Ciência

James Webb revela possível 'protetor solar' gigante em planeta de lava

A 280 anos-luz da Terra, exoplaneta reflete cerca de 75% da luz de sua estrela e mantém uma atmosfera que deveria ter desaparecido há bilhões de anos

Exoplaneta: nuvens de minerais de silicato podem explicar por que TOI-561 b reflete grande parte da luz de sua estrela (Freepik)

Exoplaneta: nuvens de minerais de silicato podem explicar por que TOI-561 b reflete grande parte da luz de sua estrela (Freepik)

Publicado em 30 de outubro de 2026 às 19h17.

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Um planeta coberto por lava pode ter encontrado uma maneira de resistir ao calor extremo de sua estrela. Observações do Telescópio Espacial James Webb indicam que o exoplaneta TOI-561 b possui uma atmosfera capaz de refletir aproximadamente 75% da luz que recebe, possivelmente devido às nuvens minerais que funcionam como um protetor solar natural.

A descoberta foi apresentada em um estudo publicado no The Astronomical Journal, conduzido por uma equipe internacional de pesquisadores com participação da Universidade de Birmingham, no Reino Unido.

Localizado a cerca de 280 anos-luz da Terra, o planeta surpreendeu os astrônomos por aparentemente preservar uma atmosfera densa, apesar da intensa radiação recebida durante bilhões de anos.

Como funciona o protetor solar do planeta de lava

Para investigar as condições de TOI-561 b, os cientistas utilizaram o James Webb durante 37 horas, acompanhando quase quatro órbitas completas do exoplaneta.

As observações permitiram analisar, pela primeira vez, o lado noturno do planeta. Como uma de suas faces permanece voltada para a estrela, o hemisfério oposto não recebe luz estelar direta.

Medições anteriores já haviam mostrado que o lado iluminado era mais frio do que o esperado para um planeta rochoso tão próximo de sua estrela. Os pesquisadores suspeitavam que parte do calor estivesse sendo transportada para o lado noturno. Entretanto, as novas medições mostraram que essa redistribuição não explicava toda a diferença de temperatura.

A análise indicou que grande parte da radiação é refletida de volta para o espaço. Simulações climáticas sugerem que o fenômeno pode ser provocado por nuvens de silicato, formadas por minerais como dióxido de silício (SiO₂) e silicato de magnésio (MgSiO₃).

Se confirmadas, essas nuvens impediriam que parte da energia estelar atingisse a superfície, funcionando como uma camada de proteção contra o aquecimento.

Como TOI-561 b conseguiu manter sua atmosfera

As condições extremas do planeta levaram os pesquisadores a esperar que sua atmosfera tivesse desaparecido há bilhões de anos. No entanto, os dados do James Webb sugerem que TOI-561 b ainda possui uma camada significativa de gases, capaz de transportar calor entre seus hemisférios.

A composição dessa atmosfera permanece desconhecida. Uma possibilidade é a presença de uma camada espessa de dióxido de carbono, semelhante à atmosfera de Vênus, mas submetida a temperaturas muito mais elevadas.

Outra hipótese envolve o dióxido de enxofre, gás associado à atividade vulcânica da lua Io, de Júpiter. Segundo Anjali Piette, astrofísica da Universidade de Birmingham e integrante da pesquisa, a descoberta desafia as teorias sobre a evolução de planetas rochosos expostos à radiação intensa.

Oceano de magma pode renovar os gases do planeta

Uma das explicações investigadas envolve o oceano global de rocha derretida que cobre TOI-561 b. Os cientistas consideram a possibilidade de que o magma libere gases continuamente, reabastecendo a atmosfera à medida que parte do material escapa para o espaço.

Nesse cenário, a superfície funcionaria como uma fonte permanente de gases, semelhante a um vulcão em escala planetária. A hipótese poderia explicar como o exoplaneta manteve sua atmosfera apesar da exposição prolongada à radiação estelar.

Os pesquisadores ainda precisam determinar se esse processo realmente ocorre.

O que o James Webb ainda pode descobrir sobre TOI-561 b?

A equipe pretende realizar novas observações em comprimentos de onda mais longos para investigar a composição química da atmosfera.

Os dados poderão ajudar a identificar se o planeta apresenta características mais próximas das de Vênus ou de uma versão extrema da lua vulcânica Io. Também poderão esclarecer como a atmosfera resistiu às condições intensas ao longo de bilhões de anos.

Apesar das características incomuns, TOI-561 b apresenta condições hostis à vida conhecida na Terra. O interesse dos cientistas está em compreender como atmosferas podem persistir em planetas rochosos submetidos a temperaturas extremas.

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