Marte: estudo sugere que asteroides ricos em metais podem fornecer materiais para futuras colônias humanas (Getty Images)
Redatora
Publicado em 7 de agosto de 2026 às 13h29.
Construir uma colônia permanente em Marte exigirá muito mais do que levar astronautas ao planeta vermelho. Além de alimentos, água e oxigênio, será necessário garantir um fluxo contínuo de metais para fabricar estruturas, reparar equipamentos e expandir a infraestrutura marciana. Um novo estudo sugere que parte dessa solução pode estar nos asteroides.
A pesquisa, destacada pelo Universe Today e baseada em uma análise publicada no repositório científico arXiv, indica que alguns asteroides ricos em metais poderiam funcionar como verdadeiros depósitos de matérias-primas para futuras missões a Marte. Segundo os autores, determinados alvos já seriam acessíveis com tecnologias espaciais existentes.
Uma base permanente em Marte precisaria de grandes quantidades de ferro, aço, alumínio e outros metais para construir habitats, fabricar ferramentas e substituir equipamentos desgastados.
De acordo com a pesquisa, transportar continuamente esses materiais da Terra seria caro e pouco eficiente. Além do alto custo dos lançamentos, cada viagem ao planeta pode levar entre seis e nove meses, dependendo da posição orbital entre Marte e a Terra.
Foi justamente esse desafio logístico que motivou pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), na Suíça, a investigar se seria possível obter esses recursos diretamente de asteroides.
Os cientistas concentraram a análise nos chamados asteroides do tipo M, corpos ricos em ferro, níquel e outros metais de interesse para futuras construções espaciais.
Utilizando modelos computacionais, a equipe simulou milhares de rotas entre Marte e diferentes asteroides para calcular a energia necessária para as viagens, a quantidade de material que poderia ser extraída e o combustível exigido em cada missão.
Os resultados mostram que a escolha do asteroide é decisiva. Alguns corpos exigiriam tanto combustível para serem alcançados que a mineração deixaria de compensar. Outros, porém, poderiam tornar a operação viável do ponto de vista logístico.
O estudo também destaca outra vantagem de determinados asteroides. Alguns deles pertencem ao grupo dos asteroides carbonáceos, que contêm gelo de água e compostos ricos em carbono. Esses materiais poderiam ser processados para produzir propelente para foguetes diretamente no espaço.
Isso reduziria significativamente a quantidade de combustível que precisaria ser transportada da Terra, tornando futuras operações de mineração e abastecimento muito mais eficientes.
A equipe incorporou essa possibilidade aos modelos utilizados para calcular a viabilidade das missões, indicando que a produção de combustível no espaço pode tornar esse sistema de logística ainda mais eficiente.
Os autores ressaltam que a mineração de asteroides ainda está longe de se tornar realidade. Atualmente, não existe nenhuma operação desse tipo em funcionamento.
Mesmo assim, o trabalho demonstra que uma cadeia de suprimentos baseada em recursos espaciais pode ser tecnicamente possível. Em vez de depender exclusivamente de lançamentos terrestres, futuras missões poderiam extrair metais e produzir combustível em asteroides para abastecer uma colônia em Marte.
Embora a mineração espacial ainda esteja distante da prática, o estudo sugere que os asteroides podem deixar de ser apenas objetos de pesquisa para se tornar uma das principais fontes de matéria-prima e combustível para a exploração humana do Sistema Solar.