Ciência

Supervulcão que provocou erupção 'bíblica' volta a receber magma

Estudo no Japão revela que o sistema subterrâneo de Kikai continua ativo e pode ajudar a monitorar futuras erupções gigantes

Supervulcão: pesquisadores identificaram um grande reservatório subterrâneo que voltou a receber magma sob a caldeira Kikai (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Supervulcão: pesquisadores identificaram um grande reservatório subterrâneo que voltou a receber magma sob a caldeira Kikai (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 2 de agosto de 2026 às 10h08.

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Um dos supervulcões mais explosivos da Terra voltou a receber magma em seu sistema subterrâneo, segundo um novo estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Kobe, no Japão.

A descoberta revela que a caldeira Kikai, responsável pela maior erupção conhecida do Holoceno há cerca de 7.300 anos, continua ativa e oferece novas pistas sobre como esses gigantes vulcânicos se reconstroem após eventos catastróficos.

Os resultados, publicados na revista Communications Earth & Environment, não indicam que uma nova erupção seja iminente. No entanto, ajudam os cientistas a entender como grandes reservatórios de magma se formam novamente e podem contribuir para o monitoramento de futuras erupções.

O que os cientistas descobriram?

A equipe identificou um vasto reservatório de magma sob a caldeira Kikai, localizada ao sul do Japão e quase totalmente submersa.

Utilizando levantamentos sísmicos no fundo do oceano, os pesquisadores mapearam a estrutura subterrânea da caldeira e concluíram que o reservatório ocupa o mesmo sistema responsável pela gigantesca erupção ocorrida há cerca de 7.300 anos.

Segundo o geofísico Nobukazu Seama, da Universidade de Kobe, o tamanho e a posição desse reservatório mostram que ele corresponde ao sistema magmático da antiga erupção.

As análises indicam, porém, que esse magma não permaneceu no local desde então. Em vez disso, o reservatório vem sendo abastecido por novas injeções de magma ao longo dos últimos milhares de anos.

O método que revelou o reservatório de magma

Para investigar o interior da caldeira, os cientistas trabalharam em parceria com a Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre (JAMSTEC). A equipe utilizou canhões de ar para gerar ondas sísmicas e instalou sismógrafos no fundo do oceano para registrar como essas ondas se propagavam pelas rochas.

Como diferentes materiais alteram a velocidade e a direção das ondas sísmicas, foi possível reconstruir uma imagem do interior da crosta terrestre e identificar regiões contendo rochas parcialmente fundidas, indicando a presença de magma.

O que isso revela sobre o supervulcão?

Os pesquisadores também analisaram uma cúpula de lava que começou a se formar no centro da caldeira há cerca de 3.900 anos.

Estudos químicos mostraram que esse material possui composição diferente daquela expelida durante a grande erupção do Holoceno. Segundo os autores, essa diferença indica que o reservatório passou a receber magma novo, vindo de uma fonte distinta.

A descoberta reforça a hipótese de que grandes caldeiras vulcânicas são gradualmente reconstruídas após erupções gigantes, por meio da reinjeção contínua de magma fresco em seus reservatórios subterrâneos.

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