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Criatividade humana substituída por IA? Pesquisa inédita aponta visão de executivos

Estudo realizado pela Makers em parceria com a Adobe ouviu 115 CMOs, diretores e heads de marketing das maiores empresas do país 

A imagem de uma agência de publicidade antiga discutindo os efeitos da tecnologia só poderia ser criada com IA

A imagem de uma agência de publicidade antiga discutindo os efeitos da tecnologia só poderia ser criada com IA

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 20 de maio de 2026 às 08h01.

A inteligência artificial não vai substituir equipes criativas ou profissionais com repertório. Ela irá potencializar a atividade autoral de quem já pensa com profundidade. Pelo menos é isso que aponta estudo exclusivo realizado pela rede de CMOs Makers e a Adobe.

Para 74% das lideranças das organizações mais relevantes do mercado, a IA reforça o valor das funções existentes e eleva a exigência sobre o pensamento crítico, a curadoria e a tomada de decisão dos colaboradores.

O levantamento obtido pela EXAME foi realizado entre março e abril de 2026 com 115 líderes de grandes empresas do país, a maior parte com faturamento acima de R$ 500 milhões.

O relatório realiza um panorama sobre as tendências e movimentos do setor de marketing, um ecossistema cada vez mais pressionado a dar respostas ágeis e onde a tecnologia desponta como fator determinante para definir estratégias, expandir metodologias e alcançar resultados.

De acordo com o levantamento, a área vive uma transformação de natureza estrutural, na qual os líderes de sucesso são aqueles que desenvolvem uma capacidade de adaptação organizacional e individual em um cenário de constante transformação.

Menos técnico e mais estratégico

Um dos principais dados da pesquisa diz respeito à lacuna de competências vivida pelo setor. Ao contrário do que se poderia imaginar, o maior gap do marketing brasileiro está no pensamento estratégico (67%), à frente de habilidades técnicas como Data & Analytics (49%) e tecnologia & IA (47%). Em outras palavras, o mercado demanda cada vez mais profissionais capazes de transitar entre diferentes disciplinas, construir roadmaps com autonomia e agregar valor à jornada corporativa, mais do que especialistas técnicos limitados a uma única metodologia ou abordagem.

A imagem de uma agência de marketing com vários elementos, incluindo computadores velhos e novos, só poderia ser criada pela IA

"O maior desafio enfrentado pelas organizações não é talento humano ou capacitação específica", afirmou Fernando Teixeira, Diretor de Produtos e Estratégia de IA para a América Latina da Adobe. "O grande diferencial estará em construir uma estrutura que concilie os avanços tecnológicos com a cultura corporativa. Os 66% que ainda buscam repertório, estrutura e velocidade para acompanhar o mercado representam uma oportunidade enorme de transformação", disse.

Outro dado que chama atenção no estudo é a respeito das prioridades corporativas e dos entraves centrais para o avanço das organizações no cenário atual. Se por um lado 73% dos CMOs, heads e diretores de marketing reconhecem o papel central da IA para gerar novos negócios, aumentar a produtividade das equipes e expandir fronteiras, 60% apontam ela como um dos maiores desafios do dia a dia para integrar cultura, sistemas e negócios de forma coesa.

Há, portanto, um descompasso claro entre intenção e execução: se houve um salto na adoção de novas ferramentas e metodologias, ainda existe uma lacuna significativa para incorporá-las aos processos e rotinas das organizações.

"Essa assimetria entre expectativa e execução também aparece na experiência do cliente", disse Thiego Goularte, fundador e CEO da Makers. "Para 67%, a experiência do cliente é determinante para se diferenciar no mercado, mas apenas 22% das organizações aplicam IA onde ela realmente acontece. O tema ainda é tratado como prioridade conceitual A diferença competitiva estará em quem conseguir transformá-la em sistema”, explicou.

As forças que redesenham o marketing em 2026

Quando perguntados sobre as forças que estão redesenhando o setor, os líderes não apontaram uma tendência, mas um ecossistema em ebulição. A IA generativa lidera as citações com 73%, seguida de personalização em escala (53%), automação (40%) e conteúdo criativo (37%). O dado mais revelador, no entanto, está no que esses números carregam juntos: o mercado já compreendeu que IA sem direção criativa é apenas automação barata. Entre os que já utilizam a tecnologia na criação de conteúdo, 81% apontam análise de dados como principal alavanca de valor, e a personalização e a automação surgem como desdobramentos diretos dessa capacidade de interpretar dados com precisão.

Em paralelo, influenciadores e creators deixam de ser canais de distribuição para assumir um papel mais estrutural: o de infraestrutura de confiança. À medida que o conteúdo gerado por IA se expande, observa-se um efeito colateral: a homogeneização da comunicação. Nesse cenário, a voz humana torna-se um ativo escasso e, como toda escassez relevante, passa a carregar mais valor.

Profissionais que dominam tanto marketing digital quanto IA têm uma vantagem competitiva significativa (Freepik)

No horizonte, o relatório aponta ainda para um movimento ainda incipiente, mas com potencial de transformação: a IA agêntica. Diferentemente dos modelos atuais, focados em recomendação e suporte à decisão, esses sistemas evoluem para um novo patamar, atuando de forma autônoma em nome do consumidor, sendo capazes de tomar decisões, executar transações e negociar condições. Essa transição desloca o papel do marketing: não se trata mais apenas de influenciar escolhas humanas, mas de integrar-se a ecossistemas onde decisões passam a ser mediadas por agentes inteligentes.

A tecnologia muda o jogo, mas o contexto dita as regras

O relatório estabelece que o marketing deste ano exige que empresas personalizem em escala sem perder a autenticidade, utilizem a IA sem serem genéricas, executem processos com velocidade sem abrir mão da coerência estratégica e, principalmente, estabeleçam critérios claros para medir o que realmente importa, sem cair na armadilha de otimizar o que não gera valor.

"Embora 84% das lideranças não se digam prontas para o futuro, 78% são otimistas em relação ao desenvolvimento de projetos e iniciativas para a área", afirmou Teixeira. "Isso diz muito sobre a nossa cultura e sobre a nossa capacidade de motivar equipes, de ir mais longe e de fazer a diferença com aquilo que temos. Não se trata de ser o primeiro a descobrir a próxima tendência ou ferramenta revolucionária, mas sim de atuar como um jardineiro nesses ambientes e cultivar sistemas, pessoas e culturas capazes de absorver cada nova mudança e transformá-la em resultado consistente", completou.

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