A inteligência artificial pode assumir tarefas repetitivas e devolver aos profissionais de marketing tempo para estratégia, criatividade e conexão (Stock-Asso/Shutterstock)
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Publicado em 22 de agosto de 2026 às 13h00.
Por Rodrigo Bidinoto, Diretor global de vendas da ActiveCampaign.
Existe um diagnóstico consolidado pela psicologia cognitiva que o mercado costuma ignorar: o cérebro humano é biologicamente incompetente para a repetição. Estudos clássicos sobre ergonomia e erro humano, como os desenvolvidos pelo psicólogo britânico James Reason, mostram que, ao executarmos tarefas mecânicas e previsíveis, nosso cérebro aciona um modo de economia de energia.
O córtex pré-frontal (área que gerencia as funções mais avançadas da mente, como o planejamento de ações, a tomada de decisões, o autocontrole e a regulação das emoções) reduz a atividade e entramos no "piloto automático".
É exatamente nesse estado de baixa vigilância que ocorrem as falhas involuntárias, os lapsos e os erros bobos. Ou, a falta de motivação que diminui a qualidade do trabalho. Em termos simples: o ser humano não foi desenhado para ser uma engrenagem de linha de montagem.
No entanto, por anos, foi exatamente isso que fizemos com os departamentos de marketing. Colocamos mentes brilhantes para cruzar planilhas manualmente, checar tags, disparar listas e configurar sequências operacionais.
O resultado? Exaustão operacional, erros de execução e uma equipe sem qualquer energia mental para o que realmente importa: pensar.
Agora, diante do avanço acelerado da inteligência artificial, vejo o mercado cometer um novo equívoco ao culpar a tecnologia pela perda do brilho das campanhas. "A IA deixou o marketing genérico", dizem alguns.
A verdade, contudo, é bem mais incômoda: a IA não está assassinando a criatividade. Ela apenas escancarou a preguiça estratégica de quem a utiliza para automatizar a falta de ideias.
É fato que entramos na era de IAs nativas de plataforma, capazes de mergulhar no contexto específico de cada negócio, analisar históricos comportamentais, entender jornadas complexas e sugerir ações de alta precisão.
Elas entendem a operação. Mas isso resolve a estratégia por si só? Não.
Por mais sofisticado que seja o algoritmo, a IA continua sendo o que sempre foi desenhada para ser: um copiloto extraordinário. Quem define a rota, a velocidade e a coragem da manobra continua sendo o profissional.
A grande vantagem da tecnologia é, justamente, assumir o trabalho repetitivo para que possamos utilizar melhor nossa capacidade criativa.
Estudos mostram que o uso integrado de automação e IA devolve, em média, 13 horas semanais a cada profissional de marketing. São mais de 52 horas por mês resgatadas do trabalho braçal.
Além disso, 77% dos profissionais relatam sentir mais segurança nas suas entregas quando contam com esse suporte tecnológico.
Aqui reside a verdadeira provocação para as lideranças: se a inteligência artificial assumiu a execução mecânica, zerou as falhas operacionais e devolveu mais de um dia inteiro de trabalho por semana para o seu time, por que as suas campanhas continuam parecendo com as de todo mundo?
O futuro é das marcas que usam a inteligência artificial para garantir máxima precisão na operação e liberam seus talentos para fazer o que nenhuma máquina jamais conseguirá: provocar, emocionar e construir conexões reais.