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Fundos do Oriente Médio terão quase 50% da Warner-Paramount

Megaoperação de US$ 111 bilhões mostra dependência de capital do Oriente Médio em Hollywood

Warner e Paramount: nova gigante da mídia nasce com forte capital internacional. (Jonathan Raa/NurPhoto/Getty Images)

Warner e Paramount: nova gigante da mídia nasce com forte capital internacional. (Jonathan Raa/NurPhoto/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 28 de abril de 2026 às 09h13.

A Paramount avançou na compra da Warner Bros Discovery em um negócio de US$ 111 bilhões ou cerca de R$ 553 bilhões. Quase metade da nova empresa deve ficar com investidores estrangeiros, principalmente fundos do Oriente Médio.

A empresa informou às autoridades dos Estados Unidos (EUA) que a participação estrangeira deve ficar "ligeiramente inferior a 50%" depois da conclusão, em documentos analisados pelo Financial Times.

O pedido foi feito à Federal Communications Commission (FCC) porque a legislação estadunidense limita a participação estrangeira com direito a voto em empresas de radiodifusão a 25%, exigindo autorização para ultrapassá-lo.

Financiamento do negócio

Grande parte do financiamento vem de três fundos soberanos do Oriente Médio. Juntos, eles devem investir cerca de US$ 24 bilhões. O fundo de investimento público da Arábia Saudita deve ficar com 15,1%.

Já a L’Imad, veículo de investimento apoiado por Abu Dhabi, deve ter 12,8%, enquanto a Qatar Investment Authority deve ficar com 10,6%. Os percentuais se referem à fatia na companhia resultante da fusão.

Outros investidores estrangeiros também participam, mas com fatias menores e abaixo de 10%, sem divulgação individual.

Controle segue o mesmo

A família Ellison, que já comanda a Paramount junto com a RedBird Capital, continuará com o poder de decisão, ou seja, o controle da nova empresa resultante da fusão não muda.

Nenhum desses investidores terá "direitos de voto, assentos no conselho ou participação na governança".

Caso os recursos estrangeiros não se concretizem, há uma garantia financeira da família Ellison, que se compromete a bancar o valor necessário para concluir a transação.

Influência crescente

Países do Oriente Médio vêm ampliando presença em setores como entretenimento, esportes e turismo, em um movimento para reduzir a dependência do petróleo.

O Financial Times destaca que esses aportes somam centenas de bilhões de dólares nos últimos anos, e, mesmo sem controle direto, o volume investido garante uma posição relevante dentro da indústria global de mídia.

A nova empresa vai reunir ativos importantes de mídia, como CBS News e CNN, o que costuma atrair maior atenção de reguladores.

Preocupação dos impactos

Pessoas próximas ao tema disseram que já existe preocupação dentro da CNN sobre possíveis impactos na linha editorial, especialmente por conta das conexões políticas da família Ellison.

Tensões recentes envolvendo os EUA e países do Oriente Médio levantam, também, incertezas sobre o ritmo desses investimentos, embora a expectativa siga sendo de conclusão do negócio.

Dentro do governo estadunidense, o tom até agora é favorável. O presidente da FCC classificou a operação como "um bom negócio" e indicou que a análise deve ocorrer de forma rápida.

Um porta-voz da Paramount afirmou, ainda, que o envio de documentos ao regulador é "completamente padrão para investimentos desse tipo" e não representa uma condição para o fechamento da compra.

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