Tecnologia

Tablet substitui o notebook? Para quem faz sentido trocar em 2026

Vendas de tablets cresceram 29% no Brasil no primeiro quadrimestre de 2025, com metade dos compradores adquirindo o dispositivo pela primeira vez para uso em produtividade e estudo

Tablet para trabalho: modelos com chip de notebook e acessórios profissionais disputam espaço com o computador portátil (Getty Images)

Tablet para trabalho: modelos com chip de notebook e acessórios profissionais disputam espaço com o computador portátil (Getty Images)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 23 de junho de 2026 às 12h31.

Última atualização em 23 de junho de 2026 às 18h54.

Metade das pessoas que compraram um tablet no Brasil entre janeiro e abril de 2025 nunca tinha tido um antes. O dado, levantado pela NielsenIQ a pedido da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), vem junto com uma alta de 29% nas vendas da categoria no período — puxada, segundo a entidade, pela busca por dispositivos voltados a produtividade e estudo.

Uma dúvida que fica por trás dessa alta é se os tablets, de fato, já tomaram o lugar dos notebooks. A resposta depende menos do hardware e mais do tipo de tarefa que o profissional executa no dia a dia.

O que mudou nos tablets para uso profissional?

O salto mais visível está nos processadores. O iPad Pro com chip M5, lançado pela Apple em outubro de 2025, usa a mesma arquitetura dos MacBooks — CPU de até 10 núcleos e GPU de 10 núcleos, além de Neural Engine dedicado a tarefas de inteligência artificial.

No lado Android, o Samsung Galaxy Tab S11 Ultra roda o MediaTek Dimensity 9400 Plus, um chip de 3 nanômetros com desempenho comparável ao de notebooks intermediários.

Mas o hardware sozinho não fazia do tablet uma estação completa, e aí entram as atualizações de 2025. O iPadOS 26, lançado pela Apple no segundo semestre de 2025, trouxe um sistema que redimensiona e reorganiza apps — incluindo os botões de controle de janela herdados do macOS. A Samsung mantém o Modo DeX, que transforma a interface do Galaxy Tab S11 em uma área de trabalho com barra de tarefas e janelas flutuantes, simulando a experiência de um PC com Windows.

Os acessórios também se desenvolveram. O Magic Keyboard da Apple adiciona trackpad e teclas de função ao iPad Pro, enquanto a Samsung passou a incluir a caneta S Pen e a capa-teclado na caixa do Galaxy Tab S11. Em ambos os casos, o tablet deixa de depender da tela sensível ao toque como única forma de interação e ganha entrada por teclado e caneta de precisão.

Para quem o tablet substitui o notebook?

O tablet funciona como dispositivo principal para profissionais cuja rotina combina mobilidade constante com tarefas focadas em anotação e comunicação:

  • Designers e ilustradores usam a tela sensível à pressão e a caneta digital como superfície de criação direta. No iPad Pro, apps como Procreate e DaVinci Resolve rodam com desempenho de desktop;
  • Executivos e gestores comerciais que alternam entre reuniões externas e deslocamentos frequentes encontram no tablet leveza e bateria longa (até 10 horas no iPad Pro M5), além de acesso rápido a e-mails e videoconferências;
  • Profissionais de saúde adotaram tablets em hospitais para preenchimento de prontuários eletrônicos e consulta de exames;
  • Equipes de campo em logística e vendas no varejo usam tablets com leitores de código de barras integrados — como o Zebra ET45, projetado para ambientes industriais — para controle de estoque e registro de entregas.

Quem ainda precisa do notebook?

O notebook segue insubstituível para quem depende de sistemas operacionais de mesa completos. Desenvolvedores de software que rodam ambientes como Docker e compiladores locais não encontram equivalentes funcionais no iPadOS ou no Android.

O mesmo vale para engenheiros que usam softwares pesados de CAD, como AutoCAD e SolidWorks, cujas versões para tablet são limitadas ou inexistentes.

Analistas financeiros que trabalham com macros complexas no Excel também enfrentam barreiras. As versões mobile do Office suportam planilhas e fórmulas básicas, mas macros em VBA e suplementos corporativos não rodam fora do Windows ou do macOS.

Editores de vídeo com fluxos de trabalho baseados em plugins de terceiros e renderização prolongada ainda precisam da potência de um notebook dedicado — embora o iPad Pro M5 já execute edição em 4K com o DaVinci Resolve.

Outra limitação do tablet como substituto integral é a ergonomia para digitação longa. Capas-teclado são mais finas e menos estáveis em superfícies irregulares do que o teclado de um notebook convencional. Para profissionais que escrevem textos extensos,  pode ser um bom complemento, mas tende a ser insuficiente como máquina única.

Quais tablets se destacam para trabalho em 2026?

Os modelos mais indicados para produtividade se dividem em faixas que refletem tanto o nível de desempenho quanto o tipo de tarefa.

Apple iPad Pro 13" (M5)

É o tablet com desempenho mais próximo de um notebook. O chip M5 roda apps profissionais como DaVinci Resolve e Octane X sem engasgos. A tela OLED Ultra Retina XDR de 13 polegadas atinge 1.600 nits de brilho em HDR e oferece fidelidade de cor no padrão P3 — requisito para designers e coloristas.

O iPadOS 26 com sistema de janelas redesenhado transformou a experiência de multitarefa. Compatível com Magic Keyboard (vendido à parte) e Apple Pencil Pro. Na Apple Store Brasil, o modelo de 11 polegadas parte de R$ 12.499; o de 13 polegadas ultrapassa R$ 16.000.

Samsung Galaxy Tab S11 Ultra

Tela Dynamic AMOLED 2X de 14,6 polegadas, a maior entre os tablets de produtividade, com resolução de 2960 x 1848 pixels e taxa de 120 Hz. O Modo DeX permite operar o tablet como um desktop com janelas flutuantes e barra de tarefas, simulando a experiência de um PC.

A S Pen e a capa-teclado vêm incluídas na caixa. Processador MediaTek Dimensity 9400 Plus, 12 GB de RAM e 512 GB de armazenamento. Preço sugerido de R$ 9.999 pela Samsung; encontrado a partir de R$ 7.199 em varejistas.

Samsung Galaxy Tab S10 FE

Posicionado como porta de entrada da linha profissional da Samsung, traz tela de 10,9 polegadas, 8 GB de RAM, S Pen inclusa e certificação IP68. O Modo DeX está disponível, e o tablet recebe sete anos de atualizações de sistema. Preço de lançamento de R$ 4.199, com valores entre R$ 2.100 e R$ 2.900 em junho de 2026.

Apple iPad Air 13" (M3)

Alternativa ao iPad Pro para quem busca desempenho de chip Apple sem o custo do modelo topo de linha. O M3 mantém compatibilidade com os teclados profissionais da Apple e suporte a monitor externo via Stage Manager, a partir de R$ 8.000 no mercado brasileiro.

Lenovo IdeaTab Pro 13"

Voltado a frotas corporativas e profissionais que priorizam custo por desempenho, o modelo traz 12 GB de RAM e tela de resolução 2.5K, com um modo de produtividade que organiza apps em janelas.

Em alguns kits, caneta e capa-teclado vêm incluídas. Os preços variam conforme o canal de venda e o volume da compra, com valores a partir de R$ 3.500 em varejistas.

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