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Os livros que estão na cabeceira de mulheres executivas

Brené Brown, Djamila Ribeiro, Carla Madeira e Tamara Klink aparecem entre as referências de líderes ouvidas pela EXAME

Júlia Storch
Júlia Storch

Repórter de Casual

Publicado em 26 de agosto de 2026 às 15h32.

Última atualização em 26 de agosto de 2026 às 17h05.

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Liderança não se aprende apenas em livros de negócios. Para algumas das mulheres à frente de empresas e marcas brasileiras, as referências que ajudam a tomar decisões, gerir equipes e construir negócios vêm também da literatura, de histórias de coragem, das relações com outras mulheres e até dos pequenos hábitos cultivados antes do início do expediente.

No Dia Internacional da Igualdade Feminina, celebrado hoje, 26, a EXAME ouviu executivas e empreendedoras para descobrir quais livros, podcasts e hábitos influenciam a maneira como elas lideram.

As respostas passam por obras conhecidas no universo da gestão, como Radical Candor, de Kim Scott, e A Coragem para Liderar, de Brené Brown, mas não ficam restritas às prateleiras de negócios. Véspera, romance de Carla Madeira, aparece como uma reflexão sobre sentimentos, impulsos e decisões. Cartas para minha avó, de Djamila Ribeiro, leva a uma discussão sobre ancestralidade e as relações entre mulheres. Já Inverno, de Tamara Klink, inspira pela história da brasileira que enfrentou sozinha o mar congelado do Ártico.

Sissi Freeman, diretora de marketing da Granado

Sissi Freeman, CMO da Granado (Divulgação/Divulgação)

“O livro Inverno, da Tamara Klink, é uma leitura que me inspirou muito, especialmente por sua trajetória e pela coragem de desafiar limites. Tamara, que também é embaixadora da CARE Natural Beauty, marca do Grupo Granado, foi a primeira mulher registrada a passar o inverno sozinha no mar congelado do Ártico e, aos 28 anos, tornou-se a mulher mais jovem e a primeira pessoa latino-americana a realizar a Passagem Noroeste sozinha. Sua história reforça para mim a importância de acreditar no próprio caminho e não deixar que limites pré-estabelecidos determinem até onde podemos chegar.”

Emily Ewell, co-fundadora e CEO da Pantys

Emily Ewell, CEO de Pantys (Divulgação/Divulgação)

“Ler pode parecer algo básico, mas é um hábito que considero muito importante para continuar aprendendo e estimular a criatividade. Não precisa ser necessariamente um livro de negócios: qualquer leitura amplia minhas perspectivas, traz novas ideias e contribui para a forma como penso e atuo como líder. Também gosto muito da troca que a leitura proporciona. Faço parte de um clube do livro e adoro poder compartilhar diferentes interpretações, ideias e aprendizados com outras pessoas. Um livro que recomendo é A Coragem para Liderar, da Brené Brown, que traz reflexões muito interessantes sobre liderança, vulnerabilidade e a construção de relações mais genuínas.”

Cathyelle Schroeder, CMO da Riachuelo

Cathyelle Schroeder, CMO da Riachuelo (Divulgação/Divulgação)

"Indico o livro Cartas para minha avó, de Djamila Ribeiro. A obra me inspira por trazer uma reflexão sobre ancestralidade e sobre a importância de olhar para o próprio passado para compreender quem somos e de onde viemos. Também gosto muito da perspectiva do estar “entre mulheres”, das trocas, histórias e aprendizados que acontecem a partir dessas relações. Já um hábito que cultivo é acompanhar, encontrar e estar próxima de mulheres que me inspiram e que estão liderando transformações em suas áreas de atuação. Gosto de aprender com essas trajetórias e observar diferentes formas de construir caminhos e ocupar espaços."

Ana Isabel de Carvalho Pinto, Fundadora da Visionary e Shop2gether

Ana Isabel de Carvalho Pinto: indicação de leitura de revistas (Divulgação/Divulgação)

“Indico as leituras das revistas Monocle e The Gentlewoman. As duas me ajudam a ampliar repertório e, principalmente, a olhar para o mundo por perspectivas diferentes. Novas abordagens e inovação estão no centro da minha forma de liderar. Acredito que uma boa liderança nasce da curiosidade, da capacidade de questionar o que já está estabelecido e de estar sempre aberta ao que pode vir a seguir.”

Giovana Orlandeli, diretora de marketing e comunicação da TRUSS, Eudora e Australian Gold

Giovana Orlandeli, diretora de marketing e comunicação da TRUSS, Eudora e Australian Gold (Divulgação/Divulgação)

“Tenho buscado cada vez mais formas de transformar informação em repertório de um jeito que funcione dentro da minha rotina. Recentemente li Véspera, da Carla Madeira, e fiquei muito impactada pela intensidade da narrativa e pela forma como ela constrói o storytelling a partir dos sentimentos e das relações humanas. O livro também me trouxe uma reflexão sobre impulso: sobre como, muitas vezes, uma decisão tomada no calor de um sentimento pode mudar completamente o rumo das coisas. Talvez por isso eu valorize tanto um hábito muito simples que tenho, que é acordar cedo. Gosto de começar o dia com tempo, fazer exercício, ficar com a minha filha e fazer coisas de que gosto antes de entrar na rotina. Esse espaço me ajuda a organizar os pensamentos e começar o dia mais presente. Para mim, liderança também tem a ver com esse equilíbrio entre sentir, perceber e saber a hora de agir.”

Ana Clara Silva Pinto, Head de Pessoal e Cultura na Dengo

“Um hábito que molda profundamente a minha forma de liderar é me conectar intencionalmente com outras mulheres líderes. Troco com mulheres que admiro, mentoro outras e sigo sendo mentorada. Essa rede me expande: desafia minhas certezas, amplia minha visão e me mostra caminhos que eu não enxergaria sozinha. Acredito que liderança não é um caminho solitário. Quando mulheres compartilham experiências, vulnerabilidades e aprendizados, todas crescemos juntas. Esse hábito me lembra, todos os dias, de duas responsabilidades essenciais: continuar aprendendo e abrir espaço para que outras mulheres avancem. No fim, é isso que mais me forma como líder: aprender com outras mulheres e transformar esse aprendizado em ponte para quem vem depois.”

Taciana Veloso, cofundadora da Index

Taciana Veloso: indicação de livro (Marcus Leoni/Divulgação)

"Indico o livro Start With Yourself, da empreendedora Emma Grede. Me identifico com o mindset de Emma que construiu uma jornada pessoal e profissional incrível e autêntica, superando adversidades e inspirando mulheres a realizar seus sonhos."

Patricia Lima, Fundadora da Simple Organic e B-Beauty & Wellness

Patricia Lima: "é possível cuidar genuinamente das pessoas e, ao mesmo tempo, ser muito clara e exigente com elas" (Divulgação)

“Um livro que gosto muito e que influenciou a minha forma de pensar liderança é Radical Candor, da Kim Scott. Ela traz uma ideia que parece simples, mas que considero muito potente: é possível cuidar genuinamente das pessoas e, ao mesmo tempo, ser muito clara e exigente com elas. Durante muito tempo, especialmente quando começamos a discutir modelos de liderança mais humanos, pareceu existir uma oposição entre acolhimento e performance. Para mim, uma coisa nunca excluiu a outra. A clareza também é uma forma de cuidado. Ter as conversas difíceis que precisam acontecer, dar direcionamento e deixar claro o que está funcionando, o que precisa melhorar e o que se espera de alguém também é uma demonstração de respeito.

Quando penso em podcast, uma referência muito próxima é o próprio The 3%, que faço com Luana Toniolo e Manuela Bordasch. Nós três temos em comum a experiência de construir empresas e passar por processos de venda ou aquisição por grandes grupos, o que nos trouxe aprendizados sobre liderança, formação de cultura, crescimento, negociação e tomada de decisão. O podcast nasceu justamente da vontade de colocar esse repertório em circulação. Acredito muito no valor de mulheres que já construíram e executaram compartilharem conhecimento com outras mulheres que estão construindo. Não para criar uma fórmula de liderança, mas para ampliar referências e mostrar diferentes caminhos possíveis.”

Bel Yunes, diretora de estilo da Animale

Bel Yunes, diretora de estilo da Animale (Divulgação/Divulgação)

“Um hábito que molda profundamente a minha forma de liderar é me conectar intencionalmente com outras mulheres líderes. Troco com mulheres que admiro, mentoro outras e sigo sendo mentorada. Essa rede se expande: desafia minhas certezas, amplia minha visão e me mostra caminhos que eu não enxergaria sozinha. Acredito que liderança não é um caminho solitário. Quando mulheres compartilham experiências, vulnerabilidades e aprendizados, todas crescemos juntas. Esse hábito me lembra, todos os dias, de duas responsabilidades essenciais: continuar aprendendo e abrir espaço para que outras mulheres avancem. No fim, é isso que mais me forma como líder: aprender com outras mulheres e transformar esse aprendizado em ponte para quem vem depois.”

Joana Bittencourt, diretora da Reserva

Joana Bittencourt: diretora da Reserva (Divulgação/Divulgação)

"Tenho buscado cada vez mais referências de mulheres brasileiras. São muitas as que me inspiram, mas destaco Conceição Evaristo, que traz uma reflexão que levo para a minha liderança: as pessoas não chegam ao trabalho separadas de suas histórias e experiências. Também gosto do Bom Dia, Obvious, da Marcela Ceribelli, pelas conversas sobre os diferentes lugares que ocupamos como mulheres. São referências que me ajudam a construir uma liderança mais humana, diversa e consciente".

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