Dave Grohl: Foo Fighters volta ao Brasil em 2027 para dois shows (Scott Dudelson/Getty Images)
Freelancer
Publicado em 4 de setembro de 2026 às 19h26.
Dave Grohl construiu uma carreira que parece dividida em duas vidas. Na primeira, foi o baterista de uma das bandas mais influentes dos anos 1990. Na segunda, tornou-se vocalista, guitarrista e líder de um dos maiores grupos de rock das décadas seguintes.
Entre o Nirvana e o Foo Fighters, porém, existe uma história de perda, recomeço e busca por uma identidade própria.
Dave Grohl nasceu em 14 de janeiro de 1969, em Warren, Ohio, e cresceu na região de Washington, D.C. Ainda adolescente, entrou para a cena punk e passou por diferentes bandas até chegar ao Scream, grupo de hardcore que lhe deu experiência em turnês e consolidou sua formação como baterista.
Em 1990, Grohl recebeu o convite para integrar o Nirvana, substituindo Chad Channing. Kurt Cobain e Krist Novoselic já formavam a dupla central da banda, mas a chegada do novo baterista ajudou a estabelecer a formação que entraria para a história.
Pouco depois, o grupo gravaria "Nevermind", álbum lançado em 1991, que transformou o Nirvana em um fenômeno mundial.
Com músicas como "Smells Like Teen Spirit", "Nevermind" levou o grunge ao centro da indústria musical e transformou Cobain, Novoselic e Grohl em estrelas internacionais.
Grohl permaneceu no Nirvana até 1994. Nesse período, também começou a compor suas próprias músicas, algumas delas registradas em gravações caseiras.
Uma delas era "Friend of a Friend", escrita durante o período em que Grohl morou com Cobain em Olympia, Washington. Em entrevista à revista Q, ele contou que os dois passavam horas acordados enquanto Grohl experimentava composições em um gravador de quatro canais.
A experiência seria importante para o que viria depois.
O Nirvana chegou ao fim após a morte de Kurt Cobain, em abril de 1994. Grohl passou meses afastado da música e contou posteriormente que guardou seus instrumentos e teve dificuldade até para ouvir rádio.
Em entrevista à PBS, em 2021, ele relembrou uma viagem à Irlanda feita naquele período. Enquanto dirigia por uma região isolada, viu um homem pedindo carona, usando uma camiseta de Kurt Cobain.
A imagem fez Grohl perceber que não conseguiria se afastar da música. "Foi quando percebi que não posso fugir disso. Preciso voltar para casa, pegar meus instrumentos e continuar fazendo música, porque ela salvou minha vida durante toda a minha vida e acho que poderia fazer isso novamente. Então voltei para casa e comecei o Foo Fighters."
As primeiras gravações do Foo Fighters foram feitas por Grohl praticamente sozinho. Ele tocou os instrumentos e registrou as músicas sem revelar inicialmente que era o responsável pelo projeto.
A intenção era lançar o material sem transformar o trabalho em uma grande operação envolvendo sua imagem ou o passado no Nirvana.
O projeto acabou ganhando vida própria. Em 1995, o primeiro álbum, "Foo Fighters", chegou às lojas e marcou a transformação de Grohl de baterista em líder de uma banda.
A mudança também representou uma forma de lidar com o período que havia acabado. Em entrevista à NME, Grohl explicou que sua relação com o Nirvana continuava sendo fundamental para entender sua trajetória: "Não há dúvida de que eu não estaria fazendo o que faço hoje se não fosse pelo Nirvana."
Na mesma entrevista, ele destacou a necessidade de construir uma identidade própria: "Eu devo tudo a Butch, Kurt e Krist, mas é importante para mim encontrar meu próprio território."
As declarações foram feitas durante a divulgação de "Wasting Light", álbum de 2011 que também contou com a participação de Krist Novoselic.
A mudança de função trouxe outro desafio. Grohl passou a cantar e tocar guitarra enquanto liderava uma banda criada a partir de suas próprias composições.
Em entrevista à PBS, ele brincou com a ideia de ser chamado de cantor: "Primeiro, eu tiraria cantor dessa lista, porque basicamente passo três horas por noite correndo por aí e gritando."
Na mesma conversa, explicou por que ainda se identifica tanto com a bateria: "Quando estou tocando bateria, sinto que estou dançando. Não preciso pensar. Posso simplesmente tocar."
Para Grohl, a guitarra e a bateria ocupam espaços diferentes na sua relação com a música. A guitarra foi seu primeiro instrumento, enquanto a bateria se tornou uma extensão mais instintiva de sua maneira de tocar.
O segundo álbum do Foo Fighters, "The Colour and the Shape", lançado em 1997, estabeleceu definitivamente a banda no cenário internacional.
"Everlong" tornou-se um dos maiores sucessos do grupo e ajudou a criar uma identidade própria para Grohl, distante da associação permanente com o Nirvana.
Também foi nesse período que Taylor Hawkins assumiu a bateria. A parceria entre Hawkins e Grohl se tornaria uma das relações mais marcantes da história do Foo Fighters.
O Foo Fighters seguiu crescendo ao longo dos anos seguintes. Álbuns como "There Is Nothing Left to Lose", "One by One", "In Your Honor", "Echoes, Silence, Patience & Grace" e "Wasting Light" consolidaram Grohl como um dos principais nomes do rock contemporâneo.
Ele também participou de projetos paralelos, tocou com outros artistas e formou o Them Crooked Vultures ao lado de Josh Homme e John Paul Jones.
Em 25 de março de 2022, Taylor Hawkins morreu aos 50 anos, durante uma passagem do Foo Fighters por Bogotá, na Colômbia. A notícia interrompeu a turnê da banda e abriu um dos períodos mais difíceis da carreira de Dave Grohl.
Ao longo de 25 anos, o baterista deixou de ser apenas um membro da banda e se tornou um dos principais parceiros musicais de Grohl.
A relação entre os dois também ultrapassava o palco. Hawkins participou de projetos paralelos de Grohl, enquanto os dois mantiveram uma parceria criativa que se estendeu por diferentes fases do Foo Fighters.
Após a morte do baterista, Grohl falou sobre o impacto da perda em diferentes ocasiões. Durante os shows tributo realizados em Londres e Los Angeles, em 2022, o vocalista relembrou a amizade entre os dois e a importância de Hawkins para a história da banda.
Em entrevista à Rolling Stone, Grohl descreveu Hawkins como alguém que mudou sua maneira de enxergar o Foo Fighters e o próprio ato de tocar. "Ele era meu melhor amigo, meu irmão. Ele era meu parceiro."
A morte de Hawkins também mudou a dinâmica do grupo. Em 2023, o Foo Fighters anunciou Josh Freese como novo baterista e retomou as apresentações ao vivo. Freese deixou a banda em 2025, e Ilan Rubin assumiu a bateria e passou a integrar a formação atual da banda.
A nova formação representou mais um recomeço para Grohl. Décadas depois de enfrentar o fim do Nirvana, ele voltou a lidar com a perda de um parceiro central de sua trajetória musical.
Sete anos depois da última apresentação no festival, Dave Grohl retorna ao Palco Mundo nesta sexta-feira, 4, para comandar o Foo Fighters no encerramento da primeira noite do Rock in Rio 2026. O show está marcado para começar às 0h05 da madrugada de sábado.
A apresentação acontece em um momento simbólico para a banda. Em 2026, o Foo Fighters celebra 31 anos de carreira e chega ao festival com uma nova fase, marcada pelo lançamento de "Your Favorite Toy" e por uma turnê mundial. O grupo também soma 15 Grammys e entrou para o Rock & Roll Hall of Fame em 2021.
Nesta edição, a banda encerra uma noite dedicada ao rock no Palco Mundo. Antes do Foo Fighters, se apresentam Nova Twins, às 16h40, The Hives, às 19h, e Rise Against, às 21h20.
A passagem do Foo Fighters pelo Brasil vai continuar em 2027. A banda já tem duas apresentações marcadas no país.
Em Belo Horizonte, o grupo se apresenta na Arena MRV, no dia 18 de fevereiro, enquanto em São Paulo se apresenta no dia 20 de fevereiro, no MorumBIS. Os ingressos estão disponíveis na Ticketmaster.