Energia: executivos se reúnem em Houston sob impacto da guerra e alta do petróleo (Brett Coomer/Houston Chronicle via Getty Images)
Repórter
Publicado em 24 de março de 2026 às 07h00.
Executivos do setor de energia demonstraram preocupação com os impactos da guerra no Oriente Médio durante o CERAWeek, realizado em Houston, enquanto o governo de Donald Trump tenta minimizar os efeitos da crise sobre os mercados.
O evento reúne cerca de 10 mil líderes da indústria e ocorre em meio à escalada do conflito com o Irã e ao bloqueio do Estreito de Ormuz, ponto-chave para o transporte global de petróleo.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou na abertura do evento que as turbulências são de curto prazo e que os efeitos positivos devem prevalecer no longo prazo.
Segundo ele, o governo adotou medidas para conter a alta dos combustíveis, incluindo a flexibilização de sanções sobre o petróleo russo e iraniano — estratégia voltada a ampliar a oferta global.
A escalada dos preços ocorre em um momento sensível para Trump, a poucos meses das eleições de meio de mandato.
Executivos da indústria demonstraram avaliação mais cautelosa. O CEO da Chevron, Mike Wirth, afirmou que o mercado pode estar subestimando a duração e os efeitos do conflito.
Segundo ele, há preocupação especialmente na Ásia com o abastecimento de petróleo e, mesmo após o fim da guerra, será necessário tempo para recompor estoques e reparar infraestrutura.
Já Sultan Al Jaber, da Adnoc, classificou o bloqueio de Ormuz como “terrorismo econômico” e alertou para riscos globais.
O CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, projetou preços elevados do gás caso a rota não seja reaberta, com impacto direto sobre a Europa.
Durante o evento, a TotalEnergies anunciou que receberá cerca de US$ 1 bilhão em compensação por abandonar projetos de energia eólica offshore nos EUA e que deve redirecionar os investimentos para combustíveis fósseis, incluindo gás natural liquefeito (GNL).
A mudança reflete a política energética do governo Trump, que reverteu iniciativas da gestão de Joe Biden voltadas à expansão de energias renováveis.
O secretário do Interior, Doug Burgum, afirmou que o governo prioriza “realidades energéticas”, em defesa da exploração de petróleo, gás e carvão.
O evento também discute a reaproximação entre EUA e Venezuela após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro por forças americanas.
O governo Trump passou a incentivar investimentos no país, que enfrenta crise estrutural no setor energético. Segundo Chris Wright, a produção venezuelana já aumentou em 200 mil barris por dia.
*Com AFP