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Com acordo EUA e Irã, como ficarão os outros conflitos no Oriente Médio?

Termos firmados entre Trump e o governo iraniano deixam o governo de Israel insatisfeito, enquanto o governo libanês afirma ter mais esperança com os avanços de Washington e Teerã

Trump e Netanyahu: aliados militares, os líderes entraram em descompasso quanto às negociações com o Irã (Saul Loeb/AFP)

Trump e Netanyahu: aliados militares, os líderes entraram em descompasso quanto às negociações com o Irã (Saul Loeb/AFP)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 16 de junho de 2026 às 05h34.

Firmado nesta segunda-feira, 15, o acordo entre Estados Unidos e Irã para interromper a guerra no Oriente Médio abriu uma nova fase de incertezas para outros focos de tensão na região, especialmente envolvendo Israel, Líbano, Síria e Gaza.

O entendimento prevê uma suspensão inicial das operações militares por 60 dias, período em que Washington e Teerã devem negociar um acordo mais amplo.

O acordo também prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo do mundo. Trump afirmou, durante a cúpula do G7, na França, que a passagem estará "completamente aberta" nesta sexta-feira, 19, e que os Estados Unidos não precisarão de grande ajuda internacional para garantir seu funcionamento.

Os detalhes do acordo ainda não foram divulgados integralmente.

O Irã afirmou que as negociações buscarão resolver questões como seu programa nuclear e as sanções econômicas impostas ao país. O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, disse que Teerã ainda mantém uma "profunda desconfiança" em relação aos Estados Unidos e classificou o pacto como uma etapa inicial para reduzir as tensões, de acordo com a AFP.

O pacto também deixou em aberto questões consideradas centrais por Israel, como o programa de mísseis do Irã e o apoio de Teerã a grupos armados aliados na região. Autoridades israelenses afirmaram que o país não se considera limitado pelo acordo.

Segundo a Reuters, integrantes do governo de Benjamin Netanyahu avaliaram em conversas privadas que o entendimento não atende aos principais objetivos israelenses no conflito.

Já o presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou que o entendimento entre Estados Unidos e Irã poderia ajudar a reduzir as tensões e abrir espaço para soluções diplomáticas, de acordo com a AFP.

Israel mantém pressão sobre Hezbollah e aliados do Irã

Um dos principais pontos de tensão após o acordo envolve o Líbano e a atuação contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. A interrupção dos combates no território libanês é uma das exigências de Teerã, mas Israel sinalizou que continuará realizando operações caso identifique ameaças.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que as tropas do país permanecerão em zonas de segurança ocupadas no Líbano, na Síria e em Gaza "indefinidamente", com o objetivo de impedir ações de grupos considerados inimigos.

Nos dias anteriores ao anúncio do acordo, Israel e Hezbollah ainda trocaram ataques. Israel realizou bombardeios nos subúrbios ao sul de Beirute após foguetes serem lançados contra seu território a partir do Líbano.

Divergência entre Netanyahu e Trump após acordo

O pacto também evidenciou diferenças entre Netanyahu e o presidente americano Donald Trump, que vinha sendo um dos principais aliados de Israel durante a ofensiva contra o Irã.

O ministro de Energia de Israel, Eli Cohen, afirmou que poderá agir de forma independente caso o Irã retome seus programas nuclear e de mísseis. Ele declarou que o país está preparado para responder caso Teerã volte a desenvolver essas capacidades.

Netanyahu havia apostado que a campanha militar conjunta com Washington poderia enfraquecer o governo iraniano e fortalecer sua posição política dentro de Israel, de acordo com a Reuters.

O acordo, porém, colocou os dois líderes em uma posição de interesses divergentes, já que Trump passou a defender o encerramento da guerra enquanto Israel mantém preocupações sobre as capacidades militares iranianas.

Após o anúncio, Netanyahu defendeu a ofensiva militar e afirmou que a operação conjunta entre Israel e Estados Unidos afastou o que chamou de ameaça de "aniquilação nuclear" contra seu país.

Segundo a agência de notícias, autoridades israelenses demonstraram insatisfação com os termos do pacto e avaliam que o período inicial de 60 dias pode ser prolongado, restringindo a possibilidade de novas ações militares enquanto as preocupações de Israel permanecem sem solução.

O acordo também representa um desafio político para Netanyahu. Durante anos, o primeiro-ministro apresentou sua relação próxima com Trump como uma vantagem para lidar com o Irã. Agora, analistas ouvidos pela Reuters avaliam que ele terá dificuldade para vender o entendimento à população israelense como uma vitória.

Gaza e Síria seguem como focos de instabilidade

O acordo entre Estados Unidos e Irã não encerra os conflitos envolvendo outros aliados de Teerã no Oriente Médio. Questões relacionadas a Gaza, Síria e grupos armados apoiados pelo Irã continuam fora das negociações principais.

Israel mantém presença militar em áreas consideradas estratégicas nesses territórios. Segundo o governo israelense, a medida busca impedir que grupos aliados ao Irã reconstruam capacidades ofensivas.

Além disso, dois temas que Israel e Estados Unidos apontavam como justificativas para a guerra — o programa de mísseis iraniano e o apoio de Teerã a organizações armadas — não devem fazer parte das negociações iniciais entre Washington e Teerã.

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