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Mudança no Fed e no BCE pode travar juros e pressionar emergentes; entenda

Mudanças no Federal Reserve (Fed) e no Banco Central Europeu (BCE) podem trazer à tona banqueiros mais conservadores com política de juros mais rígida para a economia mundial

Fed: Donald Trump troca presidência da instituição em busca de juros mais baixos, mas tiro pode sair pela culatra. (Stefani Reynolds/Getty Images)

Fed: Donald Trump troca presidência da instituição em busca de juros mais baixos, mas tiro pode sair pela culatra. (Stefani Reynolds/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 11h20.

O cenário global enfrenta uma transição em duas principais autoridades monetárias: as lideranças do Federal Reserve (Fed) e do Banco Central Europeu (BCE), o que pode alterar a dinâmica dos mercados financeiros e até trazer um movimento de conservadorismo, com juros mais rígidos.

Fontes da Reuters indicam que o movimento fortalece o coro por banqueiros centrais mais tradicionais, conhecidos como "hawks" (falcões), cujas políticas priorizam o controle rígido da inflação em detrimento de estímulos monetários, segundo informações da coluna de Mike Dolan.

Nos Estados Unidos (EUA), a indicação de Kevin Warsh para assumir o comando do Fed a partir de maio é vista como um marco para uma postura mais conservadora, indica a agência. O seu antecessor, Jerome Powell, vinha sofrendo constantes ataques do presidente Donald Trump para cortar os juros.

Embora o atual indicado possa ter sinalizado internamente um compromisso com a redução de taxas para assegurar a nomeação, seu histórico e sua visão econômica sugerem uma resistência a políticas de afrouxamento prolongadas, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters.

Para os investidores, a gestão de Warsh pode representar um Fed menos disposto a ceder em novos cortes de juros, o que tende a sustentar o valor do dólar globalmente e elevar o custo de capital para empresas e governos.

Europa se prepara para mudança

Já no continente europeu, o BCE também se prepara para uma possível saída antecipada em sua presidência. Informações veiculadas pelo Financial Times e repercutidas pela Reuters indicam que Christine Lagarde poderá deixar o cargo antes do término de seu mandato em outubro de 2027.

O objetivo dessa saída em 2026 seria permitir que o presidente francês, Emmanuel Macron, tenha voz na escolha de seu sucessor antes do fim de seu próprio mandato em 2027, evitando que um eventual governo de extrema-direita na França ganhe influência sobre a instituição, informou a agência.

A sucessão de Lagarde abre espaço para que a Alemanha, maior economia do bloco, reivindique pela primeira vez a presidência do BCE. Para fontes ouvidas pela Reuters, nomes como o do presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, surgem com força, já que ele tem uma visão mais rígida quanto aos riscos inflacionários.

Caso essa liderança se materialize de fato, ou mesmo com a ascensão de outros perfis conservadores como o croata Boris Vujcic para a vice-presidência, o Banco Central Europeu poderá demonstrar uma resistência muito maior a novas rodadas de flexibilização monetária, afirmaram especialistas à agência.

Impactos para emergentes e Brasil

A convergência para políticas monetárias mais restritivas nas duas maiores economias do mundo cria um ambiente de maior pressão para os mercados emergentes. Investidores globais já estão se preparando para um cenário de boom econômico com inflação persistente, conforme analistas ouvidos pela Reuters.

A manutenção de juros elevados nos EUA e na Europa, sob gestões mais conservadoras, tende a restringir o fluxo de capitais para economias em desenvolvimento, como o Brasil, à medida que os títulos das economias centrais se tornam mais atrativos devido aos rendimentos e à segurança, disseram à agência.

Esse movimento pode resultar em uma pressão adicional sobre o câmbio, encarecendo o dólar frente ao real, e elevar o risco percebido dos ativos brasileiros. O custo de capital no Brasil pode sofrer, ainda, pressões de alta, impactando valuations de empresas listadas e a trajetória da dívida pública.

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