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Petróleo sobe 4% com apreensão sobre abertura do Estreito de Ormuz

Investidores hesitam em retirar 100% o prêmio de risco envolvendo a guerra no Irã, mesmo com o cessar-fogo temporário anunciado pelos EUA

Estreito de Ormuz: rota é responsável por 20% da produção de petróleo no mundo (Stringer/Reuters)

Estreito de Ormuz: rota é responsável por 20% da produção de petróleo no mundo (Stringer/Reuters)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 9 de abril de 2026 às 07h27.

A desconfiança do mercado em relação ao cessar-fogo temporário no Oriente Médio e ao futuro do fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz fez os preços do petróleo subirem 4% nesta quinta-feira, 9, para US$ 98,53 por barril.

Os dados se referem aos contratos futuros do tipo Brent, mas os futuros do tipo West Texas Intermediate (WTI), principal referência nos Estados Unidos (EUA), também subiram 3,7%, para US$ 98,36 o barril.

Investidores ouvidos pela Reuters afirmaram que hesitam em retirar 100% o prêmio de risco envolvendo a guerra no Irã, mesmo com o cessar-fogo temporário anunciado pelos EUA. Para eles, ainda não há clareza sobre as negociações entre os dois países, especialmente com o presidente Donald Trump ainda fazendo ameaças caso o fluxo do óleo não seja normalizado.

Mercado instável

A fundadora da Vanda Insights, Vandana Hari, afirmou à Reuters que uma retomada significativa do fluxo pelo Estreito no curto prazo parece improvável e que a volatilidade deve continuar.

O comportamento recente dos preços sugere instabilidade, visto que "o mercado futuro parece um pouco instável" e, sem incertezas, as cotações já teriam retornado aos níveis anteriores à trégua.

"As chances de uma reabertura significativa (do Estreito de Ormuz) em breve parecem remotas."Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights

Ainda assim, as cotações do petróleo seguem em um momento de baixa em comparação a outros picos durante o conflito, em que já chegaram a cerca de US$ 120 por barril.

Rotas perigosas

A normalização do fluxo também não elimina os riscos de imediato, porque os petroleiros podem enfrentar rotas perigosas e presença militar elevada, o que tende a manter os custos de seguro e frete elevados.

A avaliação é da estrategista-chefe de investimentos do Wealth Club, Susannah Streeter. "Mesmo que os embarques sejam retomados, os riscos não desaparecerão da noite para o dia", disse para a agência.

Os operadores marítimos têm, assim, aguardado definições claras antes de retomar o tráfego em Ormuz. Isso evidencia que há dúvidas sobre o termo da trégua, sua real efetividade e segurança.

autoridades iranianas chegaram a divulgar mapas com rotas consideradas seguras, em meio ao risco de minas navais, segundo informações obtidas pela Reuters.

Ataques no Oriente Médio

O ambiente de incerteza é agravado pela continuidade de ataques na região. A ofensiva de Israel no Líbano e ações do Irã contra infraestrutura energética em países vizinhos vão de contramão ao cessar-fogo.

Fontes da indústria indicaram à Reuters que até rotas alternativas, como oleodutos na Arábia Saudita, foram alvo de ataques recentes.

Kuwait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos relataram, ainda, episódios envolvendo mísseis e drones, reforçando a percepção de risco elevado sobre a oferta global de energia.

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