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Dinheiro público, transparência e... crianças e adolescentes

Transparência e gestão eficiente podem melhorar a vida de milhões de meninas e meninos

O UNICEF atua no nível municipal para ajudar a fortalecer o planejamento e a alocação do orçamento público voltado a meninos e meninas (Dean Drobot/Shutterstock)

O UNICEF atua no nível municipal para ajudar a fortalecer o planejamento e a alocação do orçamento público voltado a meninos e meninas (Dean Drobot/Shutterstock)

Unicef
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Colunista

Publicado em 26 de julho de 2026 às 11h51.

Saber para onde vai, como está sendo usado e que impactos teve o uso do dinheiro público é um direito de todo cidadão. E a transparência importa não só para evitar fraudes e combater a corrupção - uma preocupação de muitos brasileiros e brasileiras - mas também para descobrir, na prática, qual é a prioridade de nossos governos.

Afinal, o dinheiro não mente. É na hora de elaborar e de implementar o orçamento público (por meio do qual as políticas do país podem acontecer) que governantes mostram o que é de fato importante para suas gestões e o que realmente vão fazer, para além das promessas.

Neste sentido, é louvável que recentemente o Brasil tenha divulgado o quanto destinou para crianças e adolescentes, no nível federal, em 2025: foram R$ 264 bilhões.

Além do número, porém, é preciso pensar em como foi decidida a alocação desses recursos – que deve, é claro, ser sempre orientada por evidências. Quais são as crianças e adolescentes que enfrentam as maiores privações? Quais grupos seguem excluídos de políticas públicas universais? Onde se concentram as desigualdades e a negligência histórica? São essas perguntas que devem orientar as decisões orçamentárias, para que os recursos públicos cheguem a quem mais precisa e ajudem, realmente, na redução de desigualdades.

Alocar recursos e monitorar a implementação

Alocar recursos é apenas o primeiro passo. Depois, é preciso garantir que esse dinheiro se transforme em resultados concretos: crianças e adolescentes na escola, protegidos da violência, saudáveis, com comida na mesa, com acesso a lazer e à cultura. Por isso os governos devem acompanhar o caminho desse montante, da alocação até a ponta, avaliando o impacto das políticas públicas que foram orçadas e verificando seu real impacto.

Todas essas análises, é claro, só podem ser feitas porque o número existe – e foi divulgado. E esta foi apenas a segunda vez que o Governo Federal compartilhou essa conta, que, como podem imaginar, não é fácil de ser feita.

E o UNICEF conhece esse cálculo - e toda sua complexidade - porque ajudamos a construí-lo, criando uma metodologia inovadora com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que agora é implementada também junto com o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO). E o trabalho árduo valeu a pena, já que agora a sociedade brasileira tem às mãos um dado que não tinha antes. E com ele, pode questionar, comparar, argumentar e especialmente verificar o quanto a infância e a adolescência têm realmente sido priorizadas nas ações governamentais.

Agora, queremos que estados e municípios também comecem a fazer esse cálculo e o utilizem para planejar melhor, alocando onde é mais preciso e mais efetivo. Que isso se torne uma prática contínua do Estado brasileiro, e não de um governo apenas.

Trabalho no UNICEF na garantia de direitos

Já estamos contribuindo para isso. O UNICEF atua no nível municipal para ajudar a fortalecer o planejamento e a alocação do orçamento público voltado a meninos e meninas. São mais de 2.200 cidades, parte do Selo UNICEF, que apoiamos com assistência técnica para gestores públicos neste sentido. Estamos ainda nos níveis estadual e federal, também ajudando governos a aplicar com mais planejamento e impacto os recursos públicos para meninas e meninos - o que começa, sempre, pela transparência.

Nesse sentido, vale parabenizar ainda a iniciativa de parlamentares no Congresso Nacional, que têm submetido projetos de lei justamente para que o gasto público com crianças e adolescentes seja monitorado em todos os níveis de governo, todos os anos. O UNICEF acompanha e contribui para essa discussão, que esperamos ver avançar ainda esse ano e se tornar comum nos novos governos eleitos, a partir de 2027.

Mas a transparência é uma via de mão dupla. Não importa o quão louvável, apenas disponibilizar este número não é o suficiente se eles não forem acessíveis e compreensíveis para a sociedade. O Brasil precisa fortalecer a capacidade da sociedade civil de acompanhar esses dados para monitorar políticas e cobrar resultados. E os adolescentes devem ser lembrados como parte essencial desse processo, tendo apoio para acessar informação e participar ativamente na defesa de seus direitos a partir desses números.

Saber para onde vai e como é usado o dinheiro público é um direito de todos nós. Mas é também nossa responsabilidade: ainda mais quando é para ajudarmos a garantir tudo que cada menino e cada menina no Brasil precisa para viver, crescer e florescer.

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