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Como Messi, Mbappé e Cristiano Ronaldo estão construindo impérios fora dos gramados

A nova disputa das estrelas do futebol acontece no mercado de investimentos, com estratégias diferentes para cada jogador

Messi, Mbappé e Cristiano Ronaldo: investimentos em startups, clubes, inteligência artificial e plataformas digitais revelam como os craques planejam o futuro financeiro (Buda Mendes/Getty Images/AFP)

Messi, Mbappé e Cristiano Ronaldo: investimentos em startups, clubes, inteligência artificial e plataformas digitais revelam como os craques planejam o futuro financeiro (Buda Mendes/Getty Images/AFP)

Publicado em 12 de julho de 2026 às 06h12.

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O legado de um craque já não é medido apenas por gols, títulos e recordes. Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Kylian Mbappé transformaram a fama conquistada nos gramados em plataformas para construir negócios capazes de gerar valor por décadas.

Cada um escolheu um caminho próprio, mas todos enxergam o futebol como ponto de partida para um patrimônio que vai muito além da carreira esportiva.

Messi aposta em tecnologia e IA

Entre os três, Lionel Messi é quem mais se aproximou do universo das startups. Em 2022, o argentino lançou a Play Time HoldCo, empresa de investimentos sediada em San Francisco, voltada para tecnologia, mídia e esporte. O portfólio reúne companhias de inteligência artificial, plataformas digitais e negócios ligados ao ecossistema esportivo.

No lançamento, a Play Time informou que pretendia levantar cerca de US$ 200 milhões. Desde então, a empresa expandiu seu portfólio e passou a reunir investimentos que a aproximam de um fundo de venture capital típico do Vale do Silício.

A lista inclui empresas como FieldAI, World Labs, Fish Audio e SuperAnnotate, além da plataforma de fantasy game Sorare e do jogo oficial da Fifa Matchday. Messi também integra o grupo de proprietários da organização de eSports KRÜ, fundada pelo ex-companheiro de seleção Sergio Agüero.

Outro movimento importante aconteceu com sua chegada ao Inter Miami, em 2023. O contrato firmado com o clube inclui uma participação societária, reforçando uma tendência crescente entre atletas que preferem adquirir participação em empresas e franquias esportivas em vez de receber apenas contratos de publicidade.

Cristiano Ronaldo concentra investimentos em saúde

Cristiano Ronaldo construiu uma estratégia bastante alinhada à imagem de atleta dedicada à performance física. Seus principais investimentos estão ligados ao setor de saúde, bem-estar e tecnologia médica.

O português tornou-se investidor da Whoop, fabricante de dispositivos inteligentes para monitoramento físico, e adquiriu, por US$ 7,5 milhões, uma participação de 10% na Pro2col, plataforma digital desenvolvida pela Herbalife para personalização de programas de saúde. Ele também investiu na Bioniq, empresa especializada em suplementos personalizados com inteligência artificial.

Além da área de saúde, CR7 também ampliou sua presença no futebol como empresário. Segundo a Wired, o craque recebeu uma participação acionária de cerca de 50 milhões de libras no Al-Nassr, clube saudita pelo qual atua atualmente, fortalecendo sua ligação com o mercado esportivo mesmo após a aposentadoria.

Cristiano Ronaldo também entrou no setor de mídia esportiva. Segundo o UOL, em maio de 2026, o português adquiriu uma participação considerada "relevante" na LiveModeTV, braço internacional da brasileira LiveMode, empresa que controla a CazéTV.

O valor da operação não foi divulgado, mas o objetivo é apoiar a expansão global do modelo de transmissões esportivas gratuitas em plataformas digitais. "Cristiano Ronaldo e a LiveModeTV trabalharão juntos para expandir a parceria na Europa e em outros mercados internacionais", diz o comunicado divulgado pela empresa.

A LiveModeTV deu início à sua operação internacional durante a Copa do Mundo de 2026, em Portugal. A plataforma transmite gratuitamente uma partida por dia pelo YouTube, marcando a expansão da empresa brasileira para o mercado europeu. O projeto representa o primeiro passo da estratégia global da LiveMode, impulsionada pela entrada do craque como sócio.

Mbappé amplia presença no esporte e na tecnologia

Kylian Mbappé representa uma geração mais jovem de atletas que começou cedo a estruturar um portfólio empresarial. O francês criou a Coalition Capital, empresa de investimentos voltada para esporte, entretenimento, tecnologia e impacto social.

Entre os movimentos mais relevantes está a aquisição do controle do clube francês Caen, tradicional equipe da Ligue 2, tornando-se um dos mais jovens proprietários de um clube profissional da Europa.

O atacante também mantém investimentos em empresas de tecnologia — investiu na alemã Loewe Technology, na healthtech Alan, na plataforma Sorare e na France SailGP Team, por meio da Coalition Capital, segundo a InvestNews, e na Inspired by KM (IBKM), voltada para apoiar jovens por meio de educação e mentoria.

A nova lógica dos atletas bilionários

Segundo especialistas ouvidos pela Wired, o mercado vive uma mudança importante na relação entre atletas e marcas. Participações acionárias passaram a ocupar espaço que antes era dominado por contratos tradicionais de patrocínio, criando oportunidades de valorização patrimonial ao longo dos anos.

O futebol continua sendo o palco que consagrou esses três astros. Fora dele, cada investimento amplia uma trajetória que passa a ser construída também nos conselhos administrativos, nas startups e nas grandes empresas.

Essa transformação ganhou força nos últimos anos, impulsionada pelo interesse de startups e fundos de investimento em atletas capazes de agregar muito mais do que capital. Com audiências que ultrapassam centenas de milhões de seguidores nas redes sociais, estrelas do futebol oferecem visibilidade global, influência sobre consumidores e potencial para acelerar o crescimento de empresas.

Para Kamraan Khan, sócio da Archers Valuation and Advisory, sediada em Dubai, a estratégia reflete uma mudança na forma como atletas administram seu patrimônio. "A transição dos contratos tradicionais de patrocínio para participações acionárias e investimentos em startups demonstra um foco maior na construção de riqueza de longo prazo e na segurança financeira após o fim da carreira esportiva", afirmou, à Wired.

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