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Uganda fecha temporariamente sua fronteira com o Congo diante do surto de ebola

Medida entrou em vigor imediatamente, segundo comunicado divulgado pelo Ministério da Saúde do país

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 27 de maio de 2026 às 17h15.

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O governo de Uganda anunciou nesta quarta-feira o fechamento temporário da fronteira com a República Democrática do Congo após o avanço do surto de ebola registrado no leste congolês e a confirmação de casos em território ugandense. A medida entrou em vigor imediatamente, segundo comunicado divulgado pelo Ministério da Saúde do país.

De acordo com as autoridades ugandenses, a decisão foi tomada diante da “contínua escalada” da epidemia e do risco associado à circulação de pessoas entre os dois países. O governo informou que as restrições buscam reduzir a possibilidade de propagação da doença em Uganda.

As exceções ao bloqueio incluem equipes autorizadas de resposta ao ebola, operações humanitárias, transporte de alimentos e mercadorias e agentes de segurança. Todos os grupos autorizados precisarão cumprir protocolos sanitários específicos nos pontos de entrada.

Os viajantes autorizados deverão passar por monitoramento contínuo, controle de temperatura e preenchimento de formulários de localização. O Ministério da Saúde também determinou que pessoas vindas da República Democrática do Congo cumpram isolamento obrigatório de 21 dias sob supervisão das equipes sanitárias locais.

As autoridades mantiveram o funcionamento das escolas nos distritos de fronteira, mas orientaram que estudantes que retornaram recentemente do território congolês sejam identificados e monitorados diariamente durante o período de observação.

O governo ugandense também determinou que distritos próximos à fronteira reservem ao menos uma unidade de saúde para acompanhamento de estudantes com sintomas como febre enquanto aguardam avaliação médica.

Outra medida anunciada envolve os meios de comunicação do país. O Ministério da Saúde orientou emissoras e veículos locais a dedicarem pelo menos 30 minutos diários da programação em horário nobre para campanhas de conscientização sobre prevenção, identificação e notificação de casos de ebola.

OMS registra mais de 200 mortes suspeitas ligadas ao surto

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que a epidemia já contabiliza ao menos 223 mortes suspeitas e 906 casos suspeitos na República Democrática do Congo. Os números foram atualizados até 24 de maio.

Em Uganda, os casos confirmados passaram de dois para sete, todos registrados na capital Kampala. O número de mortes confirmadas segue em uma, relacionada a um cidadão congolês classificado como caso importado.

Segundo a OMS, a atual epidemia envolve a cepa Bundibugyo do ebola, para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos aprovados. A taxa de letalidade dessa variante varia entre 30% e 50%.

A organização estima que o vírus começou a circular na província de Ituri cerca de dois meses antes da declaração oficial do surto, em 15 de maio. Em 17 de maio, a OMS classificou a situação como “emergência de saúde pública de importância internacional”.

Na última sexta-feira, a entidade elevou o nível de risco do surto na República Democrática do Congo e em Uganda de “alto” para “muito alto”. O risco permanece considerado “alto” na África Subsaariana e “baixo” em escala global.

Dez países africanos foram classificados como áreas de alto risco por compartilharem fronteiras com Uganda e a República Democrática do Congo. Este é o 17º surto de ebola registrado em território congolês desde a identificação inicial do vírus, em 1976.

O ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e pode provocar febre hemorrágica, vômitos, diarreia e hemorragias internas.

*Com mais informações da Agência EFE. 

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