Jamie Dimon: CEO do JP Morgan fala sobre risco de inflação (Bloomberg/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 6 de abril de 2026 às 08h35.
A inflação global pode voltar a subir em 2026 e frustrar as expectativas de desaceleração, afirmou o CEO do JP Morgan, Jamie Dimon, em carta anual aos acionistas divulgada nesta segunda-feira, 6.
Fatores como um pacote fiscal estimado em US$ 300 bilhões nos Estados Unidos e investimentos de até US$ 725 bilhões em inteligência artificial (IA) tendem a sustentar a demanda em um ambiente já pressionado.Uma eventual inflação persistente pode levar, ainda, a taxas de juros mais altas do que o mercado projeta, pressionando ativos financeiros e alterando o comportamento dos investidores, em meio à guerra no Irã.
Já exigências regulatórias mantêm recursos parados nos balanços bancários. "Somente o JP Morgan Chase terá mais de US$ 1 trilhão em liquidez utilizável, mas não poderá utilizá-la devido à inflexibilidade dos cálculos", afirmou.
Na avaliação de Dimon, embora haja liquidez abundante no sistema, parte relevante desses recursos não chega à economia real, reduzindo a eficiência do crédito e deixando o cenário da inflação mais complexo.
Entre os principais vetores inflacionários, o executivo destacou o impacto de conflitos geopolíticos sobre os preços de energia, especialmente com as guerras na Ucrânia e no Irã, que podem ocasionar choques longos.
Isso porque a alta dos preços do petróleo gera efeitos em cadeia, pressionando insumos como fertilizantes e impactando a produção de alimentos e outros setores, o que dificulta o controle inflacionário.
Dimon chama a atenção, ainda, para os déficits e endividamento global, que permanecem altos mesmo em um ambiente de crescimento econômico, criando um fator adicional de pressão inflacionária no médio prazo.
O mercado de crédito privado aparece, ainda, como ponto de atenção no cenário traçado por Jamie Dimon. O segmento, que cresceu de forma acelerada nos últimos anos, tem apresentado sinais de deterioração.
Isoladamente, isso não deve representar uma ameaça sistêmica, mas quando ocorrer um ciclo de inadimplência mais amplo, as perdas em operações alavancadas podem ser maiores do que o esperado, segundo Dimon.
Para o CEO, esse fator atrelado aos choques geopolíticos, estímulos econômicos e mudanças estruturais pode sustentar a inflação em níveis altos e exigir respostas mais duras dos bancos centrais.
"O desfecho dos atuais eventos geopolíticos pode muito bem ser o fator determinante de como a futura ordem econômica global se desenrolará — por outro lado, também pode não ser", disse.Esses riscos são como "placas tectônicas" em movimento na sua visão, podendo gerar impactos significativos quando colidem.