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Derrota na final não impede homenagens à Argentina e a Messi em Buenos Aires

Mesmo sem o bicampeonato, argentinos ocuparam o Obelisco após a final, agradeceram aos jogadores pelo legado iniciado em 2022 e se despediram de Lionel Messi

Torcedor argentino: no Obelisco, torcida se despediu de seu maior ídolo (Luis Robayo / AFP)

Torcedor argentino: no Obelisco, torcida se despediu de seu maior ídolo (Luis Robayo / AFP)

Gabriella Brizotti
Gabriella Brizotti

Colaboradora

Publicado em 20 de julho de 2026 às 13h54.

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A derrota para a Espanha na final da Copa do Mundo de 2026 não provocou cenas de revolta nas ruas de Buenos Aires. Pelo contrário. Horas depois do apito final no MetLife Stadium, milhares de argentinos voltaram ao lugar que se transformou em símbolo das grandes conquistas da seleção: o Obelisco.

Não havia o clima de euforia que tomou conta da capital após o título no Catar, em 2022. As bandeiras tremulavam mais lentamente, muitos torcedores caminhavam em silêncio e alguns choravam enquanto cantavam músicas dedicadas à seleção. Ainda assim, a principal mensagem era de agradecimento.

Se quatro anos antes o Obelisco recebeu uma multidão para celebrar o tricampeonato mundial, desta vez ele serviu de palco para reconhecer uma geração que devolveu à Argentina o protagonismo no futebol internacional.

A tristeza não apagou a gratidão

Poucas seleções conseguem transformar uma derrota em um momento de união nacional. A Argentina parece ter conseguido.

Ao longo da campanha, a equipe voltou a mobilizar o país, chegou à segunda final consecutiva de Copa do Mundo e disputou a terceira decisão nas últimas quatro edições do torneio. Para muitos argentinos, isso já representa um feito suficiente para eternizar esse grupo entre os maiores da história.

Nas ruas, o sentimento predominante era de tristeza pelo título que escapou na prorrogação, mas também de orgulho por uma seleção que voltou a competir entre as melhores do mundo.

O discurso repetido pelos torcedores era simples: ninguém poderia cobrar um grupo que havia encerrado um jejum de 36 anos sem conquistar a Copa e devolvido ao país o sonho em 2022.

A despedida de Messi emocionou o país

Se a derrota doeu, a despedida de Lionel Messi da seleção tornou o domingo ainda mais emotivo.

Depois de quase duas décadas defendendo a camisa argentina, o camisa 10 provavelmente encerrou sua trajetória em Copas do Mundo justamente na final. O desfecho não foi o imaginado, mas pouco alterou o lugar que ocupa na história do país.

Durante toda a noite, o nome de Messi foi cantado por torcedores no Obelisco. Muitos carregavam a camisa 10 em homenagem ao jogador que liderou a conquista do Mundial de 2022 e voltou a levar a Argentina a uma decisão quatro anos depois.

Para boa parte dos argentinos, a despedida não foi marcada pela derrota, mas pelo agradecimento. O consenso era de que Messi havia entregado tudo o que podia pela seleção e encerrava seu ciclo como um dos maiores ídolos da história do esporte.

Recepção deve ser simbólica

A expectativa é que o retorno da seleção para Buenos Aires seja bastante diferente daquele vivido após o título conquistado no Catar. Desta vez, nem todos os jogadores devem desembarcar em Buenos Aires.

Parte do elenco seguirá diretamente para as férias antes da retomada da temporada europeia, enquanto outros já têm programação definida para se reapresentar aos respectivos clubes nos próximos dias. Com isso, a recepção à seleção tende a ser mais simbólica do que a gigantesca celebração de 2022, quando milhões de pessoas tomaram as ruas da capital.

Um ciclo que mudou a história da Argentina

Mesmo sem levantar a taça, a campanha de 2026 reforçou o status da Argentina como uma das grandes potências do futebol mundial.

A seleção disputou três finais nas últimas quatro Copas do Mundo, conquistou um título e encerrou um dos ciclos mais vitoriosos de sua história recente. Sob o comando de Lionel Scaloni e liderada por Messi, o país voltou a ocupar o topo do futebol internacional e criou uma geração que será lembrada muito além dos troféus.

Por isso, em Buenos Aires, a derrota não teve gosto de fracasso. Ela foi vivida como o capítulo final de uma era que devolveu aos argentinos o orgulho de vestir a camisa albiceleste.

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