Compras: 31% dos brasileiros dizem ter aumentado a compra de marcas próprias em relação ao início de 2025 (Magnific)
Repórter de Marketing
Publicado em 20 de agosto de 2026 às 16h30.
Última atualização em 21 de agosto de 2026 às 09h32.
As marcas próprias estão ganhando espaço na compra dos brasileiros, mas ainda não conseguiram transformar o avanço em preferência consolidada. É o que mostra o Estudo Global de Marcas Próprias 2026, realizado pela consultoria Simon-Kucher, que ouviu 14 mil consumidores em 14 países, incluindo mil brasileiros, entre 16 e 27 de janeiro deste ano.
Segundo a pesquisa, na América Latina, 32% dos entrevistados afirmam comprar mais produtos de marca própria do que há um ano, enquanto 90% dos consumidores desse segmento consideram que essas marcas oferecem uma boa relação entre qualidade e preço.
No Brasil, o movimento é semelhante: 31% dos entrevistados dizem ter aumentado a compra de marcas próprias em relação ao início de 2025.
O avanço das marcas próprias, porém, é desigual entre as categorias. Quanto mais sofisticado o posicionamento do produto, menor é o crescimento. Nos itens básicos, o saldo entre quem aumentou e quem reduziu a compra chega a +12 pontos percentuais no país. Nos produtos de posicionamento médio, fica em +5 pontos, enquanto nos premium passa para -1 ponto.
A diferença ajuda a explicar o estágio atual desse mercado. Segundo a análise da Simon-Kucher, o consumidor tende a experimentar primeiro produtos em que o risco percebido e o desembolso são menores.
Nos itens premium, por outro lado, a marca de referência continua mais enraizada e a percepção de qualidade ganha peso na decisão de compra."Estamos entrando numa fase muito interessante das marcas próprias no Brasil. O varejista já percebeu que pode usar sua marca para criar produtos que tenham identidade, atendam necessidades específicas do seu consumidor e diferenciem sua rede", diz Johnny Reitzfeld, fundador e CEO da Amicci.
É nesse cenário que acontece o PL Connection 2026, nos dias 25 e 26 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento, focado em marcas próprias da América Latina, terá como tema "Brasil na Prateleira – onde o varejo, a indústria e o consumidor se conectam". A edição espera reunir mais de 5 mil profissionais, cerca de 150 expositores e 100 decisores dos maiores varejistas brasileiros, além de oferecer mais de 20 horas de conteúdo.
Um dos dados mais curiosos do levantamento é o fator geracional. No Brasil, o crescimento declarado das marcas próprias está concentrado nos consumidores de até 44 anos. Entre os mais jovens, de 18 a 24 anos, o saldo entre quem aumentou e quem diminuiu a compra chega a +11 pontos percentuais considerando todos os tipos de produtos.
Entre 25 e 34 anos, fica em +10 pontos, e entre 35 e 44 anos, em +8 pontos. Depois dos 45, o avanço perde força e fica mais concentrado nos produtos básicos.
Isso não significa, contudo, que os brasileiros mais jovens já tenham abandonado as marcas tradicionais. A preferência por essas marcas aparece em todas as faixas etárias e se intensifica entre consumidores com mais de 45 anos.
É justamente aí que aparece um dos principais desafios apontados pelo estudo. Apesar do aumento da frequência de compra, a marca própria ainda ocupa uma posição minoritária em boa parte das cestas brasileiras.
Na categoria de café da manhã e padaria, por exemplo, as marcas próprias têm a maior participação relativa entre os segmentos analisados. Ainda assim, quando consideradas as diferentes categorias, de limpeza e mercearia a laticínios, bebidas, cuidados pessoais e produtos para pets, a presença de marcas tradicionais continua superior na maior parte dos casos.
A pesquisa resume esse cenário em uma distinção importante: a oportunidade para o varejo não está apenas em estimular a experimentação, mas em transformar essa experimentação em preferência. Ou seja, fazer com que o consumidor deixe de escolher a marca própria apenas quando busca economia e passe a considerá-la uma opção de referência.
O principal argumento para a compra, hoje, é econômico. No Brasil, a relação entre qualidade e preço aparece como o fator mais associado à escolha da marca própria.
Ao mesmo tempo, o levantamento indica que os consumidores que já compram esses produtos começam a perceber sua qualidade de maneira mais favorável em comparação às marcas tradicionais.
A disputa pela atenção do consumidor também passa pela percepção de qualidade. No Brasil, os principais motivos citados para a preferência por marcas tradicionais estão justamente relacionados à qualidade considerada mais confiável e à variedade mais ampla.
Para a Simon-Kucher, o próximo estágio de desenvolvimento das marcas próprias depende menos de simplesmente colocar mais produtos na prateleira e mais de reduzir o risco percebido pelo consumidor. Isso envolve entregar qualidade de maneira consistente, facilitar a escolha no ponto de venda, comunicar melhor os atributos dos produtos e aproveitar a confiança já construída pelo varejista.
O potencial, segundo o levantamento, ainda é amplo. A maior parte das categorias analisadas apresenta espaço para desenvolvimento no Brasil quando comparada à Europa, considerada pelo estudo um mercado mais maduro em marcas próprias.