Anne Carson: nascida em Toronto, em 1950, Carson combina poesia, tradução e ensino universitário (Nobel/Divulgação)
Repórter
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 08h07.
Última atualização em 8 de outubro de 2026 às 08h28.
A escritora canadense Anne Carson venceu o Prêmio Nobel de Literatura de 2026, anunciado nesta quinta-feira, 8. A autora foi reconhecida por sua obra “ousada e inventiva” e pelo diálogo com a tradição clássica que criou novas formas para a literatura contemporânea, segundo o comitê do prêmio.
Nascida em Toronto, em 1950, Carson combina poesia, tradução e ensino universitário. Sua produção atravessa diferentes gêneros e aproxima textos da Antiguidade de experiências e linguagens contemporâneas.
Entre suas obras estão “Autobiography of Red” (1998), romance em versos que recria o mito grego de Gerião, e “Nox” (2010), dedicado à memória de seu irmão. Seu trabalho também inclui traduções de Safo, Sófocles e Eurípides.
WATCH LIVE: Join us for the announcement of the 2026 Nobel Prize in Literature.
Hear the breaking news first.
Where are you watching from?
#NobelPrize https://t.co/ONhGnjPQpg
— The Nobel Prize (@NobelPrize) October 8, 2026
Anne Carson nasceu em Toronto, no Canadá, em 1950. Ao longo da carreira, conciliou a escrita de poesia com o trabalho de tradução e o ensino em diferentes universidades. Em 1981, publicou sua tese de doutorado em estudos clássicos, intitulada “Odi et Amo Ergo Sum”.
A autora identifica a etimologia das palavras como ponto de partida de seu trabalho. Sua produção aproxima o estudo da linguagem da busca por novos sentidos na poesia. Entre suas traduções do grego clássico estão fragmentos de poemas de Safo, reunidos em “If Not, Winter” (2002), e tragédias de Sófocles e Eurípides.
Segundo Anders Olsson, presidente do Comitê do Nobel, Carson constrói encontros literários inesperados entre autores de diferentes épocas. Em “Economy of the Unlost” (1999), aproxima o poeta grego Simônides de Ceos de Paul Celan. Já em “Men in the Off Hours” (2000), coloca em diálogo o historiador Tucídides e a escritora Virginia Woolf.
Uma de suas obras de destaque é “Autobiography of Red: A Novel in Verse” (1998). O romance em versos parte de fragmentos do poeta grego Estesícoro para transformar o monstro alado Gerião em um jovem sensível, dedicado à mãe, que se apaixona por Héracles.
Em “Nox” (2010), Carson homenageia seu irmão Michael, morto na Dinamarca em 2000. A obra assume a forma de uma caixa com páginas dobradas em sanfona, que reúnem fotografias, cartas e outros textos. Também inclui sua tradução de uma elegia do poeta romano Catulo dedicada ao próprio irmão morto.
A experimentação aparece ainda em “Float” (2016), composto por 22 pequenos volumes que podem ser lidos em qualquer ordem, e em “Wrong Norma” (2024), que combina textos e transita por diferentes campos artísticos e acadêmicos. Carson também colabora com artistas visuais, coreógrafos e diretores de ópera e teatro.
Exemplares de livros da autora canadense Anne Carson estão em exposição na Academia Sueca, em Estocolmo, Suécia, após uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (Jonathan Nackstrand / AFP)
A Secretária Permanente da Academia Sueca, Ingrid Carlberg (ao centro), concede uma coletiva de imprensa para anunciar o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2026 na sede da Academia Sueca, em Estocolmo (Jonathan Nackstrand / AFP)