Eleições 2026: Pesquisas medirão decisão do eleitorado brasileiro
Colaboradora
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 09h52.
A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 5, indica uma recuperação do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial de 2026. Nesta edição, o candidato oscilou positivamente dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais do levantamento nos principais indicadores.
O estudo mostra o avanço do pré-candidato tanto no primeiro quanto no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de melhora nos índices de potencial de voto, rejeição e convicção do eleitor.
No cenário estimulado de primeiro turno, Flávio passou de 28% para 30% das intenções de voto, enquanto Lula oscilou de 40% para 39%.
Na simulação de segundo turno, Flávio avançou de 37% para 39%, enquanto Lula recuou de 45% para 44%. Com isso, a vantagem do petista diminuiu de oito para cinco pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.
Além da melhora nas intenções de voto, Flávio Bolsonaro apresentou evolução em outros indicadores medidos pela pesquisa.
Seu potencial de voto aumentou de 38% para 41%, enquanto a rejeição caiu de 57% para 54%. Também cresceu o percentual de eleitores que afirmam ter voto definitivo no senador, passando de 62% para 68%.
Segundo Felipe Nunes, CEO da Quaest, a melhora decorre principalmente de uma reorganização do eleitorado de direita e da redução do impacto político de fatores que vinham favorecendo Lula.
Na análise divulgada nas redes sociais, Nunes afirma que o eleitorado antipetista voltou a convergir em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Segundo ele, no segundo turno o senador ampliou seu apoio entre eleitores de direita que não se identificam como bolsonaristas, passando de 74% para 81%. Entre os bolsonaristas, o índice subiu de 91% para 95%.
Para o professor, esse movimento de reunificação da direita foi impulsionado por dois acontecimentos recentes.
Um deles foi a reconciliação pública entre Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. De acordo com a pesquisa, 59% dos entrevistados avaliaram positivamente a retomada da relação. Entre eleitores da direita não bolsonarista, esse percentual chega a 88%, enquanto entre bolsonaristas alcança 90%.
O levantamento também mostra aumento na percepção sobre a importância eleitoral da ex-primeira-dama. Hoje, 46% afirmam que o apoio de Michelle aumenta as chances de vitória de Flávio, ante 38% registrados em julho. Entre bolsonaristas, esse índice passou de 45% para 79%; na direita não bolsonarista, de 53% para 70%.
Outro fator apontado por Felipe Nunes foi a repercussão da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro ao ex-presidente Jair Bolsonaro após a divulgação de uma carta escrita pelo pai nas redes sociais.
Segundo a Quaest, 52% dos entrevistados consideram que a decisão foi equivocada, enquanto 41% a classificam como correta.
A percepção de exagero chega a 83% entre eleitores da direita não bolsonarista, 92% entre bolsonaristas e alcança metade dos eleitores independentes.
Para Nunes, "a reconciliação reduziu a divisão e a restrição judicial reativou a percepção de exagero institucional", fatores que, segundo sua interpretação, explicam melhor a recuperação do candidato do que as recentes declarações de Flávio sobre o sistema eleitoral.
Na avaliação do CEO da Quaest, a recuperação de Flávio também coincide com uma redução do efeito político de programas federais que vinham beneficiando Lula.
A percepção positiva sobre o programa Desenrola caiu de 55% para 47%, enquanto o percentual de entrevistados que afirmam ter sido diretamente beneficiados recuou de 12% para 10%.
Movimento semelhante ocorreu com a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. O percentual de pessoas que afirmam ter sido beneficiadas caiu de 32% para 30%. Entre elas, aumentou a fatia dos que dizem não ter percebido melhora na renda, de 39% para 46%, enquanto aqueles que relataram aumento significativo diminuíram de 24% para 21%.
Para Nunes, os programas continuam sendo bem avaliados, mas seu "efeito marginal", ou seja, o ganho político adicional proporcionado ao longo do tempo, parece estar diminuindo.
Essa leitura, segundo ele, ajuda a explicar por que a aprovação do governo permaneceu praticamente estável, em 48%, enquanto a desaprovação ficou em 47%.
Outro elemento apontado por Felipe Nunes é a mudança na percepção sobre a resposta do governo brasileiro ao novo tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em maio, 39% avaliavam positivamente a reação de Lula e 36% negativamente. Agora, 43% dizem que a resposta foi ruim, contra 38% que a classificam como positiva.
Também diminuiu a vantagem de Lula quando os entrevistados foram questionados sobre quem melhor representa a defesa dos interesses do Brasil diante dos Estados Unidos. Em julho, o petista liderava por 51% a 34%. Agora, a diferença caiu para 46% a 38%.
A pesquisa Genial/Quaest entrevistou 2.004 eleitores presencialmente entre 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06591/2026.