Bolsas: mercados globais caem mesmo com cessar-fogo no Irã. (wirestock/Freepik)
Repórter de Invest
Publicado em 9 de abril de 2026 às 08h54.
As bolsas globais caem nesta quinta-feira, 9, com o aumento das incertezas sobre o cessar-fogo no Oriente Médio. O movimento fez o petróleo voltar a subir e reacendeu o alerta sobre inflação no mundo.
A trégua, que havia animado os mercados no dia anterior, começou a mostrar sinais de fragilidade, de acordo com fontes consultadas pela Reuters. E o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segue com ameaças.
Se o acordo não for cumprido, o republicano ressaltou que "os tiroteios começariam, maiores, melhores e mais fortes do que qualquer um jamais viu." Já o Irã ameaça romper a trégua.
O país do Golfo Pérsico tem forte controle sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, e ainda não há clareza sobre a liberação total da passagem de navios e nem sobre a segurança do trajeto.
Com a instabilidade, o petróleo do tipo Brent sobe cerca de 3,57% e se aproxima dos US$ 100 por barril hoje. Já a referência nos EUA, o West Texas Intermediate (WTI) avançou 4,80%, a US$ 98,94.
Depois de uma forte alta na véspera, os mercados voltaram a cair. Depois de saltar 3,7% ontem, o índice europeu Stoxx 600 sofreu queda de 0,66%, enquanto o Nikkei do Japão recua 0,73% e a bolsa da Coreia do Sul, -1,61%.
O índice Shanghai, da China, também acumula perdas de 0,72%. Já os futuros de S&P 500 apontavam alta de 2,51% e da Nasdaq operavam a +2,90%, indicando um sentimento de otimismo em Wall Street.
O chefe de serviços de investimento para o Reino Unido do Union Bancaire Privée, Peter Kinsella, afirmou à Reuters que o mercado ainda reage a cada nova notícia sobre o conflito, o que mantém o cenário instável.
"É muito difícil para os investidores, pois estão lidando com um conflito em que os protagonistas nem sequer sabem o que querem", detalhou.
A alta do petróleo deve, ainda, pressionar a inflação no mundo. Dados citados pela Reuters mostram que um indicador de preços já registra o maior avanço mensal desde 2008.
Nos EUA, a expectativa é de alta de 0,4% no núcleo da inflação, mesmo antes de considerar totalmente o impacto recente da energia, de acordo com informações compiladas pela Reuters.
Esse cenário também afeta os juros, e a ata do Federal Reserve (Fed) indicou que mais dirigentes já consideram possível subir os juros para conter a inflação, embora ainda haja cautela.
"O comitê concordou amplamente que era muito cedo para agir, sugerindo que o Fed provavelmente manterá as taxas de juros inalteradas este ano, em linha com nossa visão", segundo analistas do JP Morgan.
A economia europeia também preocupa, porque a produção industrial da Alemanha caiu de forma inesperada, sinalizando fraqueza na região, a partir de fontes consultadas pela agência.