Marisa: companhia reverte lucro em prejuízo no segundo trimestre de 2026 (Marisa/Divulgação)
Repórter de finanças
Publicado em 14 de agosto de 2026 às 18h44.
Última atualização em 14 de agosto de 2026 às 19h19.
Mesmo com a melhora na operação após o fechamento de lojas, a Marisa (AMAR3) reportou um prejuízo de R$ 68,37 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 2,1 milhões no mesmo trimestre do ano anterior.
A receita líquida também retraiu 2,1%, para R$ 386,23 milhões, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) pós-IFRS 16, caiu 31,7%, para R$ 75,92 milhões, com a margem recuando 8,5 ponto percentual (p.p.) para 19,7%.
Edson Salles, CEO do grupo, faz um adendo. “O que vai me trazer o resultado do futuro é sempre o recorrente”, diz o executivo. “É quando eu olho para a mesma base, as vendas de mesmas lojas, que de fato vai me dar segurança.”
Ao olhar para esse indicador, a receita líquida subiu 3,2% para R$ 379,4 milhões — ou 5,3% excluindo o efeito da Copa do Mundo. O lucro bruto avançou 5,2% para R$ 194,63 milhões, enquanto a margem bruta de produto cresceu 1,1 p.p. para 51,3%. O Ebitda pós-IFRS 16 avançou 16,4% para R$ 74,55 milhões, com margem de 19,6%, alta de 2,2 p.p..
Há dois anos a frente do cargo, Salles conta que a o caminho traçado até então está trazendo resultados: 2024 foi o ano de reestruturar, 2025 de estabilizar e 2026 de rentabilizar. E parte da estratégia foi justamente o fechamento de lojas não rentáveis. Desde o fim de 2024, foram fechadas 20 lojas, concentrando seu patrimônio, atualmente, em 214 lojas.
“Mesmo com ajustes de custo e renegociações de aluguel, às vezes a loja continua não sendo rentável. A última opção é fechar. Quando entendemos que o mercado mudou, que o potencial de venda é menor e que o esforço e o investimento necessários seriam muito grandes, não vale a pena manter aquela unidade”, explica Salles.
Um fechamento emblemático foi a loja da Avenida Paulista, mais próxima do Jardins, bairro nobre da cidade. A empresa manteve, no entanto, a loja próxima da avenida Brigadeiro Luís Antônio.
Segundo ele, a companhia não visa abrir mais lojas por enquanto, nem expandir as existentes. Mas a ideia é transformá-las em “lojas almas”, onde o cliente encontra um ambiente iluminado, vitrines mais bem dispostas, promoções no centro e segmentos que chamem a atenção na entrada, como o infantil.
“Eu sempre brinco que a ideia é entrar em uma loja e a pessoa falar ‘eu gosto tanto dessa loja, não sei porque, mas eu gosto'. Isso vai além do produto”, ilustra Salles.
Avançar no digital também faz parte da estratégia. No trimestre, o segmento cresceu 13,1% e, no semestre, 17%. “É um canal que estamos olhando com bastante atenção, porque precisa ser rentável. Hoje, ele é rentável na Marisa. Estamos crescendo a receita e a rentabilidade, e o digital aumentou sua participação no negócio para 7%.”
Hoje, 55% das vendas digitais têm integração com o físico. O cliente compra no digital, vai à loja retirar e acaba comprando mais alguma coisa. Com isso, aumentaram o ticket médio do digital para algo em torno de R$ 130 a R$ 140. “Quando a pessoa vai à loja retirar, o valor é um pouco maior”, afirma.
No total, a companhia tem uma base de aproximadamente 6,4 milhões de clientes, um crescimento de 13% em seis meses, e 1,1 milhão de clientes de cartão. “Medimos clientes que entram na loja em diferentes períodos e nosso NPS melhorou 27,6 pontos no trimestre contra o ano passado. Isso é muito alto e mostra que a satisfação dos clientes está melhorando.”
De acordo com o executivo, o grupo está conseguindo trazer clientes da concorrência. “O objetivo é fazer com que clientes que não voltavam voltem, aumentar a recorrência daqueles que compram mais vezes ao ano e reduzir a chamada mortalidade, que são aqueles clientes que ficam mais de 12 meses sem comprar”, pontua.
As pesquisas são o centro de tudo. Foi assim que a Marisa buscou voltar às origens e apostar, novamente, na mulher da Classe C — ou seja, uma parcela considerável da população dessa classe, em torno de 130 milhões. “Fizemos um ajuste de preço para termos o máximo de oportunidade com as clientes que têm orgulho de carregar a nossa marca, mas que antes talvez achassem a Marisa menos acessível”, afirma.
Durante um período, a Marisa tentou competir com marcas como Renner, Riachuelo e C&A, mas optou por apostar num público de mais baixa renda novamente, competindo agora com companhias como Torra e Caedu. “Reduzimos os riscos, ajustamos o estilo e acertamos a precificação, entendendo o benchmark de mercado e como fazer a nossa precificação.”
Junto com isso, houve uma eficiência nas despesas. A companhia reduziu em 10,9% as despesas gerais e administrativas no trimestre e quase 15% no semestre. “Não são medidas pontuais. São movimentos que colocamos em prática, como a locação do centro de distribuição, a transferência para um prédio mais otimizado e toda a reorganização que temos feito nas lojas. Isso vem trazendo mais rentabilidade recorrente.”
O intuito é resgatar o “De mulher para mulher”, mas também trazer a família para dentro da loja. Hoje, 84% das pessoas que estão nas lojas são mulheres e 70% delas têm em média dois filhos. Por isso, o infantil é uma alavanca importante, com um potencial grande, principalmente atraindo mães de 20 a 35 anos.
“Infantil e masculino também são oportunidades importantes. No masculino, temos 16% de homens frequentando a loja e ainda não temos essa participação correspondente em vendas. É uma oportunidade grande. A mulher compra para o marido, mas também existe a oportunidade de o marido entrar na loja com a mulher para comprar para os filhos e conhecer o masculino”, conta Salles.