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Copa do Mundo: cientistas alertam que calor intenso e alta umidade podem afetar jogadores e torcedores (Imagem gerada por IA)
Repórter
Publicado em 5 de junho de 2026 às 08h27.
A menos de uma semana da Copa do Mundo, uma das maiores preocupações para jogadores e torcedores não está dentro das quatro linhas. Cientistas alertam que o calor extremo e a alta umidade em parte das cidades-sede dos Estados Unidos podem representar um risco real à saúde durante o torneio.
Cientistas alertam para um risco crescente de calor extremo e alta umidade em cidades-sede dos Estados Unidos durante os meses de junho e julho. Em alguns locais, as condições climáticas podem representar ameaça à saúde de jogadores e torcedores antes mesmo do apito inicial, segundo o Financial Times.
A análise do jornal britânico utiliza dados climáticos de 1975 a 2025 e projeções do grupo científico World Weather Attribution. Em vez da temperatura do ar, os pesquisadores avaliaram o WBGT (sigla em inglês para "temperatura de globo de bulbo úmido") índice que combina calor, umidade, radiação solar e vento). O indicador é considerado perigoso acima de 28°C.
Houston registrou WBGT acima de 30°C em quase três quartos dos dias de junho e julho na última década.
Dallas superou esse nível em cerca de metade desses dias. Miami e Atlanta fizeram o mesmo em aproximadamente um quarto deles, segundo análise do Financial Times com base em dados dos pesquisadores Kong e Huber, da Universidade Stanford e da Universidade Purdue.
Em Houston, a probabilidade de superar o limiar de 26°C de WBGT durante os jogos dobrou em relação à Copa de 1994, passando de 51% para quase 100%, segundo o World Weather Attribution. Em Dallas, sete dos nove jogos programados têm probabilidade considerada quase certa de ultrapassar esse limite.
As 5 camisas mais icônicas da história da Copa do MundoPara todo o torneio, há uma chance de uma em quatro de que o WBGT atinja 30°C em pelo menos uma partida. Cerca de 26 jogos, o equivalente a um quarto do total, devem ocorrer sob condições iguais ou superiores a 26°C de WBGT. Nove dessas partidas serão disputadas em estádios sem ar-condicionado.
O risco não está apenas na temperatura elevada, mas na combinação com a umidade. Quanto mais úmido o ambiente, mais difícil se torna a evaporação do suor, principal mecanismo do corpo humano para dissipar calor.
Segundo o Financial Times, cada aumento de 1°C na temperatura global permite que a atmosfera retenha cerca de 7% mais umidade. Há décadas, cientistas consideram que uma temperatura de bulbo úmido próxima de 35°C por várias horas representa o limite fisiológico de sobrevivência humana.
Em um experimento conduzido pela Universidade de Portsmouth, um jornalista caminhou durante 30 minutos em uma esteira a 35°C. Com 30% de umidade, sua frequência cardíaca aumentou levemente e se estabilizou. Com 80% de umidade, continuou subindo, acompanhada de suor intenso e falta de ar.
"A demanda sobre o sistema cardiovascular é maior, e pode acontecer de você continuar aquecendo até sofrer uma doença pelo calor", disse Mike Tipton, professor de fisiologia humana e aplicada da Universidade de Portsmouth.
Os pesquisadores afirmam que os impactos não se restringem aos atletas. Todas as cidades-sede terão áreas de convivência e festivais ao ar livre, expondo torcedores ao calor durante longos períodos.
"Quando o WBGT ultrapassa 26°C, o desempenho dos jogadores pode ser prejudicado. Acima de 28°C, o risco de doenças graves pelo calor se torna mais preocupante — não apenas para os jogadores, mas também para as centenas de milhares de torcedores nos estádios e festivais ao ar livre", disse Chris Mullington, consultor do Imperial College Healthcare NHS Trust, ao Financial Times.
Segundo Tipton, os torcedores podem enfrentar condições ainda mais difíceis. "As pessoas não vão estar apenas fisiologicamente estressadas — vão estar psicofisiologicamente estressadas", afirmou.
Na Copa do Mundo de Clubes realizada nos Estados Unidos em 2025, tempestades provocaram seis atrasos em partidas e jogadores relataram desconforto provocado pelo calor. O argentino Enzo Fernández afirmou ter sentido tontura durante uma partida do Chelsea em Nova Jersey.
A Fifa alterou horários de partidas para evitar os períodos mais quentes do dia e implementou pausas obrigatórias para hidratação. Três estádios — Houston, Dallas e Atlanta — contam com sistemas de ar-condicionado. Outros dois possuem cobertura.
Mesmo assim, especialistas apontam Miami como uma das sedes mais vulneráveis. O estádio local não possui teto nem ar-condicionado, e diversos jogos apresentam probabilidade quase certa de serem disputados acima do limiar de 26°C de WBGT, segundo o World Weather Attribution.
A entidade também foi alvo de críticas após restringir a entrada de garrafas de água por parte dos torcedores, revertendo uma orientação anterior.
A Fifa afirmou estar "comprometida com a proteção da saúde e segurança de todos os jogadores, árbitros, torcedores, voluntários e funcionários".
Os cientistas destacam que o problema não é exclusivo do torneio de 2026. Segundo pesquisa citada pelo Financial Times, os episódios de temperaturas de bulbo úmido acima de 32°C mais do que triplicaram globalmente nos últimos 30 anos.
"Num mundo em aquecimento, ter grandes espaços climatizados disponíveis em caso de um episódio grave de bulbo úmido elevado se tornará cada vez mais crítico a cada Copa do Mundo que passa", disse Colin Raymond, cientista da Universidade da Califórnia em Los Angeles.
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