Brasil

O dilema de Caiado: como disputar votos da direita sem romper com o bolsonarismo

Fabio Zambeli avalia que o candidato do PSD precisará criticar Flávio Bolsonaro para crescer, mas corre o risco de perder espaço entre eleitores bolsonaristas

Caiado: Apesar das dificuldades, o analista avalia que Caiado tende a fazer uma campanha consistente para um público específico da direita moderada. (Marina Ramos/Câmara dos Deputados/Agência Câmara)

Caiado: Apesar das dificuldades, o analista avalia que Caiado tende a fazer uma campanha consistente para um público específico da direita moderada. (Marina Ramos/Câmara dos Deputados/Agência Câmara)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 2 de agosto de 2026 às 08h00.

Priorizar nos meus resultados Google
yt thumbnail

A principal dificuldade da candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) não está na estrutura partidária nem na experiência administrativa, mas na disputa direta pelo mesmo eleitorado de Flávio Bolsonaro (PL). Essa é a avaliação do analista político Fabio Zambeli, feita durante participação no programa Eleições em Pauta, da EXAME.

Segundo o analista, Caiado reúne atributos que justificam uma candidatura presidencial. Ele destaca a força do PSD no Congresso, a presença nacional da legenda, a boa avaliação da gestão do ex-governador de Goiás e sua identificação com setores importantes do agronegócio.

Mesmo assim, Zambeli entende que a candidatura encontra limites políticos bastante objetivos.

Para ele, Caiado ocupa o campo da centro-direita e, por isso, disputa diretamente o espaço político do principal candidato da direita, Flávio Bolsonaro.

"Ele vai precisar disputar espaço político com o candidato mais forte da direita", afirmou Zambeli.

Na avaliação do analista, esse cenário cria um dilema eleitoral. Para crescer nas pesquisas e tentar chegar ao segundo turno, Caiado precisa convencer o eleitor de que representa uma alternativa superior ao candidato do PL. Isso exige críticas ao adversário.

O problema, segundo Zambeli, é que esse movimento costuma provocar forte reação entre os apoiadores mais fiéis do bolsonarismo.

O analista afirma que esse fenômeno já ocorreu com outras lideranças da direita que confrontaram Jair Bolsonaro ou integrantes de sua família. Segundo ele, o monitoramento das redes sociais já mostrava, após a convenção do PSD, críticas de apoiadores bolsonaristas ao ex-governador.

Durante o evento, Caiado chamou Flávio Bolsonaro de "Kinder Ovo" e concentrou sua campanha na segurança pública, tema que apresentou como principal bandeira.

Espaço existe, mas pode não ser suficiente

Para Zambeli, existe um eleitorado de direita moderada disposto a buscar uma alternativa à polarização. No entanto, esse contingente, sozinho, dificilmente seria suficiente para levar Caiado ao segundo turno.

Na avaliação do analista, o candidato do PSD poderá crescer durante a campanha, especialmente entre eleitores de centro-direita, mas enfrentará dificuldades para romper a barreira representada pelo eleitorado bolsonarista mais fiel.

Segundo Zambeli, a expectativa da campanha é ocupar esse espaço moderado e estar preparada para receber votos caso a candidatura de Flávio Bolsonaro enfrente uma deterioração significativa ao longo da disputa.

Apesar das dificuldades, Zambeli avalia que Caiado tende a fazer uma campanha consistente para um público específico da direita moderada. O desafio, segundo ele, será transformar esse espaço político em votos suficientes para romper a polarização entre Lula e o bolsonarismo.

Acompanhe tudo sobre:Eleições 2026Pesquisas eleitorais

Mais de Brasil

Flávio Bolsonaro diz que vai ao debate da TV Globo mesmo se Lula não for

Lula amplia agenda de campanha em quatro estados e avalia ir ao debate da TV Globo

Dino anula decisão de Mendonça e libera posts sobre Nossa Senhora Aparecida permanecer padroeira

Com fim das bets, governo prepara socorro de R$ 20 bilhões para clubes de futebol