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Aneel confirma contratação de termelétricas de leilão de reserva de energia

Decisão abrange apenas as usinas termelétricas com possibilidade de operação ainda em 2025

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 21 de maio de 2026 às 18h41.

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A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) homologou nesta quinta-feira, 21, parte do resultado do leilão promovido pelo governo federal para reforçar a segurança do sistema elétrico. Nesta etapa, a decisão abrange apenas as usinas termelétricas com possibilidade de operação ainda em 2025, a partir de agosto. Os demais projetos seguem em análise para homologação posterior.

A conclusão parcial do processo ocorre em meio a disputas judiciais e questionamentos apresentados em órgãos de controle. O cronograma definido no edital previa que a homologação deveria ocorrer até esta quinta-feira.

Foram confirmados como vencedores, na primeira fase do leilão, dez empreendimentos movidos a gás natural, incluindo projetos ligados à Eneva, J&F e Petrobras. Também receberam homologação três termelétricas movidas a diesel, pertencentes à Petrobras, Companhia Energética de Petrolina e Usina Xavantes.

Nesta semana, a unidade técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou uma medida cautelar para interromper parcialmente a homologação do certame.

O ministro Jorge Oliveira, responsável pela relatoria do caso, decidiu não adotar a recomendação neste momento. O magistrado determinou que a Aneel apresente esclarecimentos, em até cinco dias úteis, sobre os pontos levantados pela equipe técnica.

Os técnicos do TCU identificaram “risco de contratação desvantajosa e de longa duração, com repercussões expressivas para os consumidores e para a racionalidade econômica da expansão de potência no sistema elétrico nacional”.

Segundo a área técnica do tribunal, existem indícios de que os valores contratados no leilão estejam acima do esperado em razão da modelagem adotada. O entendimento é que os agentes podem ter apresentado propostas próximas ao teto estipulado pelo comprador, em vez de utilizarem como referência a remuneração calculada a partir do custo eficiente necessário para investimentos e operação das usinas.

Os critérios de precificação definidos para o leilão já vinham sendo questionados no TCU antes mesmo da realização do certame, realizado em março em duas etapas.

Inicialmente, o governo federal previa realizar o leilão apenas no segundo trimestre de 2025. Após disputas na Justiça, o processo foi antecipado para este ano. A primeira sessão, em 18 de março, contemplou termelétricas a gás natural, projetos de usinas a carvão mineral já em operação e ampliações de hidrelétricas. A segunda etapa, realizada no dia 20, reuniu termelétricas existentes movidas a óleo diesel, óleo combustível e biodiesel.

A iniciativa conduzida pelo Ministério de Minas e Energia resultou na contratação de 18,97 GW de potência, o maior volume já registrado em um leilão desse tipo no país. A previsão é de movimentação de cerca de R$ 64,5 bilhões. Ao longo dos contratos, a estimativa aponta que os consumidores deverão pagar aproximadamente R$ 515,7 bilhões em receitas destinadas às geradoras, cenário que ampliou os questionamentos sobre o modelo adotado no processo.

*Com informações da Agência O Globo.

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