Tecnologia

Apple aumenta preços de Mac, iPad e Vision Pro — e culpa a corrida da IA

Escassez de chips de memória puxada por data centers de inteligência artificial forçou a empresa a repassar custos ao consumidor pela primeira vez

The newly released MacBook Neo is displayed during the "Special Apple Experience" launch event at the Apple Store in the Manhattan borough of New York City, on March 4, 2026. (Photo by TIMOTHY A. CLARY / AFP via Getty Images) (Getty Images)

The newly released MacBook Neo is displayed during the "Special Apple Experience" launch event at the Apple Store in the Manhattan borough of New York City, on March 4, 2026. (Photo by TIMOTHY A. CLARY / AFP via Getty Images) (Getty Images)

Publicado em 25 de junho de 2026 às 10h28.

A Apple aumentou nesta quinta-feira, 25, os preços de praticamente toda a sua linha de Macs, iPads, dispositivos domésticos e do óculos Vision Pro.

O reajuste — global — foi uma resposta direta a um problema que conecta a empresa a toda a indústria de tecnologia: a escassez sem precedentes de chips de memória, provocada pela explosão de demanda dos data centers de inteligência artificial (IA).

"A rápida expansão dos data centers de IA criou uma demanda extraordinária por memória e armazenamento", afirmou um porta-voz da Apple, em comunicado, segundo a Bloomberg. "Nunca vimos um aumento de preço de componentes tão grande e tão rápido."

A empresa disse que vinha "protegendo os clientes desses aumentos até agora", mas que chegou a um ponto em que precisa começar a repassá-los.

Quanto subiu

Os reajustes atingem quase todos os computadores e tablets da marca.

O MacBook Neo, laptop mais recente e mais barato da Apple, subiu de US$ 599 para US$ 699.

O MacBook Air passou de US$ 1.099 para US$ 1.299, e o MacBook Pro de 14 polegadas, de US$ 1.699 para US$ 1.999. No topo da linha, um MacBook Pro de 16 polegadas totalmente configurado chega agora a US$ 9.999.

Os iPads também ficaram mais caros: o iPad Pro de 11 polegadas subiu de US$ 999 para US$ 1.199, e o iPad básico, de US$ 349 para US$ 449. O Vision Pro, óculos de realidade mista da empresa, passou a custar a partir de US$ 3.699, ante US$ 3.499. Até os alto-falantes HomePod e o Apple TV foram reajustados.

Um grupo de produtos, porém, escapou: a Apple não mexeu nos preços de iPhone, Apple Watch e AirPods.

Os valores dos reajustes no Brasil ainda não foram informados.

Por que a IA encareceu o seu computador

A raiz do problema está em uma disputa por capacidade de produção. Os três maiores fabricantes de memória do mundo — Samsung, SK Hynix e Micron — redirecionaram boa parte de suas fábricas para a memória de alta largura de banda (HBM), usada nos servidores de IA, onde as margens de lucro são muito maiores. Isso deixou menos oferta para a memória comum (DRAM) e o armazenamento (NAND) que vão em celulares, tablets e computadores.

O resultado foi uma disparada de preços que o setor já apelidou de "RAMageddon".

Segundo a consultoria TrendForce, o preço da memória DRAM subiu até 98% no primeiro trimestre de 2026 e deve avançar mais 58% a 63% no trimestre atual.

Estima-se que, em 2026, os data centers consumam até 70% de toda a produção mundial de memória — ou seja, de cada dez chips que saem de uma linha de produção, sete vão para servidores de IA.

A mesma crise que enriquece a Micron e a SK Hynix

O que é um problema para a Apple tem sido uma bonança para os fabricantes de memória.

A Micron, que nesta semana fechou US$ 22 bilhões em contratos de fornecimento de longo prazo, reportou faturamento quatro vezes maior e viu sua margem bruta saltar de 39% para 84,9% em um ano — superando a de Nvidia e Meta.

A SK Hynix, que recentemente se tornou a empresa mais valiosa da Coreia do Sul, planeja levantar US$ 29 bilhões em uma listagem na Nasdaq.

Esses fornecedores têm priorizado os pedidos de fabricantes de chips de IA, como a Nvidia, deixando pouca oferta para as empresas de eletrônicos de consumo — que, sem alternativa, repassam a conta ao cliente final.

A Apple não está sozinha: a Microsoft elevou o preço do Surface Pro de 13 polegadas em cerca de 50%, e diversas fabricantes de PCs já reajustaram seus produtos entre 15% e 30% nos últimos trimestres.

Uma crise que deve durar

Os aumentos chegam meses antes de uma transição de comando na Apple: John Ternus, atual chefe de engenharia de hardware, assume como presidente-executivo em 1º de setembro, no lugar de Tim Cook — e herda a crise de memória.

Em entrevista recente ao Wall Street Journal, Cook classificou os aumentos como "inevitáveis" e comparou a escassez a uma "enchente que só acontece a cada cem anos". "Nunca vi nada parecido em nenhuma área em mais de 40 anos", disse o executivo.

A escassez também já afeta a capacidade da Apple de lançar produtos, segundo Cook, atrasando atualizações como a do Mac Studio.

A empresa lança novos smartphones em setembro, incluindo um modelo dobrável cujo preço deve superar os US$ 2.000 — e, embora o iPhone tenha escapado do reajuste desta quinta, a pressão dos custos de memória ainda paira sobre a linha mais importante da companhia.

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