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Quem é Kevin Warsh, indicado de Trump para comandar o Fed em meio à pressão por juros mais baixos

A indicação reacende o debate sobre a independência do banco central; o nome ainda precisa ser confirmado pelo Senado americano

Warsh reúne experiência em crises financeiras e posições firmes sobre inflação.

Warsh reúne experiência em crises financeiras e posições firmes sobre inflação.

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Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 21h06.

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Há quase duas semanas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou sua indicação para a presidência do Federal Reserve (Fed): Kevin Warsh. Ele poderá assumir o cargo em maio, ao término do mandato de Jerome Powell. O nome ainda precisa ser confirmado pelo Senado americano, mas a escolha já provoca repercussões relevantes nos mercados e no debate sobre a independência do banco central dos EUA.

Trump vinha sinalizando há dias que a decisão estava tomada. Em publicação em sua rede social, afirmou conhecer Warsh “há muito tempo” e disse não ter dúvidas de que ele poderá ser lembrado como “um dos grandes presidentes do Fed”. A escolha ocorre em um momento de forte pressão política por cortes nas taxas de juros, bandeira central do discurso econômico do republicano.

Nascido em 1970, em Albany, no estado de Nova Iorque, Kevin Warsh construiu sua trajetória entre o setor financeiro, o governo e a vida acadêmica. Iniciou a carreira no banco de investimentos Morgan Stanley, onde atuou por sete anos na área de fusões e aquisições, chegando aos cargos de vice-presidente e diretor-executivo.

Em 2002, ingressou no serviço público como assessor especial do então presidente George W. Bush para política econômica e secretário-executivo do Conselho Econômico Nacional (NEC, na sigla em inglês). Em 2006, Warsh foi nomeado para o Conselho de Governadores do Federal Reserve, tornando-se, aos 35 anos, o mais jovem diretor da história da instituição.

Permaneceu no cargo até 2011 e teve papel central durante a crise financeira global de 2008, atuando como principal interlocutor entre o Fed e Wall Street e como representante do banco central americano no G20. À época, trabalhou ao lado do então presidente do Fed, Ben Bernanke, na formulação de medidas de resgate ao sistema financeiro.

“Falcão” no combate à inflação

Apesar de seu envolvimento direto nas ações emergenciais do período, Warsh ficou conhecido por alertar sobre os riscos de aumento da inflação associados aos estímulos e à expansão do balanço do Fed — uma ameaça que, naquele momento, não se confirmou. Ainda assim, consolidou a reputação de “falcão” no combate à inflação e crítico do uso prolongado de compras de ativos como instrumento permanente de política monetária.

Após deixar o Fed, Warsh retornou ao setor privado e à vida acadêmica. Tornou-se pesquisador visitante da Hoover Institution, na Universidade de Stanford, e professor visitante na Stanford Graduate School of Business.

Paralelamente, manteve presença ativa no debate público sobre política monetária e chegou a ser cotado para cargos de alto escalão na administração Trump, incluindo o Departamento do Tesouro. Seu nome já havia sido considerado para presidir o Fed em 2017.

Perspectivas

Nos últimos anos, Warsh passou a defender que ganhos de produtividade — especialmente associados à inteligência artificial — permitem juros estruturalmente mais baixos sem pressionar os preços. Em linha com Trump, argumenta que o banco central não precisa sacrificar o mercado de trabalho para controlar a inflação.

Ao mesmo tempo, sustenta que o Fed extrapolou suas atribuições ao ampliar excessivamente seu balanço e ao adotar práticas de comunicação que, para ele, fragilizam a credibilidade da instituição.

A indicação ocorre em meio a uma relação cada vez mais tensa entre Trump e o atual presidente do Fed. Jerome Powell foi alvo de críticas públicas por resistir a cortes mais agressivos nos juros e chegou a afirmar que sofreu tentativas de intimidação política. Para democratas, como a senadora Elizabeth Warren, a escolha de Warsh reforça o risco de captura política do banco central.

Acompanhe tudo sobre:Donald TrumpEstados Unidos (EUA)Fed – Federal Reserve System

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