Curaçao: A menor nação já classificada para um Mundial encontrou no futebol um motivo de união nacional e orgulho coletivo (Federação de Curaçao)
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Publicado em 7 de junho de 2026 às 06h35.
Durante décadas, a Copa do Mundo foi para os moradores de Curaçao um evento para acompanhar pela televisão e torcer por outras seleções. O Brasil sempre esteve entre os favoritos da pequena ilha caribenha. Em 2026, porém, a história será diferente: pela primeira vez, os próprios curaçauenses estarão representados no maior torneio do futebol mundial.
Com pouco mais de 150 mil habitantes e uma área de apenas 443 quilômetros quadrados, Curaçao se tornou a menor nação da história, em população, a garantir vaga em uma Copa do Mundo. O feito transformou o futebol em um símbolo de identidade nacional e despertou um sentimento de orgulho que ultrapassou os limites do esporte.
A vaga histórica foi confirmada após um empate por 0 a 0 com a Jamaica nas eliminatórias da Concacaf. O resultado encerrou uma campanha invicta de dez partidas e desencadeou uma celebração sem precedentes na ilha.
Em entrevista ao ge, o presidente da Federação de Curaçao, Gilbert Martina, descreveu a atmosfera daquele momento. "Foi uma noite divina. Muito, muito lindo. Muito lindo no estádio, aqui em Curaçao, na ilha. Todos comemorando de uma forma que nunca festejaram. Foi incrível se classificar, sendo o menor país do mundo, para a maior Copa do Mundo", afirmou.
Acostumados a adotar seleções estrangeiras durante os Mundiais, muitos habitantes passaram a direcionar a paixão para a equipe nacional. O futebol se transformou em um elemento de união para uma população formada por diferentes influências culturais.
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Parte do sucesso recente da seleção está ligada à sua relação histórica com os Países Baixos. Curaçao é um país autônomo dentro do Reino dos Países Baixos e aproveitou mudanças nas regras de elegibilidade da Fifa para atrair jogadores com ascendência curaçauense que haviam passado pelas categorias de base holandesas.
Hoje, boa parte do elenco nasceu na Holanda, mas escolheu representar as origens familiares. Nomes como Leandro Bacuna, Eloy Room e Tahith Chong se tornaram referências da equipe que alcançou o feito inédito.
O capitão Bacuna é considerado uma das principais lideranças do grupo. Com experiência no futebol europeu, ele representa uma geração que ajudou a elevar o nível competitivo da seleção caribenha.
Outro personagem fundamental nessa trajetória é o técnico holandês Dick Advocaat. Veterano do futebol mundial, Advocaat assumiu a seleção em 2024 e liderou o projeto que culminou na classificação histórica. Aos 78 anos, ele se tornou uma das figuras centrais do crescimento da equipe.
Segundo a Reuters, o treinador adaptou seu estilo para equilibrar disciplina tática e a identidade caribenha dos jogadores. "Você não pode tirar a alegria deles", resumiu o técnico ao explicar sua filosofia de trabalho com o grupo.
A caminhada de Curaçao não será simples. A seleção caiu no grupo E, junto com Alemanha, Equador e Costa do Marfim, adversários que chegam ao torneio com maior tradição internacional.
Ainda assim, a equipe entra na competição carregando uma das histórias mais inspiradoras desta Copa. Depois de décadas acompanhando o torneio como espectadora, a pequena ilha caribenha conquistou seu lugar entre as maiores seleções do planeta.
A estreia de Curaçao será contra a Alemanha, no dia 14 de junho, às 17h (horário de Brasília), em Houston, no Texas. O segundo jogo, contra o Equador, será no dia 20 de junho, às 21h (horário de Brasília), em Kansas City, em Missouri. Já o último jogo da fase de grupos será contra a Costa do Marfim, no dia 25 de junho, às 17h (horário de Brasília), na Filadélfia, Pensilvânia.