Ebola: surto atual na África Central é considerado emergência para a OMS (GLODY MURHABAZI/AFP)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 1 de junho de 2026 às 11h39.
Um brasileiro com caso suspeito de Ebola que estava em investigação em São Paulo desde o último sábado, 30, teve o diagnóstico descartado nesta segunda-feira, 1º, de acordo com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.
O paciente internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas é um homem de 37 anos com histórico de viagem recente à República Democrática do Congo (RDC), país que atualmente vive uma alta nos casos da doença.
Com sintomas semelhantes aos causados pelo vírus, o resultado negativo para a doença foi dado após sequenciamento genético realizado pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL) ao longo do fim de semana. O diagnóstico confirmado é meningite meningocócica, identificada por exame de sangue PCR.
No domingo, 31, um caso suspeito investigado no Rio de Janeiro também foi descartado. Tratava-se também de um quadro de meningite. O caso carioca envolvia um homem belga vindo de Uganda que havia testado positivo para malária no Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz, segundo a BBC.
O paciente paulista foi incluído no protocolo de vigilância para Ebola por preencher dois critérios: viagem recente à RDC e manifestação de febre ao retornar ao Brasil.
Ele foi internado em isolamento no Emílio Ribas, unidade estadual de referência para casos suspeitos ou confirmados, seguindo os protocolos de biossegurança estabelecidos.
Em São Paulo, casos suspeitos devem ser comunicados imediatamente à vigilância epidemiológica municipal e ao Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP). O IAL é o laboratório responsável pela investigação e pelo diagnóstico diferencial, de acordo com a Agência Brasil.
A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo atualizou na semana passada um documento com orientações sobre o surto em curso na RDC, fixando "medidas de vigilância, definição de caso, notificação imediata, isolamento, manejo inicial, fluxos assistenciais e investigação laboratorial no estado."
A Secretaria de Saúde de São Paulo reiterou que o risco de introdução do Ebola no Brasil e na América do Sul "permanece muito baixo", levando em conta a dificuldade de transmissão do vírus e a inexistência de voos diretos entre a região afetada e a América do Sul.
A transmissão exige contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou tecidos de pessoas sintomáticas infectadas.
Nesta semana, o Ministério da Saúde ativou o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais.
O documento prevê vigilância intensificada sobre viajantes vindos de países como a RDC, isolamento de casos suspeitos e monitoramento de contatos, mas não o fechamento de fronteiras nem restrições a viagens ou ao comércio.
A OMS declarou o surto de Ebola na RDC há duas semanas. Até 27 de maio, o país acumulava 906 casos suspeitos e 223 mortes entre eles, com 134 casos confirmados — incluindo nove em Uganda — e 18 óbitos entre os confirmados.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou estar "profundamente preocupado com a escala e a velocidade da epidemia".
O surto atual é considerado especialmente difícil de conter porque envolve a cepa Bundibugyo, variante rara para a qual não há vacina disponível e que mata cerca de um terço dos infectados. As vacinas e tratamentos existentes foram desenvolvidos para a cepa Zaire e não têm eficácia comprovada para esta variante.
O primeiro caso conhecido foi o de uma enfermeira que desenvolveu sintomas em 24 de abril, em Bunia, capital da província de Ituri, no leste do país, o que indica que o vírus já circulava sem detecção por semanas, segundo a BBC.
O ministro da Saúde congolês, Samuel Roger Kamba, apontou que a rápida disseminação foi agravada pelo número de pessoas expostas ao corpo da enfermeira durante o funeral.
Atrasos na notificação também ocorreram porque comunidades afetadas atribuíam a doença a causas místicas e buscavam tratamento com curandeiros em vez de serviços de saúde.