Salário mínimo de 2027 terá quase 6% de aumento (Rmcarvalho/Getty Images)
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Publicado em 5 de agosto de 2026 às 11h21.
O governo federal já tem uma estimativa para o salário mínimo de 2027, cujo valor deve ser definido em R$ 1.717. O valor representa um aumento de R$ 96 em relação ao piso atual, de R$ 1.621, o que equivale a uma alta nominal de 5,92%.
A projeção está no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento ao Congresso Nacional em abril deste ano.
Desse reajuste, uma parte cobre a inflação e outra representa ganho real.
Segundo o próprio Ministério do Planejamento, o novo valor equivale a um aumento de 2,5% acima da inflação, ou seja, o trabalhador que recebe o mínimo deve terminar 2027 com um pouco mais de poder de compra do que tem hoje.
Esse número ainda não é definitivo. Trata-se de uma estimativa baseada em projeções de inflação e crescimento econômico, e só será confirmado no fim de 2026, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de novembro for divulgado pelo IBGE.
Se confirmado, o novo salário mínimo passa a valer a partir de 1º de janeiro de 2027, seguindo o mesmo calendário dos últimos reajustes.
O caminho até lá tem algumas etapas. Primeiro, o valor é estimado no PLDO, que serve como um guia inicial para a montagem do Orçamento.
Depois, é detalhado no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), enviado ao Congresso no segundo semestre.
O número oficial só sai mesmo no fim do ano, por decreto presidencial, depois que o INPC de novembro é fechado.
Foi assim que o valor de 2026 chegou a R$ 1.621: o reajuste foi definido pelo Decreto nº 12.797, assinado em 23 de dezembro de 2025, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2026.
Desde 2023, o Brasil voltou a ter uma política de valorização permanente do salário mínimo, criada pela Lei nº 14.663/2023.
Antes disso, em boa parte do governo anterior, o piso era reajustado apenas pela inflação, sem ganho real.
A regra atual combina dois fatores:
Para o cálculo de 2027, por exemplo, entra o desempenho do PIB de 2025. Se a economia tiver crescido, uma fatia desse crescimento vira aumento real no bolso de quem ganha o mínimo.
Há um limite, porém, já que pelo arcabouço fiscal aprovado em 2024, o ganho real do salário mínimo está limitado a um teto de 2,5% ao ano, mesmo que o PIB tenha crescido mais do que isso.
A ideia é equilibrar a valorização do piso com o controle das contas públicas, já que o salário mínimo também baliza aposentadorias, pensões, seguro-desemprego e benefícios assistenciais como o BPC.
Mesmo com o reajuste, ainda há uma distância entre o salário mínimo oficial e o que uma família realmente precisa para viver.
É o que mostra a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, feita mensalmente pelo DIEESE em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Em junho de 2026, a cesta básica média nas capitais brasileiras custava R$ 779,95, uma alta de 8,69% em 12 meses. Sozinha, essa cesta já consumia cerca de 52% do salário mínimo líquido do trabalhador.
Em São Paulo, onde a cesta é a mais cara do país, o valor chegou a R$ 965,47. Com base nesse custo, o DIEESE calcula todo mês o chamado "salário mínimo necessário": o valor que garantiria a uma família de quatro pessoas cobrir despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência, como determina a Constituição.
Em junho de 2026, esse valor ideal era de R$ 8.110,92, quase cinco vezes o piso vigente de R$ 1.621.
Com o novo mínimo de R$ 1.717 em 2027, o trabalhador ganha um respiro modesto. Os R$ 96 a mais representam pouco mais de um décimo do valor de uma cesta básica média nacional.
Como o ganho real prometido pelo governo é de 2,5%, na prática o poder de compra deve avançar nessa proporção, desde que os preços dos alimentos não voltem a subir mais rápido que a inflação geral, como aconteceu em boa parte de 2026, puxados pela alta do feijão e do arroz.
Ou seja: o reajuste ajuda, mas está longe de fechar a conta. A distância entre o salário mínimo pago e o salário mínimo necessário, hoje de quase cinco vezes, deve continuar sendo um dos principais temas de debate econômico e social do país em 2027.