Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 06h00.
Última atualização em 27 de fevereiro de 2026 às 09h40.
Leonardo Linhares, sócio e gestor de ações da SPX: a gestora levou a medalha de ouro do ranking geral por ter sido a primeira colocada em três categorias da premiação (Leandro Fonseca /Exame)
Tomar decisões de investimentos em uma economia que roda com juros de 15% ao ano é um trabalho cirúrgico, que exige olhar aguçado. Afinal, um simples título público já entrega rentabilidade de dois dígitos praticamente livre de risco. Mas o momento também é de oportunidade para o gestor fazer valer a confiança do investidor que deixa uma parte valiosa do patrimômio sob seus cuidados.
Maximizar retornos nesse tipo de contexto é, na maioria das vezes, olhar para onde ninguém está olhando e encontrar oportunidades nos lugares mais improváveis. Foi assim com a SPX Capital, que conseguiu surfar em um inesperado rali no mercado acionário brasileiro no ano passado e se consagrou como vencedora da categoria Asset do Ano do Prêmio Melhores do Mercado de 2026.
O mais tradicional ranking de investimentos do país foi elaborado pelo BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), partindo de uma metodologia definida pela EXAME, com a ajuda de especialistas em investimentos.
Nas próximas páginas, as assets que ficaram em primeiro lugar em cada uma das dez categorias do ranking explicam o que fizeram para chegar a uma estratégia vencedora.
Confira ainda uma entrevista especial com o fundador da SPX, Daniel Schneider, e o sócio e gestor de ações da casa, Leonardo Linhares. A gestora levou a medalha de ouro do ranking geral por ter sido a primeira colocada em três categorias da premiação.
RENDA FIXA | Crédito Privado
Fundos de crédito privado aplicam, principalmente, em títulos de dívida emitidos por empresas, como debêntures, CRIs e CRAs
O Supra reduz alavancagem em crédito privado, aposta em isentos após mudança tributária e busca retorno no exterior mesmo com custo cambial mais alto
“A filosofia do Supra é essencialmente top-down. O ponto de partida não é a empresa isolada, mas o cenário macro. O ano de 2025 exigiu adaptação. O ambiente já não permitia uma estratégia de alavancagem em crédito privado e praticamente zeramos essa abordagem, priorizando preservação de risco. Em instrumentos isentos hedgeados, com mudanças tributárias no início de 2025, antecipamos a criação de um fechamento relevante de spreads. Elevamos a exposição de forma significativa e a mantivemos ao longo do ano, capturando o movimento. No crédito estruturado, giramos a carteira para operações mais robustas, com melhores garantias e prêmios. No offshore, capturamos oportunidades ligadas a desdobramentos geopolíticos e à reorganização das cadeias comerciais globais. Custos de hedge cambial reduziram parte do ganho quando convertido para reais, mas a estratégia internacional contribuiu de forma importante.”
Laurence Mello, CIO da AZ Quest e gestor responsável de Crédito Privado
Os melhores da categoria
1° AZ Quest Supra
2° Icatu Vanguarda Credit Plus
3° Absolute Olimpia
4° Bradesco Ultra
5° Polo Crédito Corporativo
RENDA FIXA | Isento Inflação
Fundos que concentram aplicações em debêntures incentivadas indexadas à inflação, proporcionando retorno real acima do IPCA também com isenção de Imposto de Renda
Com recorde de debêntures incentivadas e debate sobre taxação, fundo ajustou a carteira aos juros e superou títulos atrelados à inflação
“Em 2025, enfrentamos um mercado instável, com mudanças regulatórias, volume recorde de debêntures incentivadas e debate sobre taxação de ativos antes isentos. Adotamos uma gestão cuidadosa da carteira ao longo dos diferentes prazos de juros, avaliando sempre o ganho real dos títulos — já considerando o benefício fiscal — em relação ao prazo médio dos investimentos. Essa estratégia nos permitiu obter um desempenho superior ao principal índice que acompanha os títulos públicos atrelados à inflação. Optamos por não aproveitar oportunidades de alocação que, em nossa avaliação, não apresentavam spreads adequados à remuneração do risco e prazo assumidos. Priorizamos uma seleção rigorosa de crédito, apoiada em rating interno e monitoramento ágil, aprimorados após as crises de 2023. O cenário reforçou a importância de uma gestão sólida e flexível, com foco na proteção ao investidor e em resultados consistentes, mesmo com incertezas e juros elevados.”
Lucas Dias, gestor de Crédito Privado da ARX Investimentos
Os melhores da categoria
1° ARX Elbrus Pro
2° Legacy Compound IPCA Infra
3° BTG Inflação Infra
4° BB Infra
5° Safra Deb Inc
RENDA FIXA | Isento CDI
Investem majoritariamente em títulos incentivados atrelados à inflação com hedge para o CDI, oferecendo rendimentos isentos de Imposto de Renda
Com Selic em alta e debate sobre tributação, fundo ampliou posição em debêntures incentivadas quando mercado optou por não isentos
“O ano de 2025 foi marcado por desafios e oportunidades para a nossa estratégia. Em meio a um cenário de Selic em alta e discussões regulatórias sobre tributação de debêntures incentivadas, entendemos que a agilidade na gestão foi fundamental. Iniciamos o ano com uma posição neutra. Ao perceber oportunidades decorrentes das mudanças nas regras tributárias, decidimos elevar nossa participação em debêntures incentivadas, mesmo em um contexto em que o mercado demonstrava preferência por ativos não isentos. Quando detectamos exageros na precificação, ajustamos rapidamente o portfólio, o que nos permitiu minimizar impactos negativos na reprecificação ocorrida entre outubro e novembro. Embora seja comum no mercado fazer hedge de juros reais para CDI, nosso diferencial foi ajustar essas posições diariamente, com análise individual de cada papel. Essa disciplina foi essencial para o desempenho em 2025.”
Lucas Dias, gestor de Crédito Privado da ARX Investimentos
Os melhores da categoria
1° ARX Hedge Infra
2° Inter Hedge Infra
3° Itaú CDI Dist Infra
4° Bradesco CDI Infra
5° Sparta Infra
MULTIMERCADO | Macro
Fundos que possuem flexibilidade de investir em diferentes classes de ativos, como juros, moedas, ações, commodities e derivativos, no Brasil e no exterior
Com times integrados e capital próprio investido, gestora fechou o fundo para preservar performance
“Contamos com renda fixa, ações e crédito como motores de geração de resultado. As equipes são distintas, mas trabalham juntas há quase 14 anos, sem competição interna por risco. O objetivo é construir o melhor portfólio possível. Os sócios mantêm parcela relevante do patrimônio investida no fundo. Mesmo com forte demanda, optamos por fechar para novas captações, priorizando performance e alinhamento com o cliente. Em 2025, a renda variável foi decisiva, com ganhos concentrados em utilities elétricas, serviços financeiros e tecnologia. Na renda fixa, o destaque foi a queda de juros no México, antecipando atividade fraca, inflação em desaceleração e um banco central mais flexível. Estamos continuamente aprimorando nossos processos para identificar com celeridade as oportunidades e nos posicionar adequadamente de forma a gerar retorno para nossos clientes.”
Bruno Bak, gestor líder dos fundos Artax da Itaú Asset
Os melhores da categoria
1° Itaú Artax
2° Kapitalo K10
3° Bahia Mutá
4° Itaú Global Dinâmico Ultra
5° Capstone Macro
RANKING | CRI
Fundos de investimento que investem em títulos de dívida imobiliária em vez de imóveis físicos
Com mais de 10 bilhões de reais sob gestão, fundo concentra carteira em CRIs atrelados ao CDI, evita risco elevado e se beneficia dos juros altos
“Atuamos como fonte relevante de funding ao mercado imobiliário. A estratégia do fundo está direcionada à aplicação em CRIs pós-fixados, majoritariamente atrelados ao CDI e com baixo risco de crédito. A gestão ativa, a diligência na seleção dos ativos, o porte relevante que permite acessar operações exclusivas e customizadas, além do cenário macroeconômico, foram os pontos de maior destaque para o bom retorno em 2025.
O portfólio do KNCR se beneficiou dos juros altos, ao mesmo tempo que evitou operações mais arriscadas, permitindo a entrega consistente de rendimentos. O tamanho do fundo também contribuiu. Com um patrimônio que hoje ultrapassa os 10 bilhões de reais, foi possível agregar novas operações, próprias em sua grande maioria, o que aumentou a diversificação da carteira. O Kinea Rendimentos Imobiliários encerrou 2025 com mais de 500.000 cotistas, consolidando-se como um dos maiores FII de crédito do país.”
Flávio Cagno, sócio e gestor da Kinea
Os melhores da categoria
1° KNCR11 | Kinea
2° MCCI | Jive Mauá
3° CLIN11 | BTG Pactual
RANKING | Tijolo
Fundos de investimento que aplicam recursos diretamente em imóveis físicos. A principal característica é a compra de propriedades tangíveis com o objetivo de gerar renda com a locação
Com 34 imóveis e 1,4 milhão de metros quadrados, o BTLG11 concentra portfólio em São Paulo e cresce dividendos 16% ao ano
“O BTLG11 é uma das principais plataformas logísticas da B3, reconhecida pela gestão ativa e consistente geração de valor. O fundo possui 34 imóveis e mais de 1,4 milhão de metros quadrados de área bruta locável, com 92% da área em São Paulo, mercado mais líquido do país, diferenciando seu portfólio. Mesmo com grande porte, o fundo mantém vacância perto de 3% e mais de 70 locatários, como Amazon, Mercado Livre e Unilever. Sua estratégia combina imóveis de alto padrão, localizações estratégicas e inquilinos com bom crédito. O crescimento do setor permitiu revisionais com ganho real médio de cerca de 20%. Com reciclagem ativa e vendas 27% acima de laudo, os dividendos cresceram 16% ao ano desde 2020.”
Fernando Crestana, sócio de Real Estate da BTG Pactual Asset Management
Os melhores da categoria
1° BTLG11 | BTG Pactual
2° KNRI11 | Kinea
3° VILG11 | Vinci Compass
RANKING | Infra
Veículos para investimento no desenvolvimento do país (energia, transporte, saneamento) com isenção de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos e ganhos de capital para pessoa fisica
Fundo tem quase 3 bilhões de reais em patrimônio e evita correr atrás de retornos extraordinários
“Criamos o CDII11 com uma carteira de crédito de alta qualidade, diversificada e sem operações próprias e, portanto, com gestão ativa do portfólio. Em 2025, essa estratégia fez diferença. A carteira rendeu CDI +2,2% de forma consistente. Já a cota, que terminou 2024 descontada, subiu 27,7% no ano, já considerando os rendimentos — isentos de IR para pessoa física. Trabalhando com disciplina, nosso foco não é correr atrás de retornos extraordinários de curto prazo, mas, sim, entregar retornos sólidos, ajustados ao risco, com segurança e previsibilidade no longo prazo. Como consequência, realizamos uma das maiores captações de 2025, elevando o CDII11 ao posto de maior FI-Infra listado na bolsa com gestão ativa, com 2,9 bilhões de reais em patrimônio. Ele já era o FI-Infra com maior liquidez e, agora, com mais investidores e mais ativos, a tendência é de retorno ainda maior.”
Ulisses Nehmi, CEO da Sparta
Os melhores da categoria
1° CDII11 | Sparta
2° IFRA11 | Itaú
3° BODB11 | Bocaina
LONG Short
Estratégias alternativas no universo de renda variável que buscam retornos por meio de posições de valor relativo (comprado e vendido)
Com alta taxa de acerto nas posições compradas e vendidas, Hornet aproveita distorções no Brasil, controla volatilidade e entrega alfa consistente em ano turbulento
“O SPX Hornet Long Short é gerido pela mesma equipe que toca os demais fundos da casa e utiliza a mesma base de ideias compradas, mas com a flexibilidade de operar posições vendidas. Em 2025, essa estrutura fez diferença. O fundo combinou alto índice de acerto nas posições long com uma atuação relevante na ponta short, aproveitando um Brasil que ofereceu muitas distorções e oportunidades de venda. A construção do portfólio foi central: permitiu assumir risco de forma expressiva, mas com volatilidade controlada. Em um ano de forte turbulência e mudanças de cenário, o Hornet conseguiu se defender e, ao mesmo tempo, capturar alfa de forma recorrente, com desempenho consistente ao longo dos meses. Esse resultado foi fruto de uma gestão marcada pela eficiência, que uniu a seleção criteriosa de preços à identificação precisa de “vencedores e perdedores”. Com um framework focado em risco-retorno atrativo, o fundo aproveitou as distorções do mercado brasileiro para performar significativamente acima do índice.”
Leonardo Linhares, gestor de ações da SPX
Os melhores da categoria
1° SPX Hornet
2° Ibiuna Long Short
3° Truxt Long Short
4° Oceana Equity Hedge
5° Real Investor Long Short
LONG Only
Fundo de investimento em ações que aloca no mínimo 67% em papéis de empresas listadas, apenas em posições compradas
“O SPX Patriot Long Only opera com mandato mais restrito e não realiza posições vendidas, mas ainda assim conseguiu navegar 2025 com eficiência. Em um ano marcado por volatilidade e mudanças de fluxo, o fundo ajustou a exposição de forma tática, reduziu e ampliou o risco nos momentos mais favoráveis e utilizou proteção externa quando necessário. Mesmo com menor flexibilidade que o Falcon e o Hornet, aproveitou oportunidades relevantes na América Latina, especialmente no ciclo positivo do Chile. A estratégia se apoiou na mesma equipe e processo dos demais fundos, com foco em empresas com risco-retorno atrativo dentro do cenário projetado. Esse processo resultou em um índice de acerto muito relevante na seleção de papéis, permitindo identificar empresas com preços subvalorizados, mesmo sob forte volatilidade. Além disso, a alocação internacional trouxe uma eficiência extra: ao investir em mercados como o chileno, o fundo aproveitou um custo de capital muito mais baixo do que o CDI brasileiro, potencializando o retorno das posições compradas.”
Leonardo Linhares, gestor de ações da SPX
Os melhores da categoria
1° SPX Patriot
2° Radar
3° Ibiuna Equities
4° Neo Navitas
5° Real Investor
LONG Bias
Estratégia baseada em uma carteira com maior parcela comprada em ações, com o objetivo de capturar a valorização do mercado acionário em cenários favoráveis
Com mandato amplo, fundo capturou ciclo positivo na América Latina, explorou enfraquecimento fora das techs nos EUA e combinou leitura macro com seleção ativa para gerar retorno
“O SPX Falcon Long Bias se destacou pela maior flexibilidade de mandato, o que permitiu explorar oportunidades no Brasil e no exterior. Em 2025, o fundo capturou o ciclo positivo da América Latina, com destaque para o Chile, que foi um dos principais motores de retorno. Também se beneficiou do movimento de enfraquecimento de setores nos Estados Unidos fora das grandes empresas de tecnologia, identificando vencedores e perdedores com precisão. A possibilidade de alocar parte relevante do portfólio internacionalmente, aproveitando um custo de capital muito menor do que o CDI brasileiro, ampliou o leque de oportunidades. Um exemplo dessa precisão foi a estratégia no setor de tecnologia, onde o fundo extraiu retornos ao identificar corretamente as empresas “perdedoras” no ciclo de IA. Em um ambiente volátil, a combinação entre leitura macro, seleção de papéis com risco-retorno atrativo e gestão ativa foi determinante.”
Leonardo Linhares, gestor de ações da SPX
Os melhores da categoria
1° SPX Falcon
2° Ibiuna Long Biased
3° Itaú Optimus Long Bias
4° AlphaKey
5° Truxt Long Bias