O avanço é capitaneado tanto pela expansão agressiva de fabricantes asiáticos, quanto pela diversidade de tecnologias disponíveis para o consumidor (Leandro Fonseca/Exame)
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Publicado em 14 de agosto de 2026 às 20h42.
Os veículos eletrificados alcançaram um marco histórico no mercado brasileiro em julho de 2026, respondendo por 23,3% dos emplacamentos de carros zero-quilômetro no País. Segundo levantamento da consultoria Bright Consulting, foram comercializadas 61.781 unidades no mês, elevando o acumulado do ano a 303.831 veículos — um crescimento de 123% em relação ao mesmo período de 2025.
Enquanto o mercado tradicional de veículos a combustão apresenta sinais de estabilização, a eletrificação se consolida como um motor de transformação da indústria automotiva nacional. O avanço é capitaneado tanto pela expansão agressiva de fabricantes asiáticos — com destaque para BYD e GWM, que registraram recordes de vendas e impulsionaram a presença de marcas chinesas a 23% do mercado em julho — quanto pela diversidade de tecnologias disponíveis para o consumidor.
As diferenças mecânicas e operacionais de cada categoria são:
BEV (Battery Electric Vehicle - Elétrico puro): Veículos movidos exclusivamente por eletricidade e baterias recarregáveis em tomadas, wallboxes ou eletropostos. Não utilizam nenhum combustível fóssil. Em julho, os elétricos puros puxaram a dianteira com mais de 25 mil unidades vendidas, impulsionados por modelos populares como o BYD Dolphin Mini.
PHEV (Plug-in Hybrid Electric Vehicle - Híbrido plug-in): Combinam um motor a combustão e um motor elétrico acoplado a baterias maiores, que podem ser recarregadas externamente na tomada. Permitem rodar dezenas de quilômetros apenas no modo elétrico, oferecendo alta autonomia (como o BYD Song Pro e o GWM Haval H6).
HEV (Hybrid Electric Vehicle - Híbrido convencional): Contam com motores térmicos e elétricos que operam em conjunto para mover as rodas, mas não possuem tomada para recarga externa. A energia é recuperada pelas frenagens regenerativas e pelo próprio motor a combustão (exemplos clássicos incluem o Toyota Corolla Cross e o Honda Civic).
MHEV (Mild Hybrid Electric Vehicle - Híbrido leve): Representam o nível mais básico de eletrificação. O motor elétrico não traciona as rodas sozinho; ele atua apenas como um pequeno gerador e auxiliar momentâneo para aliviar o esforço do motor a combustão em saídas e retomadas, gerando ganhos moderados de eficiência.
REEV/EREV (Range Extended Electric Vehicle - Elétrico com extensor de autonomia): Sistema em que as rodas são movimentadas exclusivamente por um motor elétrico, enquanto um motor a combustão interna atua estritamente como gerador para recarregar a bateria quando necessário, eliminando a "ansiedade de autonomia" em viagens longas.
Tendências e perspectivas do setor
O avanço dos eletrificados no Brasil ocorre em meio a debates sobre a política de importação e a produção local, com alertas de instituições como a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) de que o uso predominante de montagem em regime SKD — onde o veículo importado chega parcialmente desmontado em grandes blocos, exigindo apenas a montagem final — resulta em um menor aproveitamento da cadeia de fornecedores nacionais, diferentemente do sistema CKD, em que o veículo chega fragmentado e exige uma linha de produção local mais complexa com soldagem e pintura.
Apesar dessas discussões na indústria automotiva e das preocupações com o impacto na fabricação nacional, a preferência do consumidor brasileiro por frotas mais eficientes e limpas cresce, impulsionada por opções que vão desde os híbridos até os elétricos puros. Embora ainda não representem a maioria absoluta do mercado, os carros eletrificados registram um crescimento expressivo e já pavimentam o caminho para se tornarem uma presença cada vez mais comum nas ruas e garagens do País.