Redação do Enem: exame exige um texto dissertativo-argumentativo em prosa, que pode ter até 30 linhas (Angelo Miguel/MEC)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 18 de setembro de 2026 às 11h42.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou nesta sexta-feira, 18, a Cartilha do Participante da Redação do Enem 2026, documento que reúne as regras da prova, os critérios de correção e exemplos comentados de redações.
O exame exige um texto dissertativo-argumentativo em prosa, que pode ter até 30 linhas. A redação vale até 1.000 pontos. Cada uma das cinco competências recebe de 0 a 200 pontos, e a correção é feita por, no mínimo, dois avaliadores independentes.
A cartilha orienta o candidato a ler atentamente a proposta, os textos motivadores e as instruções, identificar o recorte temático e definir o ponto de vista que será defendido.
Ela também recomenda planejar a organização dos argumentos, evitar informações soltas ou repetidas e usar mecanismos de coesão que estabeleçam relações lógicas entre as partes do texto.
O Enem 2026 será aplicado nos dias 8 e 15 de novembro, segundo o cronograma oficial.
Segundo o Inep, a prova pode receber nota zero em situações como:
A fuga ao tema ocorre quando o candidato não desenvolve nem o assunto mais amplo nem o recorte específico da proposta. Nesse caso, o texto não é avaliado nas demais competências.
Já o tangenciamento acontece quando o candidato aborda apenas parcialmente o tema. A situação não anula toda a redação, mas limita a pontuação das Competências II, III e V a 40 pontos cada.
| Competência | Critério | Valor |
|---|---|---|
| I | Domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, incluindo aspectos gramaticais, ortográficos, sintáticos e de escolha vocabular. | 200 pontos |
| II | Compreensão da proposta, desenvolvimento do tema e uso de repertório sociocultural relacionado à discussão. | 200 pontos |
| III | Seleção, relação, organização e interpretação de informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. | 200 pontos |
| IV | Uso de mecanismos linguísticos responsáveis pela coesão e pelo encadeamento das ideias. | 200 pontos |
| V | Elaboração de uma proposta de intervenção relacionada ao problema discutido e que respeite os direitos humanos. | 200 pontos |
Um dos principais alertas da cartilha de 2026 é sobre o chamado “repertório de bolso”. O Inep usa a expressão para descrever referências prontas, memorizadas e aplicadas de maneira genérica, sem relação consistente com o tema.
“É como se fosse um repertório ‘guardado no bolso’ para ser usado com qualquer tema, mesmo que não seja totalmente adequado ou pertinente”, afirma o documento.
O problema está na forma como a referência é utilizada. Para o Inep, o repertório deve ser:
A cartilha apresenta como exemplo uma redação sobre o tema do Enem 2025 que cita Aristóteles e a ideia de que “o homem é um animal político”. Segundo o Inep, a referência é ampla, mas tem baixa pertinência porque não é desenvolvida para explicar aspectos específicos do envelhecimento na sociedade brasileira.
A orientação é priorizar referências que realmente contribuam para ampliar, justificar ou aprofundar a argumentação, em vez de inserir citações apenas para demonstrar conhecimento.
Na Competência V, não basta apontar que existe um problema. A cartilha diferencia uma proposta de intervenção de uma simples constatação.
A solução deve indicar uma ação voltada ao enfrentamento da questão discutida, além de apresentar o agente responsável, o meio de execução e o efeito ou finalidade. O candidato também deve incluir algum detalhamento.
A proposta precisa ainda respeitar os direitos humanos. O Inep afirma que recebem 0 ponto na Competência V propostas que defendam, por exemplo, tortura, mutilação, execução sumária, “justiça com as próprias mãos”, incitação à violência ou discurso de ódio contra grupos sociais específicos.