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Esqueça os drinques de sempre: as novas apostas dos bares brasileiros

A coquetelaria abandona a ideia de potência alcoólica como sinônimo de sofisticação e aposta em frescor, equilíbrio e ingredientes brasileiros

Alex Sepulchro: “Acredito que a próxima temporada vai caminhar para drinques frescos e frutados, com mais identidade" (Bruno Geraldi/Divulgação)

Alex Sepulchro: “Acredito que a próxima temporada vai caminhar para drinques frescos e frutados, com mais identidade" (Bruno Geraldi/Divulgação)

Júlia Storch
Júlia Storch

Repórter de Casual

Publicado em 18 de setembro de 2026 às 11h41.

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Com a chegada da primavera, a coquetelaria acompanha a mudança de estação e renova suas cartas em busca de drinques mais leves, refrescantes e frutados. O movimento acontece sem abrir mão da técnica e da criatividade. Para os próximos meses, os ingredientes brasileiros e os sabores regionais prometem protagonismo no copo, enquanto as opções de baixo teor alcoólico e as versões sem álcool conquistam de vez a preferência do público.

Essa transformação no hábito de consumo é sentida logo no SubAstor, bar subterrâneo com conceito inspirado nos speakeasies. Para o bartender Alex Sepulchro, a estação pede receitas fáceis de beber, mas com personalidade marcante. “Acredito que a próxima temporada vai caminhar para drinques frescos e frutados, com mais identidade. Vejo uma valorização ainda maior dos produtos locais e brasileiros, explorando frutas e sabores regionais de maneira mais criativa”, diz.

Sepulchro ressalta ainda que a busca por novas formas de consumo deve impulsionar as opções de menor graduação e os coquetéis sem álcool, além da linha de Spritz, que segue como uma das grandes tendências devido à sua versatilidade.

Seguindo esse movimento em busca de frescor, Gabriela Fernandes, do bar Oculto, vê a temporada como uma transição natural para perfis mais equilibrados no copo. “A primavera é um clima pré-verão, então acredito que já dá para arriscar em coquetéis mais frescos. Aposto em opções como Hugo Spritz, Basil Smash, French 75, Macunaíma e coquetéis autorais nessa linha levemente fresca, doce e cítrica”, diz.

Ao mesmo tempo, a sofisticação se manifesta na releitura de receitas consagradas e na ressignificação de destilados intensos. Na casa que une música e coquetelaria, o Café Hotel, o sócio Caio Tucunduva aposta no resgate de um ícone latino. “A grande tendência serão as Margaritas preparadas com insumos premium. É uma forma de revisitar um clássico da coquetelaria, explorando ingredientes de alta qualidade e novas combinações sem deixar de lado o frescor característico do drinque.”

No descontraído Guilhotina, a bartender Estella Moraes destaca que o diálogo no balcão orienta essas escolhas. “Nós costumamos entender o que o cliente gosta para assim conseguir guiá-lo e sugerir algo que torne a noite dele especial. Acredito que a nova tendência seja novas formas de beber Scotch Whisky, highballs e misturas mais leves, tirando a imagem de que o uísque é uma bebida forte que só se toma pura”, explica.

Outro pilar da estação é a consolidação do hábito do aperitivo. Focado na produção própria de vermutes e drinques aperitivos, o Trinca Bar & Vermuteria traz a visão de Ale Bussab, que defende que a estação convida a prestar atenção aos detalhes. Para ele, a potência alcoólica deixa de ser o centro das atenções para dar espaço à construção de aromas, texturas, amargor e frescor. É o cenário ideal para a valorização de vermutes, amaro e bitters, que permitem criar coquetéis complexos e muito refrescantes.

Alê D'Agostino: aposta no clássico Dry Martini (Karim Rojas/Divulgação)

Nesse contexto, a grande aposta de Bussab é o Vermute Spritz, preparado com a combinação de vermute rosso, espumante, uma fatia de laranja e azeitona. Trata-se de uma bebida leve, levemente amarga e aromática, que funciona como um aperitivo para preparar o paladar. O bartender sintetiza essa mudança, lembrando que o setor passa a olhar menos para a graduação alcoólica e mais para as camadas do drinque, resultando em “mais sabor, menos álcool e muito mais espaço para beber com prazer, curiosidade e apetite”.

Fechando o panorama de tendências, Ale D’Agostino traz a visão do bar intimista Coda, apontando para uma temporada guiada pela efervescência, pelo perfil levemente amargo e pela harmonização com pratos e petiscos. Sua grande aposta continua sendo o clássico Dry Martini, que agora ganha a companhia de itens refinados, como batatas fritas com caviar e seleções de azeitonas.

D’Agostino também destaca a força do Limoncello Spritz e de versões carbonatadas de clássicos nacionais, a exemplo do Caju Amigo gaseificado com um toque de vermute para entregar um perfil mais seco. Para ele, a ascensão do menu sem álcool consolida essa nova fase da coquetelaria, reafirmando o compromisso dos bares em oferecer opções técnicas e inclusivas para todos os públicos.

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