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Nova IA da China supera modelos dos EUA e assusta big techs; entenda

Kimi K3, da startup Moonshot, alcança desempenho de Claude e ChatGPT em avaliações

Kimi K3: nova IA da China surpreende big techs (Divulgação)

Kimi K3: nova IA da China surpreende big techs (Divulgação)

Da Redação
Da Redação

Redação Exame

Publicado em 18 de julho de 2026 às 17h30.

A startup chinesa Moonshot, sediada em Pequim, lançou nesta sexta-feira, 17, um modelo de inteligência artificial que surpreendeu a indústria de tecnologia americana. O Kimi K3 parece alcançar o desempenho das versões mais avançadas do Claude, da Anthropic, e do ChatGPT, da OpenAI, e reforça um movimento de startups chinesas de código aberto que vem inquietando as gigantes de IA da Califórnia.

"Este pode ser o maior lançamento individual do ano", afirmou Anastasios Angelopoulos, cofundador e CEO da Arena, plataforma de avaliação de sistemas de IA. Segundo ele, o momento marca a ascensão de modelos chineses abertos superando modelos americanos fechados.

O Kimi K3 liderou o ranking da Arena na categoria de "capacidade de programação front-end", métrica usada para medir o desempenho de modelos de linguagem. "Mais resultados estão chegando e provavelmente continuarão mostrando que o Kimi K3 está no topo do grupo", disse Angelopoulos em rede social.

O discurso de Xi Jinping

A apresentação do K3 ocorreu pouco antes do discurso de abertura do presidente chinês Xi Jinping na Conferência Mundial Anual de Inteligência Artificial, em Xangai. No evento, Xi defendeu que "o desenvolvimento da inteligência artificial não deve ser uma apresentação solo de nenhum país, mas sim uma sinfonia de cooperação global".

A declaração que ocorre em meio às restrições americanas ao acesso chinês a tecnologias avançadas, um fator que tem impulsionado o desenvolvimento de conhecimento técnico próprio no país e intensificado a rivalidade entre as duas maiores economias do mundo.

Durante o mesmo evento, a Huawei apresentou um novo sistema de computação de IA, o Atlas 950 SuperPoD, sinalizando que a China vem produzindo cada vez mais o hardware necessário para desenvolver tecnologia própria, apesar das restrições americanas à importação de chips de fabricantes como a Nvidia. A Moonshot não revelou qual hardware usou para construir o K3, mas a startup é parceira da Huawei.

Sequência de avanços chineses

O K3 chega um mês depois do lançamento do GLM-5.2, modelo da startup chinesa Zhipu (Z.ai) já amplamente adotado por desenvolvedores de software, que afirmam que a ferramenta entrega desempenho próximo ao dos principais modelos americanos por um preço menor.

O entusiasmo em torno do K3 recorda a reação do mercado ao lançamento da DeepSeek, no início de 2025 — embora nem todos considerem a comparação justa. Para o analista de tecnologia Patrick Moorhead, a resposta ao K3 é uma "reação exagerada surpreendentemente semelhante" à da DeepSeek. Segundo ele, o episódio pode beneficiar alguns segmentos da indústria de IA, mas representa um desafio de receita para Anthropic e OpenAI.

Apesar de ter o preço mais alto já registrado entre modelos chineses de IA, o K3 ainda custa metade do valor cobrado pelo GPT-5.6 Sol, modelo de alto desempenho da OpenAI, segundo relatório divulgado na sexta-feira por analistas do Bank of America.

Acusações de 'destilação' ilícita

Políticos americanos e empresas como Anthropic e OpenAI já acusaram modelos chineses de realizar "destilação" ilícita de tecnologias americanas — uso de IAs dos Estados Unidos para treinar sistemas chineses —, acusação que Pequim classifica como infundada.

Em fevereiro, a Anthropic acusou a DeepSeek, a Moonshot e a MiniMax de tentar "extrair ilegalmente as capacidades do Claude" por meio dessa técnica, que consiste em treinar um modelo menos avançado a partir de informações de um modelo mais poderoso.

Segundo a Anthropic, a destilação pode ser uma prática legítima de treinamento, mas se torna problemática quando concorrentes a usam para adquirir capacidades avançadas em uma fração do tempo e do custo necessários para desenvolvê-las de forma independente.

A via também pode ser inversa: a startup americana Anysphere, criadora da ferramenta de programação Cursor, reconheceu ter baseado um de seus produtos no modelo K2.5, da própria Moonshot. A SpaceX, de Elon Musk, planeja fechar ainda este ano a compra da Cursor por US$ 60 bilhões.

Fundador da Moonshot estudou nos EUA

O cofundador e CEO da Moonshot, Yang Zhilin, concluiu doutorado em 2019 na Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, onde é lembrado por contribuições relevantes em aprendizado de máquina — e pelo gosto por bandas de rock como Pink Floyd.

Seu ex-orientador na instituição, Russ Salakhutdinov, ex-diretor de pesquisa em IA da Apple, celebrou o lançamento: "Que enorme vitória para a comunidade de código aberto! Parece que foi ontem que Zhilin estava se formando no meu laboratório na CMU."

Modelos de código aberto tornam componentes essenciais da tecnologia acessíveis para que qualquer pessoa possa examiná-los, modificá-los e desenvolver novos sistemas a partir deles. Defensores da prática argumentam que ela estimula a inovação, enquanto críticos alertam para riscos de segurança ao tornar modelos poderosos de IA publicamente acessíveis.

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