Ciência

Maior câmera do mundo registra mais de 500 mil galáxias em imagem inédita

Registro de 3,2 gigapixels do Observatório Vera Rubin revela detalhes do campo COSMOS e abre nova era na observação do Universo

Galáxias: imagem do Observatório Vera Rubin reúne mais de 500 mil galáxias no campo COSMOS (Observatório Vera C. Rubin da NSF–DOE/NOIRLab/SLAC/AURA)

Galáxias: imagem do Observatório Vera Rubin reúne mais de 500 mil galáxias no campo COSMOS (Observatório Vera C. Rubin da NSF–DOE/NOIRLab/SLAC/AURA)

Publicado em 7 de agosto de 2026 às 09h44.

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O Observatório Vera C. Rubin divulgou uma das imagens mais detalhadas já obtidas do Universo profundo. Produzido com a câmera LSST, de 3,2 gigapixels — considerada a maior câmera digital do mundo —, o registro reúne mais de 500 mil galáxias e cerca de 50 mil estrelas da Via Láctea em uma única composição.

De acordo com o comunicado do NSF NOIRLab, a imagem integra a segunda Prévia de Dados Antecipada do observatório e representa uma demonstração da capacidade do projeto, que deverá mapear o céu durante os próximos dez anos.

O alvo escolhido foi o campo COSMOS, uma região amplamente estudada por astrônomos por permitir observações extremamente profundas do Universo.

Campo COSMOS funciona como uma janela para o Universo

Localizado na constelação de Sextans, o campo COSMOS é considerado uma das áreas mais importantes para pesquisas astronômicas.

Como há pouca poeira e estrelas da Via Láctea nessa direção, os telescópios conseguem captar a luz de galáxias extremamente distantes. Isso significa que cada observação também registra diferentes momentos da história do Universo, já que o brilho desses objetos levou bilhões de anos para chegar até a Terra.

Na nova imagem, é possível identificar galáxias espirais semelhantes à Via Láctea, galáxias elípticas, sistemas em processo de fusão e objetos extremamente tênues, cuja luz começou a viajar quando o Universo era muito mais jovem.

Câmera de 3,2 gigapixels combina centenas de imagens

O resultado foi obtido por meio da combinação de centenas de registros individuais feitos pela câmera LSST, instalada no Telescópio de Pesquisa Simonyi. Com 8,4 metros de diâmetro, o equipamento foi projetado para registrar grandes áreas do céu sem perder resolução.

Segundo a instituição, a câmera consegue produzir imagens capazes de mostrar detalhes de centenas de milhares de galáxias em uma única observação.

Para Phil Marshall, diretor-adjunto do Observatório Vera Rubin, o campo COSMOS desempenha um papel importante no projeto porque servirá como referência para validar os dados científicos produzidos pelo levantamento.

Veja as imagens:

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Levantamento acompanhará mudanças no céu ao longo dos anos

O trabalho do Observatório Vera Rubin não se limita à produção de imagens profundas. Ao longo da próxima década, o telescópio voltará repetidamente às mesmas regiões do céu para acompanhar fenômenos que mudam com o tempo, como supernovas, estrelas variáveis e outros eventos transitórios.

Na avaliação de Bob Blum, diretor do observatório, esse acompanhamento contínuo permitirá identificar um grande número de objetos de interesse científico, ampliando as oportunidades de novas descobertas.

Região já foi observada por grandes telescópios espaciais

O campo COSMOS é estudado há mais de 20 anos e já foi observado por alguns dos principais instrumentos da astronomia moderna.

Desde as primeiras imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble, em 2003, a região também passou a ser investigada pelo Telescópio Espacial James Webb, pelo Observatório de Raios X Chandra e pelo Telescópio Espacial Spitzer.

Cada um desses observatórios analisa diferentes comprimentos de onda, permitindo aos pesquisadores reunir informações complementares sobre o nascimento de estrelas, a formação das galáxias e a evolução do Universo ao longo de bilhões de anos.

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