Hollywood: artistas criticam fusão entre estúdios e apontam riscos à indústria audiovisual (Divulgação/ Montagem EXAME)
Repórter
Publicado em 13 de abril de 2026 às 10h59.
Última atualização em 13 de abril de 2026 às 11h01.
Mais de 1.000 artistas de Hollywood divulgaram nesta segunda-feira, 13, uma carta contra a aquisição da Warner pela Paramount, alertando para impactos negativos sobre empregos, produção de filmes e concorrência na indústria audiovisual.
O documento foi assinado por atores e diretores como David Fincher, Joaquin Phoenix, Mark Ruffalo, Kristen Stewart, Lily Gladstone e Yorgos Lanthimos. No texto, os signatários afirmam que a fusão pode gerar “menos oportunidades para criadores, menos empregos em toda a cadeia de produção, custos mais altos e menos opções para o público”.
A carta aponta que a indústria cinematográfica já enfrenta uma redução no número de produções e na diversidade de histórias financiadas. Segundo os autores, um grupo cada vez menor de empresas tem concentrado decisões sobre o que é produzido e distribuído, o que limita o espaço para criadores independentes.
O movimento foi organizado por entidades como o Committee for the First Amendment, liderado por Jane Fonda, além do Democracy Defenders Fund e da Future Film Coalition.
Os profissionais afirmam que o setor já enfrenta uma retração relevante, marcada pela queda no número de filmes produzidos e pela redução da diversidade de histórias financiadas. Segundo o texto, decisões sobre o que é produzido e distribuído estão cada vez mais concentradas em um grupo restrito de grandes empresas, o que limita o espaço para criadores independentes.
A carta destaca que esse movimento de consolidação tem efeitos estruturais na indústria. Entre eles, o desaparecimento de filmes de médio orçamento, a perda de força da distribuição independente e o enfraquecimento do mercado internacional de vendas. Também cita a redução de participações nos lucros e mudanças nos créditos de tela, apontadas como sinais de deterioração das condições para profissionais do setor.
O impacto, segundo os signatários, vai além dos estúdios e atinge diretamente a base da cadeia produtiva, formada por pequenas empresas e trabalhadores independentes espalhados por diferentes regiões dos Estados Unidos.
A aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount foi fechada por US$ 111 bilhões, após disputa com a Netflix. O CEO da Paramount, David Ellison, defende que o acordo ampliará investimentos e prevê maior volume de lançamentos nos cinemas.
Apesar disso, o documento afirma que a operação pode gerar “menos oportunidades para criadores, menos empregos em todo o ecossistema de produção, custos mais altos e menos opções para o público” nos Estados Unidos e em outros mercados.
Os profissionais também criticam o que chamam de priorização de interesses de um grupo restrito de stakeholders em detrimento do interesse público, apontando riscos à independência e à diversidade da indústria audiovisual.
Pressão regulatória e risco de bloqueio
A operação ainda depende de aprovação regulatória, e o debate ganhou força nos Estados Unidos. O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, é citado na carta como uma das autoridades que analisam a fusão e avaliam possíveis medidas para barrar o negócio.
"Como cineastas, documentaristas e profissionais de toda a indústria de cinema e televisão, escrevemos para expressar nossa oposição inequívoca à proposta de fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery.
Essa transação aprofundaria ainda mais a concentração de um cenário de mídia que já é altamente concentrado, reduzindo a concorrência em um momento em que nossas indústrias — e o público que atendemos — menos podem arcar com isso. O resultado será menos oportunidades para criadores, menos empregos em todo o ecossistema de produção, custos mais altos e menos opções para o público nos Estados Unidos e no mundo. De forma alarmante, essa fusão reduziria o número de grandes estúdios de cinema dos EUA para apenas quatro.
Nossa indústria já enfrenta forte pressão, em grande parte devido a ondas anteriores de consolidação. Temos observado uma queda acentuada no número de filmes produzidos e lançados, juntamente com uma redução na diversidade de histórias que recebem financiamento e distribuição. Cada vez mais, um pequeno grupo de entidades poderosas decide o que é produzido — e em quais termos —, deixando criadores e empresas independentes com menos caminhos viáveis para sustentar seu trabalho.
A consolidação da mídia acelerou o desaparecimento dos filmes de médio orçamento, a erosão da distribuição independente, o colapso do mercado internacional de vendas, a eliminação de participações significativas nos lucros e o enfraquecimento da integridade dos créditos de tela.
Em conjunto, esses fatores ameaçam a sustentabilidade de toda a comunidade criativa. Isso inclui colocar em risco a vida profissional de dezenas de milhares de trabalhadores que compõem essa comunidade, majoritariamente em pequenas empresas e companhias independentes inseridas em economias e comunidades locais em todo o país.
Estamos profundamente preocupados com indícios de apoio a essa fusão que priorizam os interesses de um pequeno grupo de stakeholders poderosos em detrimento do interesse público mais amplo. A integridade, a independência e a diversidade da nossa indústria seriam gravemente comprometidas.
A concorrência é essencial para uma economia saudável e uma democracia saudável. Assim como uma regulação e fiscalização cuidadosas. A consolidação da mídia já enfraqueceu uma das indústrias globais mais vitais dos Estados Unidos — uma que há muito tempo molda a cultura e conecta pessoas ao redor do mundo.
Felizmente, há quem esteja agindo diante disso. O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, e seus colegas em outros estados estariam analisando a fusão e considerando ações legais para bloqueá-la. Somos gratos por sua liderança e estamos prontos para apoiar todos os esforços para preservar a concorrência, proteger empregos e garantir um futuro vibrante para nossa indústria, para a cultura americana e para nosso mais significativo produto de exportação."