Lula e Flávio: agregador mostra que distância entre os dois segue em queda (Ricardo Stuckert/PR/Agência Senado/Montagem/Flickr)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 18 de setembro de 2026 às 10h46.
Última atualização em 20 de setembro de 2026 às 10h11.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 38,91% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 33,5%, segundo a nova rodada do Monitor Eleitoral, agregador de pesquisas eleitorais da Inteligov em parceria com a EXAME, divulgado nesta sexta-feira, 18.
A vantagem do atual chefe do executivo caiu pela terceira rodada consecutiva. Em agosto, a diferença era de 6,67 pontos percentuais, passou para 6,26 pontos e chegou a 5,41 pontos no levantamento desta semana.
Em relação ao levantamento anterior, realizado em 3 de setembro, o petista caiu 0,73 ponto percentual, enquanto o senador do PL teve variação positiva de 0,12 ponto.
A tendência negativa de intenções de votos de Lula aumentou de -0,07 ponto para -0,18 ponto. Já o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve tendência positiva de 0,15 ponto percentual.
O dado mais recente também mostrou a alta do escritor Augusto Cury (Avante), que saltou de 1,76% para 4,43%.
Veja os detalhes do Agregador aqui.
Para Leandro Terra Adriano, doutor em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e responsável técnico pelo agregador, o principal movimento captado é tendência positiva de Flávio.
“O movimento é lento, consistente e vem sobretudo de Flávio”, afirma Adriano ao avaliar a redução da distância entre o senador e Lula no primeiro turno.
Para Adriano, três fatores ajudam a contextualizar a fotografia atual da disputa. O primeiro é a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que rejeitou, por unanimidade, o registro de candidatura de Pablo Marçal. Dados do Datafolha indicam que a retirada de Marçal altera o desempenho de Flávio nos cenários testados pelo instituto.
O segundo envolve acontecimentos recentes que ainda não aparecem como impacto direto nas intenções de voto, como a investigação da Polícia Federal sobre o financiamento do filme Dark Horse e a retirada do sigilo do caso Master, em meio ao aumento das tensões envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Adriano, efeitos políticos desse tipo podem aparecer com defasagem nas pesquisas.
O terceiro ponto é o calendário de exposição dos candidatos. O debate previsto para 14 de setembro foi cancelado após Lula e Flávio não confirmarem presença, enquanto Romeu Zema perdeu espaço após ficar fora do debate da Band e ter menor exposição na televisão.
Adriano destaca ainda que a alta de Cury, observada nas últimas semanas, apresenta sinais de volatilidade. Segundo ele, o crescimento do candidato ocorreu após um salto de visibilidade nas redes sociais, mas a trajetória posterior mostra desaceleração nas pesquisas.
“A tendência do nosso modelo é uma reta ajustada sobre um salto, por isso ele ainda projeta Cury em alta, perto de 7%, leitura que eu trataria com reserva”, diz o responsável técnico pelo agregador.O especialista destaca que a Quaest registrou Cury em 10% entre 30 de agosto e 1º de setembro, mas o índice caiu para 8% entre 3 e 6 de setembro e para 7% entre 10 e 13 de setembro. O Datafolha, por sua vez, apontou 6% entre 8 e 10 de setembro. Para Adriano, embora as variações estejam dentro da margem de erro, o conjunto dos levantamentos indica uma direção de queda.
Segundo Adriano, o desempenho de Cury aparece principalmente entre jovens e eleitores independentes, sem produzir até o momento uma redução proporcional no desempenho de Flávio Bolsonaro
. O movimento reforça a hipótese de que parte desse eleitorado ainda passa por uma fase de definição antes de retornar ou não aos candidatos mais competitivos.
Na avaliação do responsável técnico pelo agregador, a reta final dependerá da capacidade dos candidatos de consolidar os eleitores que migraram temporariamente para nomes alternativos.
Fica a pergunta para as duas semanas finais: a polarização está reabsorvendo o eleitor que experimentou Cury, ou apenas o deixando em suspenso?”, afirma.
Os novos dados do agregador apresentam uma consolidação de dados de todas as pesquisas eleitorais disponíveis até as 8h de 16 de setembro de 2026. Esta iteração fundamenta-se em 49 novas pesquisas cadastradas no sistema PesqEle (TSE), somando-se às 470 da iteração anterior.
O Monitor Eleitoral não utiliza uma média aritmética simples das pesquisas. O modelo calcula uma Média Móvel Ponderada, método que atribui pesos diferentes aos levantamentos conforme critérios como metodologia utilizada e data de realização.
Pesquisas presenciais domiciliares recebem peso integral no modelo, enquanto levantamentos feitos por IVR, sistema automatizado de entrevistas por telefone, e pela internet têm redução de 30% a 45% em sua influência estatística.
A metodologia também considera a atualização dos dados. O peso de uma pesquisa é reduzido em 25% a cada quinzena após sua realização. Assim, levantamentos antigos permanecem no histórico, mas influenciam menos a média conforme novas pesquisas entram na base.
O objetivo do modelo é combinar o retrato mais recente da disputa com a trajetória acumulada desde março, quando o agregador iniciou sua série histórica.
A cada rodada, novas pesquisas registradas no TSE são incorporadas ao cálculo. A base utilizada considera os levantamentos disponíveis no PesqEle, sistema de registro de pesquisas eleitorais da Justiça Eleitoral.