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Jogadores de time centenário de São Paulo entram em greve e W.O vira ameaça

Jogadores afirmam que há atletas com até seis meses de salários e direitos de imagem pendentes; equipe pode não enfrentar o América-MG no domingo

Ponte Preta: Macaca vive crise sem fim  (Reprodução/Instagram)

Ponte Preta: Macaca vive crise sem fim (Reprodução/Instagram)

Gabriella Brizotti
Gabriella Brizotti

Colaboradora

Publicado em 26 de agosto de 2026 às 16h01.

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A crise financeira da Ponte Preta ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, 26. O elenco profissional do clube decidiu paralisar as atividades em protesto contra os atrasos salariais. A medida também pode afetar os compromissos dentro de campo e coloca em dúvida a participação da Macaca no próximo jogo da Série B do Campeonato Brasileiro, segundo o ge.

A Macaca foi fundada em agosto de 1900, sendo um dos clubes de futebol mais antigos do Brasil ainda em funcionamento.

A Ponte Preta tem compromisso marcado para domingo, 30, quando enfrenta o América-MG, em Belo Horizonte, pela 25ª rodada da competição. Como a paralisação inclui a recusa em disputar partidas, existe a possibilidade de o clube não entrar em campo e sofrer um WO.

Jogadores denunciam atrasos de até seis meses

A decisão foi comunicada por meio de uma nota assinada por todo o elenco. No documento, os jogadores direcionam críticas à diretoria, principalmente ao presidente Luiz Torrano e ao vice-presidente Marco Antônio Eberlin.

Os atletas afirmam que parte do grupo está sem receber salários e direitos de imagem há meses. Segundo o comunicado, em alguns casos, os valores pendentes chegam a seis meses.

"Nosso sentimento é de abandono!", diz um trecho da nota divulgada pelo elenco, que também acusa a atual gestão de ter deixado de acompanhar o dia a dia do clube e de não apresentar garantias ou informações sobre a regularização dos pagamentos.

A manifestação ocorre depois de os jogadores darem um prazo para que a diretoria solucionasse a situação. O limite terminou na terça-feira, 25, sem que os pagamentos fossem realizados.

Crise se agravou após indefinição sobre a SAF

A expectativa dos jogadores estava ligada também à votação para aprovação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) da Ponte Preta. A Assembleia que trataria do assunto acabou adiada após uma liminar apresentada pelo grupo de oposição.

Com a votação suspensa, o grupo interessado em assumir o projeto da SAF não realizou o adiantamento financeiro que era esperado pelo clube. Consequentemente, os salários atrasados continuaram pendentes.

A situação já havia sido exposta publicamente uma semana antes. Na ocasião, antes da partida contra o Vila Nova, os jogadores divulgaram nas redes sociais um ultimato para o pagamento das dívidas. Pouco depois, a Ponte Preta sofreu uma goleada por 6 a 0 em Goiânia.

Ponte Preta vive crise desde 2025

Os problemas financeiros da Macaca não são recentes. A crise começou a se tornar mais evidente na metade de 2025, durante a disputa da Série C. Apesar das dificuldades, a equipe conseguiu conquistar o acesso e também levantou o primeiro título nacional de sua história.

Em 2026, entretanto, o cenário piorou. Durante o Campeonato Paulista, a Ponte Preta chegou a ficar impedida de registrar novos jogadores por causa das pendências financeiras. Dentro de campo, a equipe teve uma campanha ruim e terminou rebaixada para a Série A2 com apenas um ponto.

Ao longo da temporada, mais de 15 jogadores deixaram o clube em razão dos problemas salariais. A Ponte Preta também acumula três transfer bans ativos, o que impede a inscrição de novos atletas.

Situação dentro de campo preocupa

A crise administrativa e financeira teve impacto direto no desempenho esportivo. Na Série B, a Ponte Preta soma apenas 10 pontos e está virtualmente rebaixada para a terceira divisão nacional.

Agora, a paralisação do elenco aumenta ainda mais a pressão sobre o clube. Caso os pagamentos não sejam regularizados, a equipe pode não viajar para Belo Horizonte e ficar fora do confronto contra o América-MG.

Na nota, os jogadores afirmam que a decisão foi tomada somente depois de semanas de espera e ressaltam que a medida tem respaldo na Lei Geral do Esporte. Segundo o artigo 90, parágrafo 5º, o atleta profissional pode se recusar a competir quando os salários estiverem atrasados por dois meses ou mais.

Veja a nota completa dos atletas da Ponte Preta

Nós, atletas da AA Ponte Preta, comunicamos à diretoria e à imprensa que:

Como é de conhecimento público e geral, da imprensa e torcedores, a maioria de nós atletas não recebemos os últimos meses de salários e direito de imagem, que em alguns casos chegam a 6 meses sem o devido pagamento.

Há ainda uma nuvem de incertezas que pairam sobre nós, eis que a atual diretoria abandonou o dia a dia do clube e, além dos atrasos salariais, estamos sem qualquer satisfação ou garantia.

Nosso sentimento é de abandono!

O § 5º do artigo 90 da Lei Geral do Esporte permite ao atleta profissional paralisar as atividades profissionais, inclusive recursar-se a competir, quando os salários estiverem em atraso por 2(dois) ou mais meses:

§ 5º - É lícito ao atleta profissional recursar-se a competir por organização esportiva quando seus salários, no todo ou em parte, estiverem atrasados em 2 (dois) ou mais meses.

Esperamos semanas e até meses para tomarmos essa drástica atitude, respeitando a torcida e principalmente a instituição AA Ponte Preta.

Porém, ante o descaso da atual diretoria, considerado como desrespeito a nós atletas, não apenas pelos salários em atraso, mas também pelo abandono da atual gestão, comunicamos que a partir desta quarta-feira, 26/08/206, após encerramento do prazo que estipulamos para a diretoria, suspenderemos as nossas atividades, até a regularização dos nossos pagamentos.

Atenciosamente, Elenco Profissional de Atletas da AA Ponte Preta

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