Petróleo: mercado recorre a estoques diante de queda nas exportações do Oriente Médio. (GettyImages)
Repórter de Invest
Publicado em 10 de abril de 2026 às 08h08.
O preço do petróleo voltou a subir e ultrapassou a marca de US$ 100 por barril em meio à tensão que ainda envolve o Estreito de Ormuz e a novos ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita.
Os contratos futuros para maio do tipo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos (EUA), atingiram US$ 100,40 por barril nesta sexta-feira, 10, mas, por volta das 7h30min, operavam a US$ 97,89.
Já os futuros de junho do tipo Brent caíam 0,18%, a US$ 95,75 no horário. Mais cedo, ele subiu 1,7%, para US$ 97,59.
O movimento ocorre apesar de um cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã, que ainda não normalizou o fluxo de navios por Ormuz, responsável pelo escoamento de 20% do petróleo mundial.
O trajeto continua operando com tráfego severamente reduzido após ter sido fechado pelo Irã no início do conflito. Dados compilados pela CNBC mostram que o fluxo de navios permanece próximo de uma paralisação.
O presidente dos EUA, Donald Trump, reforçou a tensão do mercado ao acusar o Irã de dificultar a passagem de petroleiros, o que poderia até comprometer o acordo de cessar-fogo.
Diretor do Conselho Econômico Nacional dos EUA, Kevin Hassett vê que a simples passagem de um único petroleiro já representaria uma recuperação grande da oferta.
Por outro lado, o CEO da Ducat Maritime, Adrian Beciri, disse à CNBC que a rota permanece "extremamente caótica", com ausência de protocolos claros para navegação e custos altos.
"Não existe uma forma conhecida ou estabelecida de atravessar o Estreito de Ormuz. Nem sequer existe uma forma clara de contatar os iranianos para saber como fazê-lo, o que parece ser a única maneira neste momento", disse Beciri.Uma estação de bombeamento do oleoduto East-West Pipeline, que liga o Golfo Pérsico ao Mar Vermelho, foi atingida na Arábia Saudita, cortando o fluxo em cerca de 700 mil barris por dia, segundo agência estatal saudita.
A capacidade de produção também foi impactada, conforme fontes consultadas pela CNBC. Ataques aos campos de Manifa e Khurais cortaram cerca de 600 mil barris por dia da produção do país.
Aumenta-se, assim, o tempo de transporte e o custo. Analistas do Goldman Sachs estivam que compradores devem precisar recorrer a estoques estratégicos e fontes alternativas por pelo menos mais um mês.