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Por falar em profissões no Brasil (Thinkstock/Ridofranz)
Redatora
Publicado em 12 de julho de 2026 às 06h03.
Quando a inteligência artificial começou a ganhar espaço nas empresas, a expectativa era de que ela eliminasse empregos. O movimento, porém, revelou outro fenômeno: o surgimento de novas profissões dedicadas justamente a desenvolver, supervisionar e controlar esses sistemas.
Segundo o relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial (WEF), funções ligadas à inteligência artificial, ciência de dados e aprendizado de máquina estão entre as que mais devem crescer até 2030.
Além da demanda por especialistas técnicos, empresas passaram a contratar profissionais responsáveis por avaliar riscos, revisar respostas produzidas por modelos de IA e garantir que essas ferramentas sejam utilizadas de forma ética e segura.
Se antes auditores verificavam apenas processos financeiros ou operacionais, agora muitas empresas precisam de profissionais capazes de avaliar o comportamento de sistemas de inteligência artificial.
Esse especialista analisa se a IA produz respostas confiáveis, identifica possíveis vieses, verifica falhas de segurança e avalia se o modelo atende às normas internas e às exigências regulatórias.
À medida que governos discutem regras para o uso da tecnologia, essa função tende a ganhar ainda mais relevância.
Os modelos de inteligência artificial não evoluem sozinhos. Por trás de muitas melhorias existe o trabalho de profissionais responsáveis por revisar respostas, corrigir erros, classificar informações e fornecer exemplos que ajudam os sistemas a produzir resultados mais precisos.
Conhecidos como treinadores de modelos ou especialistas em treinamento de IA, esses profissionais participam do processo de aperfeiçoamento das ferramentas e ajudam a reduzir erros, respostas inadequadas e informações incorretas.
Outra função que praticamente não existia há poucos anos é a de especialista em governança de inteligência artificial.
O trabalho envolve definir políticas para o uso da tecnologia dentro das empresas, estabelecer critérios de segurança, acompanhar exigências legais e garantir que o desenvolvimento da IA siga princípios de transparência, responsabilidade e proteção de dados.
Em organizações que utilizam inteligência artificial em larga escala, esse profissional atua como uma ponte entre áreas técnicas, jurídicas, de risco e de negócios.
Embora o mercado tenha amadurecido e o cargo tenha evoluído desde seu surgimento, profissionais especializados em construir instruções para modelos de IA continuam sendo procurados em diversos setores.
Mais do que escrever comandos, o engenheiro de prompts entende como estruturar pedidos, organizar contexto, testar diferentes abordagens e integrar modelos de linguagem aos fluxos de trabalho da empresa.
Estudos recentes mostram que, apesar de ainda representar uma parcela pequena das vagas, a função possui um conjunto de competências próprio, combinando conhecimento técnico, comunicação e resolução de problemas.
Nem toda resposta produzida por uma inteligência artificial chega diretamente ao usuário. Em muitas empresas, existe um processo de validação conduzido por avaliadores de qualidade.
Esses profissionais verificam clareza, precisão, segurança e aderência às diretrizes estabelecidas pela organização. Também registram falhas recorrentes para que as equipes técnicas possam aperfeiçoar os modelos.
Nesse cenário, cresce a demanda por profissionais capazes de trabalhar ao lado da inteligência artificial, e não apenas utilizá-la.
Mais do que dominar uma ferramenta específica, as empresas procuram pessoas capazes de compreender como esses sistemas funcionam, identificar suas limitações e garantir que sejam utilizados de forma responsável.
Isso explica por que algumas das profissões mais promissoras de 2026 simplesmente não faziam parte do mercado poucos anos atrás.