A canadense Anne Carson recebeu o prêmio de Literatura (Nobel/Divulgação)
Repórter
Publicado em 12 de outubro de 2026 às 09h41.
Os vencedores do Prêmio Nobel de 2026 foram anunciados entre os dias 5 e 12 de outubro, encerrando nesta segunda-feira a divulgação dos laureados das seis categorias reconhecidas pela premiação.
Os anúncios ocorreram na Suécia e na Noruega, sob responsabilidade das instituições encarregadas da seleção dos vencedores em cada área do conhecimento.
Entre os premiados deste ano estão Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel, vencedores do Nobel de Medicina ou Fisiologia. Peter Hegemann e Georg Nagel descobriram, em uma alga unicelular, uma proteína chamada canalrodopsina. Quando iluminada com luz azul, a proteína abre um canal que permite a entrada de íons na célula e gera um impulso elétrico. Já Karl Deisseroth introduziu o gene dessa proteína em células nervosas de ratos e conseguiu provocar um sinal nervoso com luz azul. O avanço foi publicado em 2005. Dois anos depois, o pesquisador fez o mecanismo funcionar no cérebro de camundongos vivos.
Na Física, o reconhecimento foi concedido a Francis Halzen. Halzen teve papel central na criação do IceCube, observatório instalado no Polo Sul que utiliza sensores distribuídos por um quilômetro cúbico de gelo para detectar neutrinos. Essas partículas podem fornecer informações sobre processos extremamente energéticos que ocorrem em regiões distantes do universo.
Já o Nobel de Química foi dividido entre Henri B. Kagan e Kenso Soai. As descobertas dos dois têm aplicações importantes na química usada para produzir medicamentos. Isso ocorre porque algumas moléculas podem existir em duas versões que são imagens espelhadas uma da outra, mas que podem ter efeitos diferentes quando interagem com organismos vivos.
A canadense Anne Carson recebeu o prêmio de Literatura. Nascida em Toronto, em 1950, Carson combina poesia, tradução e ensino universitário. Sua produção atravessa diferentes gêneros e aproxima textos da Antiguidade de experiências e linguagens contemporâneas. Entre suas obras estão “Autobiography of Red” (1998), romance em versos que recria o mito grego de Gerião, e “Nox” (2010), dedicado à memória de seu irmão. Seu trabalho também inclui traduções de Safo, Sófocles e Eurípides.
O Nobel da Paz de 2026 foi atribuído à jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay. Segundo o comitê, Pillay teve papel relevante na construção de uma ordem jurídica internacional capaz de responsabilizar autores de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. “Navi Pillay é uma das grandes defensoras dos princípios jurídicos internacionais de nosso tempo”, afirmou o comitê ao anunciar a premiação.
Na categoria de Ciências Econômicas, os escolhidos foram os economistas americanos Robert E. Hall e Michael Woodford, reconhecidos por contribuições que ampliaram a compreensão sobre a formulação de políticas macroeconômicas.
O processo de escolha dos vencedores começa meses antes dos anúncios oficiais. Especialistas, pesquisadores e instituições habilitadas apresentam indicações aos comitês responsáveis, que analisam os candidatos, consultam pareceres técnicos e avaliam o impacto das contribuições de cada nome em sua respectiva área.
Além do reconhecimento internacional, os laureados recebem diploma, medalha de ouro e premiação em dinheiro. Em 2026, o valor destinado a cada categoria é de 12 milhões de coroas suecas, o equivalente a cerca de US$ 1,2 milhão ou aproximadamente R$ 6,3 milhões. Quando há mais de um vencedor, o montante é dividido entre os premiados.
As cerimônias de entrega dos prêmios estão programadas para 10 de dezembro, data que marca o aniversário da morte de Alfred Nobel. Os vencedores das categorias anunciadas na Suécia serão homenageados em Estocolmo, enquanto a cerimônia do Nobel da Paz ocorrerá em Oslo, na Noruega.