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Governo brasileiro diz que são 'falsas' justificativas dos EUA para revogar visto de embaixadora

Secom ainda disse que o ato de Washington "de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil"

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 20h21.

Última atualização em 4 de agosto de 2026 às 20h44.

O governo brasileira rebateu os motivos dadao pelos EUA para revogar o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti. A Secretaria de Comunicação Social soltou um comunicado na noite desta terça-feira informando que "as duas justificativas apresentadas são falsas".

Viotti é a primeira mulher a chefiar a missão diplomática brasileira em Washington e está no cargo desde junho de 2023.

Segundo autoridades do Departamento de Estado dos Estados Unidos, a revogação do visto foi motivada pela ausência da concessão do agrément — autorização diplomática necessária para a posse de um embaixador estrangeiro — ao republicano Daniel "Danny" Perez, indicado pelo presidente Donald Trump em 1º de junho para chefiar a embaixada americana em Brasília. A confirmação de Perez pelo Senado americano acabou sendo adiada diante da falta desse aval do governo brasileiro.

O Brasil também negou vistos a Riley Barnes, secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado americano, e a Samuel Samson, subsecretário-adjunto, que viriam ao país em uma missão diplomática e se reuniriam com Flávio Bolsonaro.

Resposta brasileira

A Secom disse que "o processo de concessão de agrément é confidencial e o nome designado só deveria vir a público depois de concedida a anuência, conforme estipula o artigo 4 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. O governo dos Estados Unidos anunciou publicamente o nome de seu candidato antes de apresentar o pedido formal de agrément ao governo brasileiro".

O governo brasileiro disse que "não há regra na Convenção de Viena estipulando prazo para a concessão do agrément e que o pedido norte-americano ainda se encontra em análise".

Sobre os dois funcionários do governo norte-americano que tiveram o visto negado, a Secom informou que "os dois planejavam visitar o país para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional".

A nota ainda lembra de outras autoridades brasileiras que sofreram com punições do governo americano, como "ministros da Suprema Corte e funcionários de primeiro escalão do Poder Executivo". O ministro Alexandre de Moraes e sua esposa Viviane Barsi de Moraes chegaram a ser incluídos no rol de punidos pela Magnitsky no ano passado, mas foram retirados da lista em dezembro de 2025.

O governo brasileira finaliza o comunicado dizendo que " a decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo" e que "fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente".

Planalto já se preparava para sanções

O governo brasileiro já esperava o anúncio de novas sanções diplomáticas contra o Brasil por parte do governo dos Estados Unidos. O cenário considerado mais factível pelo governo brasileiro era que os EUA recusem ou revoguem vistos a oficiais brasileiros, como já ocorreu com a embaixadora.

Há também a possibilidade de que os americanos voltem a sancionar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito da Lei Magnitsky. A norma americana, voltada a punir condenados por corrupção e violadores dos direitos humanos, bloqueia ativos nos Estados Unidos, revoga seus vistos e impede que empresas americanas mantenham relação com os sancionados.

Moraes e a esposa, Viviane Barsi de Moraes, chegaram a ser incluídos no rol de punidos pela Magnitsky no ano passado, mas foram retirados da lista em dezembro de 2025. O blogueiro Paulo Figueiredo, que tem influência junto à Secretaria de Estado americana, já solicitou formalmente o retorno da sanção.

Como a EXAME noticiou, os dois funcionários americanos solicitaram reuniões com autoridades brasileiras para abordar urnas eletrônicas e a embaixada dos EUA no Brasil informou que a comitiva se encontraria com Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O perfil ideológico dos dois funcionários do Departamento americano acendeu um alerta no governo brasileiro, que decidiu negar o visto por considerar que ambos teriam como objetivo corroborar teorias da conspiração sobre o processo eleitoral brasileiro, em sintonia com o discurso bolsonarista.

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