fica imobilizada. Só então a aranha se aproxima para envolver a presa em seda e consumi-la.

Aranha é especializada em capturar uma única espécie de formiga

Segundo os pesquisadores, poucas aranhas se alimentam de formigas, já que esses animais possuem ferrões, substâncias químicas de defesa e conseguem convocar rapidamente centenas de companheiras para atacar um inimigo. No caso da aranha-balista, porém, toda a armadilha parece ter evoluído justamente para enfrentar esse desafio.

Os cientistas acreditam que, na etapa final da construção, a aranha pode depositar um feromônio capaz de atrair especificamente operárias da formiga-verde e estimular seu comportamento agressivo, fazendo com que elas próprias acionem o mecanismo.

Se essa hipótese for confirmada, será um dos exemplos mais sofisticados de armadilha construída para explorar o comportamento de uma única espécie de presa.

Catapulta biológica supera outras armadilhas de seda

Para entender como a armadilha funciona, os pesquisadores registraram o comportamento da aranha com câmeras de alta velocidade e analisaram a seda em laboratório utilizando microscopia eletrônica.

Os resultados mostraram que os fios armazenam grande quantidade de energia elástica, liberada quase instantaneamente quando o mecanismo é acionado. Segundo os autores, essa catapulta biológica produz uma potência superior à de qualquer outra armadilha de seda especializada conhecida até o momento.

A força gerada também precisa superar a aderência das patas das formigas-verdes, que conseguem se fixar firmemente às superfícies por meio de almofadas adesivas.

Descoberta ajuda a entender a evolução das estratégias de caça

A equipe acredita que essa armadilha tenha evoluído como uma solução para capturar presas potencialmente perigosas sem que a aranha precise enfrentá-las diretamente.

Ao lançar uma única formiga para longe da trilha e do restante da colônia, a aranha reduz o risco de sofrer ataques de reforços recrutados pelas próprias operárias.

Segundo os pesquisadores, o comportamento representa um dos exemplos mais extremos de especialização alimentar já observados em aranhas.

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