Paramount: empresa tenta levantar bilhões com fundos do Oriente Médio para financiar compra da Warner (Mario Tama/Getty Images)
Repórter
Publicado em 6 de abril de 2026 às 08h59.
A Paramount está em conversas para levantar cerca de US$ 24 bilhões com fundos soberanos do Oriente Médio para financiar a compra da Warner Bros. Discovery, segundo o Wall Street Journal.
O principal aporte viria do Public Investment Fund, da Arábia Saudita, que teria concordado em investir cerca de US$ 10 bilhões. Também participam das tratativas a Qatar Investment Authority e a L’imad Holding, de Abu Dhabi.
As conversas ocorrem em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio, impulsionadas pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Em fevereiro, a Paramount anunciou a compra da Warner Bros. Discovery por US$ 81 bilhões. Considerando a dívida, o valor total da transação pode chegar a US$ 110 bilhões.
O negócio ainda depende de aprovação regulatória na Europa, mas executivos já trabalham com a expectativa de conclusão até o fim de julho.
O grupo é liderado por David Ellison, filho do bilionário Larry Ellison, e conta com apoio da RedBird Capital Partners.
Os recursos dos fundos soberanos devem ajudar a reduzir o custo da operação para os investidores principais. Ainda assim, a Paramount já indicou que a família Ellison cobriria integralmente o valor caso necessário.
Segundo as fontes, os fundos do Golfo não terão direito a voto na nova empresa combinada. Além disso, como cada investidor terá participação inferior a 25%, a operação não deve acionar revisões obrigatórias por órgãos como o Comitê de Investimentos Estrangeiros dos EUA (Cfius) ou a Comissão Federal de Comunicações (FCC).
Segundo o WSJ, a Paramount também garantiu cerca de US$ 54 bilhões em financiamento via dívida com instituições como Bank of America, Citigroup e Apollo Global Management.
A aquisição ocorreu após uma disputa com a Netflix, que também negociava a compra da Warner. A Paramount elevou a proposta e garantiu a aquisição.
Versões iniciais do acordo previam participação de investidores como a Tencent e a Affinity Partners, gestora fundada por Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump. Ambos, no entanto, deixaram as negociações posteriormente.